<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898</id><updated>2012-01-30T20:39:41.083-03:00</updated><category term='Crônicas'/><category term='Traduções'/><category term='Contos'/><category term='Reflexões'/><category term='Cotidiano'/><category term='Poemas'/><category term='Cartas'/><title type='text'>Manual de Astronomia</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>89</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-2576022850219415603</id><published>2012-01-22T19:25:00.002-03:00</published><updated>2012-01-24T22:51:26.583-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>Arborescer</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Deitado na cama, vi meu olhar descobrir lentamente minha mulher, que contemplava, com o ceticismo da experiência, a volúpia monótona da rua abaixo. As últimas luzes do dia a envolviam, desenhando em alto contraste sua imagem recostada na janela. A pele marcada e foliculosa mapeava cada passo dos meus olhos. Embora magro, o corpo claramente havia sopesado a rígida arrogância da carne na flacidez do tempo, arvorando-se de um aspecto lânguido, porém resoluto. As pernas fibrosas já não vertiam a seiva enérgica da juventude, mas se plantavam firmes no solo rachado de seus pés. Do tronco, seus seios pendiam maduros sobre o braço esquerdo e falavam da serenidade dos anos na silenciosa linguagem do corpo. O cotovelo direito apoiado em ângulo reto emoldurava seu torso, retratando as sardas de sua mais tenra maturidade. Tinha o cabelo preso, em cachos suspensos sobre o calor que ramificava de sua nuca molhada. Da boca fecunda, florescia um meio-riso viçoso — não sei se irônico ou já nostálgico — das frutíferas alegrias que parecia poder profetizar simplesmente observando as unhas esmaltadas. No rosto, podiam-se ver algumas rugas marcando as raízes de suas preocupações. Pensamentos sulcados germinavam no canto dos olhos. Eram olhos de âmbar cristalino, e sua luz perene alimentava meu sol, numa fotossíntese às avessas. Num gesto fértil, quase corriqueiro, ela virou-se para mim, desfolhada de acessórios, com a graciosidade dos ramos ao vento. E ali se deteve enquanto eu, simbionte, absorvia em catarse a beleza cotidiana que brotava daquela mulher.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-2576022850219415603?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/2576022850219415603/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=2576022850219415603&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/2576022850219415603'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/2576022850219415603'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2012/01/arborescer.html' title='Arborescer'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-8860402722190922207</id><published>2011-11-29T13:18:00.001-03:00</published><updated>2012-01-24T22:51:44.999-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>Eu, Menino</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Quando eu, menino, via o mundolusco-fusco num branco extremo, acreditava no bem, no ser inerentemente bondosoque a sociedade corrompia, nunca alienado do benefício da dúvida. Quandomenino, o terror do eu-erro acometia silencioso meu sono, um medo divino dolado lascivo das ideias, os dogmas devorando as estranhas entranhadas nasconvicções. Quando eu rebrilhava os olhos no verde-fascínio de um besouromorto, pernas espinhosas fustigando a curiosidade de um menino com enigmas,crescia onírico e aventureiro. Quando o menino se chocava contra a sólidarudeza dos gestos infames, eu mortificado culpava a casca frágil da minhaingenuidade e despertava o germe inerte da intolerância transvestida desobrevivência. Quando viu na grandeza de Júpiter sua pequenez agigantar-se, omenino-eu imaginou-se domando todas as questões bravias do universo se lhedessem um só desejo. Quando o menino triturado pela puberdade rejuntou seusátomos no eu, foi infiltrado pela crônica ausência de lógica e agora a vida separavaseus prótons de seus elétrons com vazio da certeza do caos. Quando eu, vestidocapa-espada, ofereci o cavalo branco da abnegação, vi o menino destronado peloescárnio ingrato do desprezo. Quando a névoa da guerra diária gradualmente dissipou-sena tempestade dos tempos, vi em assepsia medonha meu corpo despido e lavado doeu, menino.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-8860402722190922207?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/8860402722190922207/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=8860402722190922207&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/8860402722190922207'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/8860402722190922207'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2011/11/eu-menino.html' title='Eu, Menino'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-2825120735126148014</id><published>2011-08-26T22:13:00.001-03:00</published><updated>2011-08-26T22:21:40.435-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Esquecimento</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'trebuchet ms'; "&gt;Esta senhora mantém uma rotina todos os dias. Acorda e joga por cima dos ombros as flores do xale, espalhando um perfume antigo. Vai ao quarto do filho, passa a mão por sobre a colcha já forrada aplainando quaisquer imperfeições como quem pede desculpas ao silêncio, como quem limpa uma memória de suas tristezas. Arruma uns lápis de cor que o rapaz nem usa mais tentando manter intacta uma infância que se foi de mãos dadas com a crueza da necessidade. Na sala, troca por outras novas as margaridas que já começam a perder do viço. Há algo que a perturba naquelas pétalas enrugadas e enegrecidas, intempéries de uma vida que andou demais na má companhia do tempo. E assim, por alguma brecha entre as grades dos afazeres de casa, todas as tardes o dia escapa despercebido, carregado pedacinho por pedacinho pelos fótons do último raio que o sol lhe jogou — último como todo raio e todo instante sempre é. É por volta desse horário que a senhora remexe a panela com a réstia de vigor que as mães usam à tardinha para se recomporem quando as chaves começam a chamar na porta da frente. E esta senhora não é diferente. Então, ela coloca dois pratos na mesa e espera pacientemente. Hoje, porém, há algo errado. Hoje, pela primeira vez, essa senhora colocou apenas um prato na mesa. Ela nunca havia esquecido. Um ano, dois meses e doze dias. Ela nunca havia esquecido. O rapaz não senta mais naquela cadeira para a qual ela agora olha fixamente, num misto de culpa e indiferença. O lugar vazio, onde sentava aquela morte que amanhecia todos os dias, foi ocupado pelo esquecimento, que entrou sorrateiro pela porta aberta da rotina. Hoje a vida descobriu que a morte vive apenas na lembrança. Hoje uma senhora descobriu que a morte nada mais é que o primeiro passo da lembrança rumo ao esquecimento.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-2825120735126148014?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/2825120735126148014/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=2825120735126148014&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/2825120735126148014'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/2825120735126148014'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2011/08/esquecimento.html' title='Esquecimento'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-2216756243773341701</id><published>2011-08-21T19:40:00.006-03:00</published><updated>2011-08-21T20:16:58.720-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Traduções'/><title type='text'>O Sorteio</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;de Shirley Jackson (1916-1965)&lt;br /&gt;(Tradução de Heber Costa)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A manhã do dia 27 de junho estava clara e ensolarada, com a frescura quente desses dias de verão; as flores desabrochavam aos montes, e a grama rebrilhava de tão verde. O povo do vilarejo começou a se ajuntar na praça, entre o correio e o banco, por volta das dez; em algumas vilas, tinha tanta gente que o sorteio levava dois dias para terminar e tinha que começar logo no dia 2 de junho, mas nessa, que tinha somente umas trezentas pessoas, o sorteio acabava em menos de duas horas, daí que, se começasse às dez da manhã, ainda dava para os moradores chegarem em casa a tempo para o almoço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As crianças, é claro, se aglomeraram antes de todo mundo. A escola tinha fechado para o recesso do meio do ano. Quase todas estavam com uma agoniada sensação de liberdade. A tendência era chegarem caladinhas, ficando assim por um tempo, para depois começarem com algazarra. A conversa ainda era da escola e da professora, dos livros e dos carões que levaram. Betinho Martins já tinha enchido seus bolsos de pedras, e os outros meninos logo fizeram o mesmo, escolhendo as mais lisas e redondas. Beto e Ari de Jenésio e Dico de François — que o povo dizia “Franssóis” — acabaram juntando uma pilha bem grande de pedras num canto da praça e protegiam ela das botadas dos outros meninos. As meninas ficavam meio de lado, proseando umas com as outras, olhando os meninos por cima dos ombros. As crianças pequenininhas embolavam na poeira ou então seguravam na mão do irmão mais velho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco tempo depois, começaram a chegar os homens, cada um de olho nos seus filhos, falando de plantação e chuva, de tratores e dos impostos. Ficavam juntos, longe da pilha de pedras que estava no canto; suas piadas eram discretas, e eles mais sorriam do que riam. As mulheres, com seus vestidos de casa desbotados, chegaram pouco depois dos homens. Elas se cumprimentavam e fofocavam um pouco antes de irem para junto do marido. Daí a pouco, já perto dos homens, começaram a chamar os filhos, e eles vinham fazendo birra, depois de serem chamados quatro ou cinco vezes. Betinho Martins deu uma cabriola e escapou da mãe, que tentava pegar ele com a mão esticada, e voltou para a pilha de pedras. O pai ralhou com ele, e Betinho veio correndo e ficou no lugar dele, entre o pai e o irmão mais velho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem organizava o sorteio — assim como as danças no arraial, o clube dos jovens e a quermesse — era Seu Samuel, o único que tinha tempo e energia para cuidar das atividades cívicas. Era um sujeito bonachão e jovial que tinha um negócio de carvoaria. As pessoas tinham pena dele porque não tinha filhos e a mulher lhe aporrinhava o juízo. Quando ele chegou na praça, carregando a caixa preta de madeira e acenando e falando, o burburinho aumentou entre os moradores. “Um tiquinho atrasado hoje, compadres.” O responsável pelos correios, Seu Geraldo, seguia de perto levando um tamborete de três pernas. Ele colocou no meio da praça, e Seu Samuel colocou a caixa preta em cima. Os moradores ficavam meio distantes, deixando um espaço entre eles e o tamborete. Quando Seu Samuel perguntou “Algum compadre pode dar uma mão aqui?”, o pessoal ficou meio ressabiado, até que dois homens, Seu Martins e o filho mais velho, Jessé, vieram segurar a caixa enquanto Seu Samuel remexia os papéis que estavam dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[...]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ler a continuação, clique &lt;a href="http://tidypub.org/qmcWQ"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Para o ler o texto-fonte em inglês, clique &lt;a href="http://www.americanliterature.com/Jackson/SS/TheLottery.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-2216756243773341701?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/2216756243773341701/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=2216756243773341701&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/2216756243773341701'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/2216756243773341701'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2011/08/o-sorteio-shirley-jackson.html' title='O Sorteio'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-5829432917158015512</id><published>2011-08-08T21:31:00.005-03:00</published><updated>2011-08-08T22:01:21.200-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Traduções'/><title type='text'>Trecho de "O Som e a Fúria"</title><content type='html'>&lt;span style=" font-weight: bold;font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"  &gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O Som e a Fúria&lt;/span&gt; (1929), de William Faulkner&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;(Excerto da página 76, tradução de Heber Costa)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Dois de junho de 1910.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Quando a sombra dos caixilhos aparecia nas cortinas, eram entre sete e oito horas e aí eu estava novamente &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;imerso &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;no tempo, ouvindo o relógio. Foi de Avô e quando Pai o deu para mim ele disse eu lhe dou o mausoléu de toda esperança e desejo; é deveras apropriado que você o use para se apoderar do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;reducto absurdum&lt;/span&gt; de toda experiência humana, que será de tão pouca utilidade para suas necessidades individuais quanto o foi para ele e para o pai dele. Eu o dou a você não para que se lembre do tempo, mas para que você o esqueça aqui e ali por alguns momentos e não despenda todo seu fôlego tentando vencê-lo. Pois batalha alguma é vencida ele disse. Nem sequer se chega a travá-las. O campo de batalha revela ao homem apenas sua própria loucura e desespero, e a vitória é uma ilusão dos filósofos e dos tolos&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;__________&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;The Sound and The Fury&lt;/span&gt; (1929), by William Faulkner&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;(Excerpt from page 76)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;June second, 1910&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;When the shadow of the sash appeared on the curtains it was between seven and eight oclock and then I was in time again, hearing the watch. It was Grandfather’s and when Father gave it to me he said I give you the mausoleum of all hope and desire; it’s rather excruciatingly apt that you will use it to gain the reducto absurdum of all human experience which can fit your individual needs no better than it fitted his or his father’s. I give it to you not that you may remember time, but that you might forget it now and then for a moment and not spend all your breath trying to conquer it. Because no battle is ever won he said. They are not even fought. The field only reveals to man his own folly and despair, and victory is an illusion of philosophers and fools.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-5829432917158015512?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/5829432917158015512/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=5829432917158015512&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/5829432917158015512'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/5829432917158015512'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2011/08/trecho-de-o-som-e-furia.html' title='Trecho de &quot;O Som e a Fúria&quot;'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-1640548199614852296</id><published>2011-07-03T12:48:00.004-03:00</published><updated>2011-07-03T13:06:06.570-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Traduções'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poemas'/><title type='text'>De um Poeta para sua Amada</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=" font-weight: bold;font-family:trebuchet ms;" &gt;William Butler Yeats (1865-1939)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;tradução de&lt;/span&gt;&lt;span style=" font-weight: bold;font-family:trebuchet ms;" &gt; Heber Costa&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; dedicada a&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-family:trebuchet ms;" &gt; Andréa Veruska&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;, em seu aniversário.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Trago-te com reverentes mãos postas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;livros de meus inúmeros sonhos,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Mulher alva pela paixão cinzelada&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;como maré burila grisalhas encostas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;E de alma mais sofrida que espada&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Forjada no brando fogo do tempo:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Mulher alva de inúmeros sonhos,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Trago-te rimas de meu amor sedento.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                        * * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=" font-weight: bold;font-family:trebuchet ms;" &gt;A Poet To His Beloved&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;William Butler Yeats (1865-1939)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;I bring you with reverent hands&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;The books of my numberless dreams,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;White woman that passion has worn&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;As the tide wears the dove-grey sands,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;And with heart more old than the horn&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;That is brimmed from the pale fire of time:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;White woman with numberless dreams,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;I bring you my passionate rhyme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;NOTA&lt;/span&gt;: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A Poet to His Beloved&lt;/span&gt; foi  publicado na coletânea &lt;span style="font-style: italic;"&gt;The Wind Among the Reeds&lt;/span&gt; (1899). Este poema é uma  declaração lírica (e um dos pedidos de casamento) à atriz Maud Gonne, a  quem o Yeats confessadamente amou por anos. Embora tenham tido um  relacionamento tardio, nunca se casaram (&lt;a href="http://www.authorsden.com/categories/article_top.asp?catid=44&amp;amp;id=43998"&gt;fonte&lt;/a&gt;).&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-1640548199614852296?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/1640548199614852296/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=1640548199614852296&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/1640548199614852296'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/1640548199614852296'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2011/07/de-um-poeta-para-sua-amada.html' title='De um Poeta para sua Amada'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-4486899949202623688</id><published>2011-06-04T20:44:00.003-03:00</published><updated>2011-06-04T21:27:27.650-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Jonas e o Menino</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Jonas sentia um cansaço. Cansaço de acordar do descanso pra viver outro dia de novo. As coisas não iam bem. Cada esperança de melhorar morria de parto quando vinha à luz mais um sofrido &lt;span style="font-style: italic;"&gt;não&lt;/span&gt;, rebento do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;nunca&lt;/span&gt;. A mulher morrera sem aviso nem motivo, condenada pela injustiça ao cruzar caminho com uma bala leviana de uma briga de trânsito. Deixou-lhe o menino, aquele franzino que pesava mais que uma vida. Desde então, Jonas sacrificava o que nunca chegou a ter para prover do bom e do menos pior ao filho. O caminho era duro, mas pra ele a vida não tinha atalho: faltava-lhe malícia e talento pra malandragem. Não que lhe faltasse vontade. Na hora de enrolar, engasgava-se com as mentiras, que lhe saíam sempre cuspidas e maculadas de sinceridade. Não levava jeito pra jeitinho, não sabia ser sabido. Jonas era honesto por falta de opção. Mas esse atributo raro e inato não pagava as contas. O menino queria, o menino pedia, desprovido da capacidade de prever futuros negros. Alimentado de meio copo de leite tipo C e uma porção bem servida de televisão, o menino abstraía-se enquanto ele trabalhava. Na falta de alguém de confiança, deixava-o trancado com o vira-lata, brincando com torrões da areia e tijolos velhos — restos inaproveitáveis de uma reforma um dia sonhada. Chegava perto das seis, esperando encontrar vida na casa. Achava o menino cheirando a cachorro e com cara de sessão da tarde. Nada que sabão amarelo não resolvesse. Jonas lavava bem sua cabeça, e a culpa descia quase toda pelo ralo. Um dia, uma vizinha rica fez uma denúncia contra aquele absurdo e funcionou: finalmente recolheram o cãozinho ao canil, estupefatos com a violação aos direitos dos animais. Enquanto isso, menino se afeiçoava à solidão, ao silêncio e à penumbra. Andava com desenvoltura sob a venda das sombras, mas se assustava quando a luz acendia. Jonas chegava intruso nesse cenário, constrangido pelos ouvidos das paredes não conseguir dedicar suas já parcas palavras ao menino. Nessa noite, nada tinha mesmo de bom a dizer. Não tinha mais emprego, não mais-valia. No dia seguinte, saiu a ermo com o menino pela mão. Parou numa banca, comprou um badulaque pro menino e pediu ao jornaleiro que o olhasse enquanto ia ao açougue do lado. Nunca mais voltou. No fundo dos olhos, não se via surpresa ou confusão: o menino já sabia. Não havia estranheza no abandono.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-4486899949202623688?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/4486899949202623688/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=4486899949202623688&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/4486899949202623688'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/4486899949202623688'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2011/06/jonas-e-o-menino.html' title='Jonas e o Menino'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-4556720862373694924</id><published>2011-05-15T17:33:00.003-03:00</published><updated>2011-06-04T21:34:19.700-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Traduções'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poemas'/><title type='text'>Os Cegos e o Elefante</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;font-size:85%;" &gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;John Godfrey Saxe (1816-1887) &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;(tradução de Heber Costa)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Seis homens do Hindustão&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Mui devotos da cultura&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Foram ver o Elefante&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;(Inda que de vista escura)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Cada qual, observando,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Queria uma verdade pura.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O Primeiro se aprochegou,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Mas, tropeçando numa galha,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Deu com largo e duro flanco &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;e grasnou como uma gralha:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;“Valha-me, deus! O Elefante&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;É uma espécie de muralha!”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O Segundo, sentindo a presa,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Proclamou com confiança:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;“Liso, pontudo e robusto assim,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Tenho plena segurança:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O tão famigerado Elefante&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;É uma espécie de lança!”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O Terceiro chegou ao animal  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;E, pegando por acidente&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A úmida tromba nas mãos, &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Exclamou, incontinente:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;“Na minha visão, esse Elefante&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;É uma espécie de serpente!”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O Quarto esticou a mão ansiosa&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;E sentiu o joelho de pronto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;“A natureza desta fera mágica,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Neste momento vos conto:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Sem sombra de dúvida, o Elefante&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;É uma espécie de tronco!”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O Quinto acaso tocou a orelha&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;E disse “Até um cego insano&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Diria a resposta sem titubeio;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Não há perigo de engano:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Este prodigioso Elefante&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;É uma espécie de abano!”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O Sexto mal tinha começado&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A fazer na fera o exame,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Quando, a cauda agarrando,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Anunciou como a um ditame:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;“Asseguro que o Elefante&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;É uma espécie de cordame!”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Assim tais homens hindustanos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Discutiam duro todo dia,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Cada qual que opinasse&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Com mais sanha e selvageria.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Inda que em parte certos,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Nenhum a verdade sabia!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;MORAL.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;N’alguns embates teológicos,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Cada debatedor insensato&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Prosa em pura ignorância&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Do que diz o outro incauto&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Tagarelando de um Elefante&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Que ninguém viu de fato!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;***&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;Para ler o poema em inglês, &lt;a href="http://www.noogenesis.com/pineapple/blind_men_elephant.html"&gt;clique aqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ouvir uma versão recitada, &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=bJVBQefNXIw"&gt;clique aqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ouvir uma versão musicada, &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=ac-m3a5zII4"&gt;clique aqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-4556720862373694924?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/4556720862373694924/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=4556720862373694924&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/4556720862373694924'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/4556720862373694924'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2011/05/os-cegos-e-o-elefante.html' title='Os Cegos e o Elefante'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-7479335914736366282</id><published>2011-04-21T10:26:00.002-03:00</published><updated>2011-04-21T10:32:18.543-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>A Menina no Sinal</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Uma menininha no sinal. Os cabelos crispados crescendo eletricamente começam num castanho imaculado e terminam em pontas de cores corrompidas pelo esmaecimento do sol-a-sol. A alguns metros, com um olhar tirânico destroçado pela vida, resta sentada à sombra sua imagem futura, aquela que a pariu no passado e agora vigia o seu presente. Seu destino é regido por uma lógica distinta das associações comuns: o verde significa espera, e o vermelho é a cor da esperança. Vermelho! Corpo magrinho, ela perambula entre os veículos com uma caixa de mentos. A menininha fede. Olhares jogam contra ela um desprezo desinfetante. Verde! Brincadeira involuntária de estátua na beira da calçada. A carinha tem vestígios da sopa aguada de ontem que as moscas disputam sofregamente. Olha para si. A camiseta-pano-de-chão sobra na sua silhueta: é o mais próximo que ela vai chegar de um vestido. Mas ela não pensa nisso. Puxando pelos lados, faz uma saia de pastoril. Seu corpo gira, pezinhos espalmados no chão. Dá pequenos pulos para não expor o sexo que lhe foi apresentado tão cedo, à revelia de sua compreensão. Fecha os olhos sob um sol de holofote e deixa-se rodopiar ao som bruto dos carros que passam. Vermelho! A entidade que se denomina mãe, embora quase imaterna, solta um grunhido. No susto, ela corre de volta para os carros, ofertando seu precário futuro aos condutores que a ignoram. Uma vez perdida, alguém sorri para ela e lhe estende uma moeda. A menininha gosta das prateadas mais do que das douradas, embora saiba que estas compram mais. Seu meio-sorriso denuncia a satisfação que escapa por entre os poucos dentes. Verde! A mão lhe toma a moeda, mas ela não fica mais triste como antes. Coloca o dedo na boca e chupa o salgado da fuligem e do suor. Limpa na camisa enquanto procura com os olhos secos pelo papelão em que ela deita por dez minutos na hora do almoço. Queria mesmo era ser uma criança pobre de novela, que usa roupa limpa, dorme numa cama só dela e tem uma mãe que faz carinho. Vermelho! Corre por entre os carros saltitando para não queimar os pés no asfalto fumegante. Ela sabe que é quase hora do almoço pela quentura do chão. Viu um pão na sacola verde... será para ela? Verde! A menininha não gosta de dormir no carpete-que-virou-chão enquanto a mãe fica gemendo com o homem. Não tem cortina. Ela vira para o lado oposto e cobre os ouvidos sem sucesso. Também não gosta quando o homem pega nela. Parece querer achar curvas naquele corpo reto. Sente uma angústia, como quem esconde um malfeito. Tem medo de apanhar da mãe. Vermelho! Ela corre — tropeça e derruba na lama preta a mercadoria... o papel da embalagem encharca rápido, ficando negro como o medo que lhe percorre a espinha. Enfia a mão na sarjeta, no desespero de não perder nada, e vai jogando o lodo mentolado na camisa que segura à guisa de bolso. Levanta e vai na direção da mãe com a resignação dos condenados. Antes que diga qualquer palavra, leva dois tapas firmes na cara engatados com meia-dúzia de palavrões. Mas uma coisa mais dolorosa lhe vem à mente: não vai ter almoço hoje. O formigamento do rosto faz com que ela nem sinta as lágrimas descendo sem freios. Verde! Os carros começam a passar em velocidade. A menininha corre mais uma última vez e joga-se na frente. Não, não foi isso que aconteceu. Vermelho! Ela pega as balinhas que conseguiu salvar, limpa com a camisa, coloca na caixa e, de novo, vai oferecer ao desprezo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-7479335914736366282?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/7479335914736366282/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=7479335914736366282&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/7479335914736366282'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/7479335914736366282'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2011/04/menina-no-sinal.html' title='A Menina no Sinal'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-1930851464947965736</id><published>2011-04-10T22:52:00.003-03:00</published><updated>2011-04-10T22:59:44.839-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Traduções'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poemas'/><title type='text'>Uma Árvore Venenosa</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;William Blake (1757-1827) (Tradução de Heber Costa)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Meu amigo fez uma raiva a mim;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Contei-lhe, e a raiva teve um fim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Enfureceu-me meu inimigo:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Não contei, a raiva cresceu comigo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Encharquei-a de lástimas,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Noite e dia com minhas lágrimas:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;E solarizei com sorrisos &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;E com suaves ardis invisos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;E crescia mais a cada manhã&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Até que deu brilhosa maçã.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Meu inimigo a fitava, pois luzia,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;E a fruta era minha, ele sabia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Entrou no meu jardim amoitado&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Quando a noite ocultou o cercado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Na alvorada, eu vi com satisfação&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Sob a árvore, o inimigo estirado no chão.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-family:trebuchet ms;" &gt;A Poison Tree&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;I was angry with my friend;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;I told my wrath, my wrath did end.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;I was angry with my foe:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;I told it not, my wrath did grow.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;And I waterd it in fears,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Night &amp;amp; morning with my tears:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;And I sunned it with smiles,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;And with soft deceitful wiles.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;And it grew both day and night,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Till it bore an apple bright.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;And my foe beheld it shine,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;And he knew that it was mine.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;And into my garden stole.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;When the night had veiled the pole;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;In the morning glad I see,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;My foe outstretchd beneath the tree.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-1930851464947965736?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/1930851464947965736/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=1930851464947965736&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/1930851464947965736'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/1930851464947965736'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2011/04/uma-arvore-venenosa.html' title='Uma Árvore Venenosa'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-9033448919607705583</id><published>2011-04-03T22:18:00.000-03:00</published><updated>2011-04-03T22:20:01.249-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Bloqueio criativo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;O cenário era propício. Aquele velho escritor sempre criava uma atmosfera para começar a escrever. Era um jazz encorpado e um vinho tinto harmônico dançando enebriantemente até que a ideia chegava, atrasada e meio bêbada, como sempre. Havia qualquer coisa de semelhante entre aquele homem na penumbra e aquela abelha rondando a lâmpada do teto na esperança de chegar a uma luz. À sua frente o branco insuportável de uma página vazia no computador iluminava o rosto impassível dos que não conseguem mais escrever. Fazia tempo que o escritor recorria a artifícios para dar conta da fome insaciável dos leitores pela mítica inspiração. Afinal, o que é a inspiração senão um esforço para digerir a realidade e regurgitá-la com algo de si? Havia algum tempo que cansara de fingir. Alguns acham que o escritor finge para a sociedade e se revela à literatura. Mas ele sentia que nunca havia parado de se inventar e o que inventava, na maioria das vezes, pouco tem a ver consigo próprio. Alguns críticos com mais vocação para biógrafo (se é que há algum dom que contemple essa profissão parasitária) e um gosto mórbido por adivinhas haviam esquadrinhado sua obra buscando descobrir porque ele usava chapéu até em ambientes fechados ou de que lado da cama ele dormia. Parece que tudo isso era mais importante que a mera literatura das suas palavras impressas. Esse homem tinha atingido um estágio em que a crítica tal como se pressupunha não mais existia para ele: ter seu nome assinado no fim da página significava ou a aprovação ou a rejeição absolutas. A leitura das palavras em si se tornara nada mais que formalidade, confirmação inócua de conceitos petrificados — positivos ou negativos — a respeito dele. Pode existir algo mais triste para um escritor do que ignorarem suas palavras? Não havia mais sentido em escrever, mas uma náusea profunda o obrigava. Há tempos queria ver-se liberto disso, desse gozo aflitivo, dessa ânsia prazerosa, que sobrevinha quando seus dedos uniam as letras desnaturadamente separadas no teclado. Deixara tudo na vida pela escritura: família, amigos, mulheres. Suas obras lhe deram sua fama, e sua fama lhe deu um tudo com gosto de nada. Foi com esse gosto que acordou naquela manhã e quando sentou-se insosso na mesma cadeira. Agora, junto com o crepúsculo, caiu sobre ele um alívio na forma de um bloqueio criativo. Aquele rosto imóvel e pálido desde as primeiras horas da manhã trazia uma revelação: um escritor liberto da literatura pelo último bloqueio de sua vida.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-9033448919607705583?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/9033448919607705583/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=9033448919607705583&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/9033448919607705583'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/9033448919607705583'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2011/04/bloqueio-criativo.html' title='Bloqueio criativo'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-8890477680756945642</id><published>2011-03-27T23:20:00.002-03:00</published><updated>2011-03-27T23:22:59.172-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Traduções'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poemas'/><title type='text'>In Memoriam</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Alfred, Lord Tennyson (1809-1892) (Tradução de Heber Costa)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms; font-weight: bold;"&gt;Seção V&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Por vezes julgo coisa meio impura&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Expor em palavras o meu pesar:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Pois pr’a alma abrir ou ocultar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;É falha a palavra como a natura.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Para mente e coração aflitos porém,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Há serventia na linguagem comedida;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Este exercício de mecânica sofrida,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Como torpe narcótico, a dor sustém.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Em palavras me enrolo, como panos de luto,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Como em rudes roupas contra friagem;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Mas de minha imensa dor elas perfazem&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Não mais que um contorno diminuto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms; font-weight: bold;"&gt;Section V                                &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;I sometimes hold it half a sin &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;To put in words the grief I feel: &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;For words, like Nature, half reveal &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;And half conceal the Soul within. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;But, for the unquiet heart and brain, &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;A use in measured language lies; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;The sad mechanic exercise, &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Like dull narcotics, numbing pain. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;In words, like weeds, I'll wrap me o'er, &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Like coarsest clothes against the cold; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;But that large grief which these enfold &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Is given outline and no more. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-8890477680756945642?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/8890477680756945642/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=8890477680756945642&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/8890477680756945642'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/8890477680756945642'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2011/03/in-memoriam.html' title='In Memoriam'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-6505424701205789596</id><published>2011-03-20T22:10:00.001-03:00</published><updated>2011-03-20T22:12:16.084-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Eterno Fim</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;No jantar, ela serviu mais uma vez silêncio e novela das sete. Havia algo estranho no seu rosto, algo de gélido nas meias-mentiras daquele prato sem gosto. Ele sabia que o fim aguardava do lado de fora da porta, mas não como havia chegado até ali. Foi assim, de uma hora pra outra, que percebeu: suas surpreendentes rosas deram lugar a samambaias dependuradas na rotina do terraço. Aquele ex-amor se agarrava na autoafirmação da estabilidade para justificar seu fim — a relação estável sempre se pretende uma forma leviana de eterno e esbarra aqui e ali na covardia. Pensando nisso, entrou no quarto. O fingimento dormia ainda acordada do lado esquerdo. De propósito, sentou-se pesadamente na cama e remexeu badulaques barulhentos no criado-mudo. Nenhuma resposta. Murmurou o nome dela num tom que hesitava entre a pergunta retórica e a súplica. Falou como quem repete uma palavra que subitamente lhe parece estranha, tentando reconhecê-la. Aquele nome não passava de letras, anagrama sem nexo do que antes fora a senha sagrada para imolar seu coração. Deitou-se olhando para um nada cheio pensamentos. Não eram as dúvidas que o incomodavam, era aquela certeza obtusa de que nada mais havia. Sua ilusão desfolhava, outonando-se aos poucos. Cada vez mais se entrevia o firme tronco seco de uma cumplicidade que morrera, mas por algum motivo insistia em restar de pé. Ela não era mais tudo que precisava, não queria lhe dar a lua nem qualquer outro pedregulho — era alguém. Subitamente, ele se via coadjuvante num final secreto que as comédias românticas nunca mostram. Deitou-se virado para as costas dela, sem coragem de tocá-la, como se aquele corpo fosse feito de cinzas. Então, aos poucos, enquanto adormecia, a imagem dela lentamente ia se dissolvendo mais uma vez... como estranhamente acontecia todas as noites desde que ela havia ido embora.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-6505424701205789596?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/6505424701205789596/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=6505424701205789596&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/6505424701205789596'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/6505424701205789596'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2011/03/eterno-fim.html' title='Eterno Fim'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-7841157277877262119</id><published>2011-03-12T22:35:00.005-03:00</published><updated>2011-03-13T12:48:57.807-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Traduções'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poemas'/><title type='text'>Leito de Morte</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;font-family:trebuchet ms;" &gt;Thomas Hood (1798-1845) [Tradução de Heber Costa]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Vigilamos seu fôlego noite adentro:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Um fôlego débil e meigo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Como a maré da vida num perene &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Fluxo-influxo em seu peito.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Nosso falar parecia silêncio&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;E os gestos, sob forte brida&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Por devotarmos quase toda força&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A um prolongar de sua vida.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Da própria esperança brotava o medo,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;E do medo a esperança ressurgia —&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Quando a víamos morrer, dormira;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Quando pensamos dormir, morria.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Chega a opaca e sombria aurora&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Com uma frieza matinal que arrepia,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;É a hora que suas pálpebras se calam&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;numa aurora que não essa do nosso dia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-family:trebuchet ms;" &gt;The Death-bed&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;We watch'd her breathing thro' the night,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Her breathing soft and low,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;As in her breast the wave of life&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Kept heaving to and fro!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;So silently we seemed to speak —&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;So slowly moved about!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;As we had lent her half our powers&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;To eke her living out!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Our very hopes belied our fears&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Our fears our hopes belied —&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;We thought her dying while she slept,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;And sleeping when she died.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;For when the morn came dim and sad —&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;and chill with early showers,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Her quiet eyelids closed — she had&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Another dawn than ours! &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-7841157277877262119?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/7841157277877262119/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=7841157277877262119&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/7841157277877262119'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/7841157277877262119'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2011/03/leito-de-morte.html' title='Leito de Morte'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-8435952200574526863</id><published>2011-02-12T21:02:00.002-03:00</published><updated>2011-02-12T21:32:56.579-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Culpa de Sangue</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A besta resfolegava, bico entreaberto, tremendo como nunca de terror e êxtase pelo poder de tirar uma vida, pela traição ao divino. A mulher não merecia. Tinha olhos redondos peixados para o lado e um corpo lépido e ágil, típico das presas que precisam fugir de predadores. Não adiantou. Enredada no braço, gazelou-se desesperadamente. Os dedos autômatos rapinamente apertaram sua garganta. Depois de alguns minutos, soltou um piado e lebrinou para o lado, com os olhos rubros. Ainda respirava, contudo. Nessa hora, um gralhado, não sei proveniente de que falcoaria, ecoou mórbido e indiscreto enquanto os lábios se mexiam. Saltou-lhe então uma garra afiada e meteu-a entre as costelas. Sangue avinhado manchou-lhe as patas. Na Grécia, o assassínio deixava uma mácula indelével, macbethiana, signo do perdão inalcansável. O sangue de vítima espalha a morte, mancha a pele. Diz-se que o plasma morto contamina o vivo, e a morte pulsa de dentro para fora, levando à loucura e ao delírio da visão de si num espelho bizarro, deformado pelo tânatos. Abominado dessa culpa de sangue helênica, o assassino se contorcia. Seu recém-funesto prazer rexpulsava, porém, qualquer arrependimento com espasmos de adrenalina. Jogada a um canto, esvaída, a presa por fim expirou. Instintivamente, gritei de horror. A besta virou-se... e era eu. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-8435952200574526863?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/8435952200574526863/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=8435952200574526863&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/8435952200574526863'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/8435952200574526863'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2011/02/culpa-de-sangue.html' title='Culpa de Sangue'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-4469296317498289942</id><published>2010-12-27T21:33:00.007-03:00</published><updated>2010-12-28T11:37:35.978-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Traduções'/><title type='text'>A Ponte do Riacho da Coruja</title><content type='html'>&lt;div  style="text-align: justify;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ambrose Bierce [1842-1914] (tradução de Heber Costa)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parte I&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um homem de pé numa ponte férrea no norte do Alabama, olhando para as rápidas águas muitos metros abaixo. Mãos para trás, punhos atados e uma corda bem justa em redor do pescoço. As tábuas soltas sobre os dormentes, onde estavam deitados os trilhos, serviam de apoio para ele e seus executores — dois soldados da União comandados por um sargento que parecia ter sido um xerife na vida civil. Pouco atrás, na mesma plataforma, um capitão. Havia uma sentinela parada, qual um adorno, em cada cabeça da ponte. Não se via ninguém mais na ferrovia que adentrava uma floresta e fazia uma curva para além da vista. Na outra margem, ladeados por rifles e o focinho protuberante de um canhão, estavam os espectadores — uma companhia de infantaria em linha com um tenente à direita apoiando as duas mãos sobre a espada espetada no chão. À exceção da comitiva no centro da ponte, nenhum homem se movia: todos os olhares petreamente voltados para a cena. O capitão restava silente, sem fazer qualquer sinal. A morte é um dignitário que, quando anunciado previamente, deve ser recebido com manifestações formais de respeito mesmo por aqueles que já lhe são muito familiares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A julgar por suas vestes, o homem à beira do enforcamento parecia um civil fazendeiro. Suas feições bem delineadas — nariz reto, boca firme, bigode e um cavanhaque pontudo, cabeleira escura e longa penteada para trás — e uma expressão serena dificilmente esperada no rosto de alguém com a corda no pescoço diziam claramente que esse não era um assassino qualquer. A forca do exército, no entanto, não faz acepção entre cavalheiros e outros tipos de pessoas. Quebrando a rigidez, os soldados deram um passo ao lado e retiraram duas tábuas; o sargento se deslocou para as costas do capitão, que por sua vez saiu do apoio. Com essa coreografia, o sargento e o condenado ficaram nas pontas opostas da última tábua. Com um movimento do militar, o homem cairia por entre as vigas da ponte. Como não lhe puseram venda ou capuz, sua mente vagava pelo cenário abaixo: a água, tocada em ouro pelo sol, o nevoeiro que cobria as margens rio abaixo, os soldados, um galho flutuando — tudo o distraía. Fechou os olhos para fixar em seus últimos pensamentos a imagem da esposa e dos filhos. Então, trespassando a lembrança de seus entes queridos, veio o som agudo de uma percussão metálica, perto ou imensuravelmente longe, regular, lento, como badaladas fúnebres. Esperava cada batida com impaciência e, não sabia por quê, ansiedade. O silêncio crescia a cada intervalo, demarcando um espaço enlouquecedor entre os sons pontiagudos e perfurantes. Era seu relógio de pulso. Abrindo os olhos, em sua mente faiscaram pensamentos, transcritos aqui como “se livrar as mãos, posso tirar o laço e mergulhar na corrente, evitando as balas, entrar no bosque e fugir para a minha casa, que está fora do alcance deles, graças a Deus”. Enquanto relampeavam essas ideias, o capitão acenou com a cabeça para o sargento. O sargento deu um passo à direita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parte II&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peyton Farquhar era um respeitado fazendeiro sulista, dono de escravos e devotado à causa da Secessão. Ele não pôde servir ao exército confederado, pelo que lastimava, mas acreditava que oportunidade de um grande feito se apresentaria para todos no decorrer da guerra. Certa tarde, enquanto Peyton e a esposa descansavam num banco à entrada de sua propriedade, um soldado vestido um uniforme cinzento apareceu pedindo água. Enquanto a senhora corria com boa vontade para pegar a água, Peyton perguntou ao recruta avidamente quais as novas. “Os ianques estão reparando as linhas férreas”, disse o homem. “Chegaram ao Riacho da Coruja, a uns 50 quilômetros daqui, e reconstruíram a ponte. O comandante decretou que qualquer civil pego em sabotagem será sumariamente enforcado.” Peyton perguntou se havia segurança. “Só um posto improvisado no meio do caminho”, respondeu. “Suponha que um homem — civil e estudioso do enforcamento — conseguisse passar pelo posto e pelas sentinelas, o que ele poderia fazer?”, indagou Peyton com um sorriso. “Há um mês, quando passei lá”, disse o soldado refletindo, “havia uma pilha de galhos acumulados pelas corredeiras que hoje devem estar secos e queimariam como carvão”. A senhora chegou com a água, o soldado agradeceu com cerimônia e se foi. Ao anoitecer, o soldado passou pela fazenda, fazendo o caminho inverso. Não era um sulista, era um batedor do exército da União.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parte III&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando caiu por entre as madeiras da ponte, Peyton perdeu a consciência, como se já estivesse morto. Acordou desse estado — séculos depois, pareceu-lhe — por conta de uma dor sufocante e uma pressão na garganta. Agonias afiadas e penetrantes eram disparadas de seu pescoço para todas as fibras de seu corpo, irradiando-se com uma rapidez inconcebível, como correntes de fogo pulsante aquecendo seu corpo a temperaturas intoleráveis. Essas sensações não tinham a companhia de pensamentos. A parte intelectual de sua natureza tinha sido erradicada: ele só podia sentir — e sentir era um tormento. Ele era o coração flamejante de uma nuvem luminosa, sem substância material, oscilando em arcos impensáveis como um pêndulo enorme. Subitamente, a luz se lançou para cima com um estrondo e um pavor rugindo nos seus ouvidos… então, tudo ficou frio e escuro. O poder do raciocínio retornou; sabia que a corda tinha partido e ele caíra no rio. O laço sufocava seu pescoço, mas mantinha a água fora dos pulmões. Abriu os olhos e viu um brilho se esvaindo. Estava afundando. Morrer enforcado no fundo do rio! — a ideia lhe pareceu hilária. Viu, então, a luz ficando mais forte, agora ele estava subindo. Num esforço inconsciente e sobre-humano, ele livrou as mãos e arrebentou o laço. Seu pescoço doía terrivelmente; seu cérebro pegando fogo; e seu coração deu um grande salto tentando sair pela boca. Autômatos, seus braços e pernas batiam vigorosamente em direção à superfície. Quando a cabeça rompeu a superfície da água, seu peito se expandiu convulsivamente, recepcionando a golfada de ar com um grito agudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os seus sentidos físicos estavam num alerta que lhe fazia perceber tudo ao seu redor de uma forma nunca experimentada por ele. Olhou para a margem e viu cada árvore, e cada folha nessas árvores e cada veia das folhas — viu até os insetos nelas: gafanhotos, moscas brilhosas, aranhas cinzentas. Percebeu as cores prismáticas de cada gota de orvalho em milhões de hastes de grama. O zunido dos mosquitos que dançavam nas poças da margem, o bater das asas das libélulas, as pancadas das pernas das aranhas aquáticas — tudo isso compunha uma música audível. A corrente fez um rodopio, e ele viu a silhueta dos soldados na ponte recortados contra o céu azul: eles apontavam e gesticulavam, eram movimentos grotescos e formas gigantescas. Então pequenas nuvens azuis começaram a emergir dos soldados, e zumbidos duros atingiam a água ao redor dele. “Depois disso, eu não vou levar um tiro; não é justo”, pensou. Peyton mergulhou o mais fundo possível. Tentando voltar à superfície, encontrava pedacinhos brilhantes de metal afundando lentamente — alguns o tocavam na face e nas mãos no caminho inverso ao seu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Emergiu de novo, buscando fôlego, e notou que tinha ficado muito tempo submerso: estava bem mais distante da ponte, mais próximo da segurança. Um apito alto, diminuendo, terminou por morrer numa explosão que levantou uma parede de água contra ele. O canhão havia entrado no jogo. Enquanto pensava em como escapar, sentiu-se rodar e rodar, vendo a margem, a floresta, a ponte, os homens, a margem, a floresta… tudo se amalgamando em faixas horizontais coloridas e borradas. Sem que pressentisse, foi jogado nos seixos da margem esquerda, alcançando algumas rochas que se projetavam. A parada súbita e o atrito de suas mãos o restauraram, e sentiu-se chorando de alegria. Tateou até que seus dedos finalmente se enterraram na areia. Jogava punhados dela sobre si mesmo, como diamantes, rubis, esmeraldas. As árvores da margem estavam separadas por espaços regulares, como num jardim. Uma estranha luz rosada passava por entre elas, e o vento tocou nelas a música das harpas eólicas. Com um disparo aleatório de despedida, o canhão atingiu os ramos mais altos, acordando-o de seus devaneios. Ele ficou de pé e subiu correndo a margem íngreme, lançando-se floresta adentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Guiado pelo sol, Peyton percorreu o dia inteiro a mata interminável, cansado, faminto, mas impulsionado pela lembrança de sua mulher e filhos. Não sabia que vivia numa região tão isolada e selvagem. Havia algo de sobrenatural nessa revelação. Acabou achando uma estrada larga, que parecia nunca ter sido usada. Os corpos escuros das árvores ladeavam o caminho como paredes retas até o horizonte e de cada lado vinham ruídos bizarros, entre os quais — uma vez, duas e mais outra vez — ele ouviu sussurros em uma língua desconhecida. No céu, grandes estrelas douradas pouco familiares agrupavam-se em constelações estranhas, dispostas de uma forma que denunciava um significado secreto e maligno, tinha certeza disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levantou a mão e sentiu que seu pescoço estava doendo e intumescido; não podia mais fechar os olhos, de tão congestionados; sua língua estava inchada de sede. Mas quão suavemente a turfa havia acarpetado a aquela avenida não trafegada — ele não sentia mais a estrada sob seus pés! Sem dúvida, a despeito do sofrimento, ele havia adormecido enquanto caminhava, pois agora ele via outra cena, talvez meramente recobrada de um delírio: estava no portão de sua casa. Tudo estava do jeito que deixara. Uma manhã brilhante e bela; ele devia ter viajado a noite inteira. Abriu o portão e caminhou. Nos degraus ao pé da varanda, está sua esposa, bela e doce e perfumada, com um sorriso de alegria inefável e uma postura graciosa. Ah, como ela é linda! Ele vai em sua direção, com os braços estendidos, e está prestes a abraçá-la quando sente um violento golpe na nuca; uma luz ofuscante o envolve com um som que parece o impacto do canhão — então tudo é escuridão e silêncio!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peyton Farquhar estava morto. Seu corpo, com o pescoço quebrado, balançava suavemente de um lado para o outro entre os dormentes da ponte do Riacho da Coruja.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-4469296317498289942?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/4469296317498289942/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=4469296317498289942&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/4469296317498289942'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/4469296317498289942'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2010/12/ponte-do-riacho-da-coruja.html' title='A Ponte do Riacho da Coruja'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-3085629363103152226</id><published>2010-11-03T22:17:00.005-03:00</published><updated>2010-11-09T14:58:22.124-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Órion</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Diz que coube à deusa lunar Diana, ainda no auge da juventude eterna, conduzir os caçadores do Olimpo. Seu bando se movia ao seu olhar, e suas palavras tinham o peso da prata. A vida de cinzas e sangue lhe extirpara todas as gentilezas e lhe fizera seca. E assim foi. Decorridas muitas das auroras infinitas, sua autoridade inquebrantável balançou do alto de sua morada, donde ameaçava despencar: dizia-se à boca miúda que, dentre todos, havia um preferido de Diana. Decerto suas flechas relampeariam por qualquer que sugerisse tal coisa. Mas a fúria era espelho da verdade, pois a irmã de Apolo, caçadora fria, sentia-se arder quando Órion se aproximava dela. Nesses momentos, de seta a alvo, a deusa tremia, alvejada pelo mais ligeiro olhar do gigante cujos pés sem esforço tocavam o fundo do oceano. Seu estado de convalescência piorava quando ele ia embora, levando consigo seu corpo tépido e deixando uma ausência que nenhum deus preenchia. Mas ele voltava, e a deusa de modos incautos pisava leve quando lhe dava a mão, e caçavam juntos outono adentro, entre sorrisos e oliveiras. Manipulavam suas habilidades de caça, um tentando entregar ao outro a vitória indesejada sobre&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; seu amado. Sim, amavam-se. Diana o amava tanto que pediu a Vulcano que forjasse para Órion um cinturão com três pedras que fulguravam diante o brilho do sol, para que ela sempre soubesse onde ele estava. A vida corria bem, mas os deuses, à feição dos humanos, têm em si algo que lhes consome, uma insatisfação eterna, uma propensão ao conflito — e com Apolo não era diferente. O dono da carruagem solar sentia-se corroer dentro de suas vestes divinais, inflamado por uma mandrágora que medrava no seu peito com a feição do ciúme, mas as raízes robustas da inveja. Certo dia, quando Órion partiu em sua caminhada marítima, Apolo, vendo o caçador submerso até a altura do pescoço já quase ao pé do horizonte, correu a esconder o sol no crepúsculo. Voltando ao cume do Olimpo, o deus do sol provocou Diana, dizendo: “Dizem que teus hábitos amorosos têm diminuído teus talentos. Vês aquela bolota escura no fim do oceano? Hoje tenho dúvidas de que consigas acertá-la”. Os deuses são vitimados por muitos sentimentos, mas um deles reina acima de todos. A deusa da lua então puxou do alforje uma seta cheia da mais pura vaidade e lançou-a com toda sua força. Em segundos, a flecha trespassou a cabeça mortal do filho de &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Netuno. As águas tornaram-se mais salgadas pelas lágrimas das ninfas, peixes morreram, algas secaram. &lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_8YiNtmcIMJo/TNIJ6CiStoI/AAAAAAAAANI/ah1YF0QmhlI/s1600/Orion.jpg"&gt;&lt;img style="float: right; margin: 0pt 0pt 10px 10px; cursor: pointer; width: 320px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_8YiNtmcIMJo/TNIJ6CiStoI/AAAAAAAAANI/ah1YF0QmhlI/s320/Orion.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5535497784709527170" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Cheio do mais profundo respeito, o mar carregou o cor&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;po de Órion até às margens, onde águas-vivas o velaram multiplicando o luar. Ao longe, Diana o viu. Correu até el&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;e e lhe pôs a cabeça no colo. De um olho, saía uma seta de ponta rubra. A vida escorre&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;u pálida, e sua imagem começou a esfacelar-se na areia. Tomada de desespero pela tragédia e para que não o perdesse de todo, ela pediu a Júpiter que o guardasse entre as estr&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;e&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;las, onde desde então, com seu cinturão incrustado, Órion campeia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-3085629363103152226?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/3085629363103152226/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=3085629363103152226&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/3085629363103152226'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/3085629363103152226'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2010/11/orion.html' title='Órion'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_8YiNtmcIMJo/TNIJ6CiStoI/AAAAAAAAANI/ah1YF0QmhlI/s72-c/Orion.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-8938002038440178442</id><published>2010-10-20T00:52:00.007-03:00</published><updated>2010-10-21T00:10:11.649-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Oblíquo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://img1.visualizeus.com/thumbs/08/12/03/bed,bedroom,black,and,white,girl,haircut,kiss-9e79e37ff1641c31eeb1435dd3181c43_h.jpg"&gt;&lt;img style="float: right; margin: 0pt 0pt 10px 10px; cursor: pointer; width: 287px; height: 215px;" src="http://img1.visualizeus.com/thumbs/08/12/03/bed,bedroom,black,and,white,girl,haircut,kiss-9e79e37ff1641c31eeb1435dd3181c43_h.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O amava, mas tão imprópria quanto um pronome oblíquo no início de uma frase. Era um amor pálido, arco-íris sem gotículas, difuso como a última sombra que o por-do-sol descartou. Seus dias eram dúbios, certezas apagadas na paixão, ilhadas por questões de todos os lados. Seus olhos mentiam a cada hora, cada dia, marcando a fronteira entre o vizinho “te amo” e o distante “amo você” (às vezes, seguido do vocativo redundante, dupla mentira, “meu amor”). Mentia porque precisava. Vir, ver, vencer. Seu sangue bombeava liberdade pelo seu corpo, ao que o cérebro respondia com necessidade. Ficaria ali até quando não mais estivesse em si. Lábios frígidos de desamor tocavam o outro ouvido com a doçura das falsidades mais tenras. Era sua especialidade. Seus seios latejavam de angústia, que ela transfigurava num desejo maquiado, mamilos eriçados de frio. Suas coxas tremiam de rigor, que ela manejava em orgasmo forçado. O nome do que lhe possuía saltava de sua boca na rejeição murmurada, queimando amargo em sua língua, travestido de deleite. E assim seria: de casa em casa, de cama em cama, de amor em amor... até que não mais murmurasse. Até que encontrasse aquele que lhe desnudasse da falsidade do amor perfeito. E a esse, amava-o.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-8938002038440178442?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/8938002038440178442/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=8938002038440178442&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/8938002038440178442'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/8938002038440178442'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2010/10/obliquo.html' title='Oblíquo'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-4196595806533607113</id><published>2010-09-16T01:29:00.005-03:00</published><updated>2010-09-17T22:23:49.324-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Reflexões'/><title type='text'>O Passado</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;Poucas pessoas sabem, mas, quando olhamos para o céu, tudo que vemos é passado. Uma história escrita em luminares que estiveram a uma distância de milhares de anos. E pior: elas não sabem que somos, nós mesmos, passado. Para nós, as estrelas sempre estiveram lá. Para as estrelas, toda a humanidade luziu por um bilionésimo de segundo a um canto do céu e já sumiu, como uma tocha ramalhada antes do mergulho. No universo, não existe tempo e espaço, mas espaço-tempo. Passou-se um segundo e, parados, já estamos num ponto do universo que fica a dezesseis quilômetros de onde estávamos. Essa trajetória em direção ao nosso destino (um Hércules que desenhamos no céu e que não estará mais lá quando chegarmos) é estática para o nosso milésimo de vida. Alguns, perdidos em tal falta de referência, ignoram; outros, indiferentes, são bactérias viajando numa bola de golfe: sem saber que vão, mas indo. Nesse ritmo, percorremos, todo ano, quase mil anos-luz. Há também muitos não entendem que um ano-luz é uma distância, não um tempo. É uma distância tão grande que, quando essa luz que partiu há tempo chega até nós, já se esqueceu e virou sombra. E nós também partimos — sombras que a luz esqueceu — e viramos tempo. Mesmo assim, queremos obcecadamente deixar para trás o passado e viver o presente. O que é, afinal, o presente? Aqui e agora? Aqui, já não estamos mais; e agora já passou. Tudo ocorre para nós tão instantaneamente que esquecemos que o presente é nunca; nunca chega a ser este instante, porque este instante acabou. No fim, o futuro é uma promessa que inventamos a cada presente; e o presente, uma parte tão infinitesimal do agora, que acaba se revelando uma sucessão de passados. Por isso, quando olhamos para o céu, tudo que temos é passado. Um grande e longo passado que vivemos agora, neste instante.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-4196595806533607113?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/4196595806533607113/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=4196595806533607113&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/4196595806533607113'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/4196595806533607113'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2010/09/o-passado.html' title='O Passado'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-7526157372563800313</id><published>2010-08-15T12:16:00.001-03:00</published><updated>2010-09-17T22:23:09.815-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Um Assalto</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;E pensar que o dia tinha começado sem sobressaltos, com as tarefas do dia cavalgando minhas preocupações. Padaria, sapateiro, banco. Agora eu estava ali, com uma arma na cabeça e sob a mira de dezenas outras. Era a única barreira entre um assaltante desesperado e policiais estressados. O assalto começara como de costume. Onze da manhã. Banco lotado. Um velhinho começou a discutir com o segurança por conta do seu guarda-chuva (claro!), que tinha ficado preso na gaveta da porta-giratória. Foi a deixa. Em questão de segundos, se aproveitando da distração gerada, o gatuno rendeu o segurança e mandou todo mundo se abaixar. Não houve confusão nem gritaria. Encheu as sacolas de salários e ia partir quando, por um desses acasos inacreditáveis, apareceu um carro da polícia. Aí o larápio puxou o primeiro idiota que estava do lado: eu. Antes só mais uma vítima, agora eu tinha sido promovido a refém. Perpetuando o clichê, a polícia mandou sair com mão pra cima. O assaltante gritou que ficaria ali o ano inteiro se preciso. Era um impasse. Houve queixumes e murmúrios de insatisfação. O motoboy protestou, dizendo que ganhava por corrida. A dona de casa, profunda conhecedora das prioridades na vida, disse que ainda tinha almoço por fazer e roupa pra lavar. O advogado já procurava seu cartão de visitas, e o taxista que o esperava lá fora tinha um sorriso discreto. O ladrão tratou de acalmar os presentes, prometendo que faria o possível para que tudo fosse rápido. Como todo bom político, sabia que não podia desagradar seu eleitorado. Em instantes, já havia mais câmeras apontadas do que armas — captando &lt;span style="font-style: italic;"&gt;fatos&lt;/span&gt;, e transmitindo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;notícias&lt;/span&gt;. Chamaram familiares do bandoleiro e montaram uma matéria, uma espécie de notícia aumentada, um ponto a mais no conto. Ele mandou ligarem a TV da parede. Alguns xingamentos foram sussurrados quando o aparelho acendeu — num acesso de preguiça, o responsável por ligá-la para o público teria dito que estava quebrada. No plantão ao vivo, aparecia a mãe do rapaz trabalhador que apontava um revólver enferrujado pra minha cabeça. Eu me perguntava se, sobrevivendo à bala, seria capaz de escapar ao tétano. Se aproximava do meio-dia, e os estômagos ameaçavam se amotinar. Atento, o estudante dedicado que havia me feito de refém pediu que trouxessem comida, mas desistiu quando um policial lhe informou que seria feita uma licitação. Ordenou, então, que trouxessem sua mãe. Meia hora depois, chegou uma senhora com olhos pesados de vergonha. Deixaram que entrasse no banco, o filho atencioso que andou com más companhias explicou o mal-entendido à mãe. Entregou-lhe a arma e estava prestes a se render quando houve um tiro. Calma, o jovem carente estava intacto. Seria encaminhado a uma unidade de correção juvenil. Eu havia sido atingido na perna, mas me senti melhor porque, segundo o noticiário, eu fui medicado e passava bem. Apesar de toda essa história, o que mais me impressionou foi a manchete da primeira capa: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Participante do BBB está grávida&lt;/span&gt;!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-7526157372563800313?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/7526157372563800313/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=7526157372563800313&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/7526157372563800313'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/7526157372563800313'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2010/08/um-assalto.html' title='Um Assalto'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-4698986461961285196</id><published>2010-07-17T03:11:00.004-03:00</published><updated>2010-09-17T22:23:19.188-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cartas'/><title type='text'>Diário de um Soldado</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_8YiNtmcIMJo/TEFMMh7tCDI/AAAAAAAAALo/A-1mRDXYTB8/s1600/fox-hole.jpg"&gt;&lt;img style="float: right; margin: 0pt 0pt 10px 10px; cursor: pointer; width: 200px; height: 162px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_8YiNtmcIMJo/TEFMMh7tCDI/AAAAAAAAALo/A-1mRDXYTB8/s200/fox-hole.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5494756798519642162" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;É quase hora, meu amor. O trovão anuncia a chuva de chumbo que escurecerá o sol antes de nos lançarmos sob a sombra da morte deste vale. Estas páginas ensebadas, por desprezo ou desgosto, resistem ao lápis rombudo que registra o inexprimível com letras desfocadas. Um diário que não conhece dias neste limbo cinzento situado entre o tempo, a vida e a morte. Aqui, tudo é espera… até que não seja mais. É quase hora, e juntos estamos todos sozinhos nesta nossa terra de ninguém. Nós estamos nas covas. Lá fora, descansam em paz as crianças da guerra, ocultas sob a mortalha da neblina. Como marionetes imóveis dependurados em arames farpados ou amontoados nos maus lençóis de uma cruel isonomia, dormem bravos e covardes, intelectuais e operários, crentes e ateus, heróis e bandidos. É quase hora, e os corvos bicam os olhos que já não serviam mais. Eu vi esses olhos foscos de exaustão eterna, aguardando somente o dilatar das pupilas: janelas abertas da alma que voa embora para a escuridão, cansada de desesperança. Olhamos e olhamos, mas não há nada nesta terra encharcada de sangue e chuva que se pareça com futuro. Só nos resta, então, o presente que nos deram. Aqui, jazemos. Sem glória, sem bandeira, sem lágrimas. É quase hora, e os mortos que ainda vivem se levantam mecanicamente de armas em punho, há muito esquecidos do que teria sido o desespero. Rufam os canhões. Calamos nossas baionetas cegas. Minha mente vazia inunda-se de memórias da tua imagem liquefeita, uma aquarela difusa de tuas maravilhosas insignificâncias cotidianas e dos subestimados prazeres de podar roseiras e alimentar bichos. Silêncio. Lembro-me claramente do teu beijo de boas-vindas que nunca aconteceu, o primeiro depois do último. É hora.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-4698986461961285196?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/4698986461961285196/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=4698986461961285196&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/4698986461961285196'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/4698986461961285196'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2010/07/diario-de-um-soldado.html' title='Diário de um Soldado'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_8YiNtmcIMJo/TEFMMh7tCDI/AAAAAAAAALo/A-1mRDXYTB8/s72-c/fox-hole.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-4805222648613058355</id><published>2010-07-06T05:56:00.002-03:00</published><updated>2010-09-17T22:23:29.685-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Reflexões'/><title type='text'>Celebração</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Aos amigos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A amizade poderia ser dividida em parcelas: tempo, consideração, companheirismo. Quem tem um amigo, porém, há de concordar que essa dívida benéfica é muito mais que a soma de palavras desgastadas. Há algo de místico nos amigos, e isso vem à tona nos momentos alegres, ébrios ou sóbrios, e também nas brigas e bravatas bem dosadas, em que se festeja, sob as luzes da empatia, a feliz coincidência da existência conjunta. A amizade é um parentesco voluntário, um acordo mútuo que se pode desfazer a qualquer tempo sem ônus para as partes — mas que inexplicavelmente não se desfaz. É um estranho magnetismo a que cedem cardeais e marginais, tiranos e insanos, uma união calcada em lágrimas e risos e confidências, não raras vezes mais forte que um laço sangüíneo. Aos amigos, entregamos a chave de nossas culpas e inseguranças, e o que cimenta o muro da amizade não são tijolos de nossas forças conhecidas, mas a ligação perene das fraquezas argilosas reveladas. Enfim, como já se disse, a fortaleza intrigante da amizade não está nos amigos serem amigos por causa de suas características, mas a despeito delas. A isso, celebremos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-4805222648613058355?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/4805222648613058355/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=4805222648613058355&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/4805222648613058355'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/4805222648613058355'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2010/07/celebracao.html' title='Celebração'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-117047383678296321</id><published>2010-06-18T00:08:00.003-03:00</published><updated>2010-09-17T22:22:45.774-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Traduções'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poemas'/><title type='text'>CXXX</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;de William Shakespeare (trad. livre de Heber Costa)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Em nada lembram o sol, os olhos de minha amada;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;E, perto de sua boca, corais são mais avermelhados;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Se a neve é branca, sua pele é só morena, mais nada;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Se cabelos são adornos, os seus são pretos, não dourados.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Já vi rosas vermelhas, brancas, em tom de damasco,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Mas não vejo em sua face nenhum matiz cálido;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;E muitos perfumes trazem mais deleite num frasco&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;que o odor que minha amada exala no seu hálito.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Eu amo ouvi-la falar, mas bem sei eu&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Que a música um som muito mais belo encerra.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Da deusa, nunca vi um único passo seu;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Minha amada, quando anda, põe os pés na terra.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Mesmo assim, ó céus, meu amor é tão encantada&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Quanto qualquer mulher por metáforas inventada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;My mistress' eyes are nothing like the sun;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Coral is far more red than her lips' red; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;If snow be white, why then her breasts are dun; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;If hairs be wires, black wires grow on her head. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;I have seen roses damask'd, red and white, &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;But no such roses see I in her cheeks; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;And in some perfumes is there more delight &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Than in the breath that from my mistress reeks. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;I love to hear her speak, yet well I know &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;That music hath a far more pleasing sound; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;I grant I never saw a goddess go; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;My mistress, when she walks, treads on the ground: &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;And yet, by heaven, I think my love as rare &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;As any she belied with false compare. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Para ouvir a versão original, recitada por Alan Rickman, clique &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=cw6Swr-ME40"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-117047383678296321?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/117047383678296321/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=117047383678296321&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/117047383678296321'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/117047383678296321'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2010/06/cxxx.html' title='CXXX'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-8740087648960853748</id><published>2010-06-05T11:51:00.003-03:00</published><updated>2010-09-17T22:22:56.188-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Lili-fut</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Houve uma vez um homem sábio, um filósofo-cientista, cujo único propósito era descobrir os segredos da natureza e preocupar-se com questões maiores do que a vida cotidiana. Chamava-se Galilóide. Certa ocasião, quando viajava pelos cinco mares (nem todos haviam sido descobertos ainda), sua embarcação perdeu o norte e, sob tormentas devastadoras, sucumbiu. Eis que Galilóide, por um capricho do acaso, foi o único sobrevivente do infortúnio. Quando acordou, estava numa ilha, mas não deserta. Olhavam para ele curiosos nativos. Em uma espécie de diário que mantinha — fonte única deste relato —, Galilóide registrou: “Tinham a cabeça muito pequena, como os pigmeus de Bora-Bora, mas a compleição física era robusta como a de um montanhês do Piamonte”. Dono de habilidades lingüísticas incontestáveis, em poucos minutos de observação o filósofo concluiu que falavam uma espécie de galego ou occitano, línguas em que Galilóide só não era mais fluente porque não lhes dedicou tanta atenção quanto ao toscano. Pôde então descobrir o lugar era chamado de Lili-fut e que, afora atender às necessidades fisiológicas, a ocupação exclusiva desse povo ágrafo era se entreter com um jogo que consistia em propulsionar um objeto redondo, apelidado &lt;span style="font-style: italic;"&gt;balo &lt;/span&gt;— na verdade, fibras de coqueiro enroladas à maneira de uma bobina, mas como meridianos — através do espaço adversário, demarcado por dois troncos na vertical. A princípio, talvez pelo seu espírito científico, o jogo pareceu até interessante a Galilóide. No entanto, após cerca de uma hora e meia, tempo médio da peleja medievalesca, o sábio já estava enfadado. Curiosamente, esse foi o tempo exato que levou para os nativos começarem a perder seu interesse fugaz pelo cientista. Enquanto manteve sua boca fechada, Galilóide pôde estudar livremente a estrutura social dos nativos e percebeu que, enquanto o grosso da população esfolava-se na extração vegetal e atrás do rotundo objeto, as realezas tribais consumiam as melhores guloseimas e deitavam-se com as mulheres mais bem-apessoadas. Humanista que era, o sábio indignou-se com a situação daqueles ignóbeis seres humanos e começou a propagar aos quatro ventos sua constatação: em Lili-fut, o balo era só um engodo. Mas anos de sedentarismo cerebral fizeram com que a debilitada mente dos lilifuteanos falhasse até mesmo em alcançar as não tão complexas elucubrações do filósofo-cientista, e as palavras dele caíram ao vento e foram carregadas pelos pelicanos para longe de suas atenções. Ao que parece, algum vento ou pelicano deixou cair sobre os ouvidos dos príncipes o que o estrangeiro andava apregoando. Na última entrada de seu diário, memórias escritas no cárcere, Galilóide registra que foi instituído um tribunal para julgá-lo pelas calúnias contra a única expressão da cultura nativa — a saber, o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;lili-fut-balo&lt;/span&gt;. E disto não há dúvida: sua sentença foi de morte.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-8740087648960853748?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/8740087648960853748/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=8740087648960853748&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/8740087648960853748'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/8740087648960853748'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2010/06/lili-fut.html' title='Lili-fut'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-4206702792571798362</id><published>2010-05-04T02:52:00.005-03:00</published><updated>2010-05-04T03:00:04.910-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cartas'/><title type='text'>Amor Impuro</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Cada vez que beijava aqueles cabelinhos ingênuos e fechava silenciosamente a porta do quarto, eu levava minhas esperanças mirradas de uma noite bem-sucedida. Deixando teu sono aos cuidados de uma prece corrida, eu seguia os passos do destino sob as bênçãos dos santos que ainda restassem na ala celeste dos piedosos. Não me julgue tão friamente: nem santo nem anjo tomaria meu lugar. Nem por um minuto, porém, minha mente deixou de estar ao teu lado, cobrindo teus medos e consolando teu choro. É que a rua foi minha mãe, e a solidão minha única companheira até que, por um acidente sem nome, tua alma nascesse dentro de mim trazendo uma faísca de vida, um sentido para alimentar meu corpo vazio e viver outro dia. Ao menos isso eu te devia, e pagaria com sangue e sofrimento. Agora que me vou, peço que não tenhas vergonha. Mas também não digas ao mundo da imundície dos que consumiram minhas entranhas nem digas como rompi as finas cordas que seguravam sobre os ares a moral e os bons costumes — inalcançáveis a todos, mas cuja propriedade é reclamada pelos travestidos de pureza. São eles que podem te machucar, plantando palavras que resultam estéreis no arado bruto da sobrevivência: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;honra&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;decência&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;dignidade&lt;/span&gt;. Depois que revelares quem sempre fui, estarás sozinho, à mercê dos imensos braços do abandono. Não o faça. Eles jamais admitirão, mas sabem que, no preto dos quartos, o certo e o errado vestem as mesmas roupas e sujam-se de suor e sêmen, misturando verdades negras e mentiras claras, somente para no outro dia, de camisas brancas bem passadas, beijarem despedidas tenras com suas bocas lascivas antes de seguirem para o trabalho. Nesse &lt;span style="font-style: italic;"&gt;carneval &lt;/span&gt;de corpos em preto-e-branco, todas as noites eu fui arlequina sem máscara, solidão nua no baile dos mascarados. Longe de mim mesma, infinitas vezes assisti à última cena daquela pantomima carnal, em que meu coração humilhado rejeitava — com uma mão pedinte estendida, implorando — cada cédula escarrada por aquele desprezo que poucos minutos antes foi cúmplice no gozo. Era assim até que o dia ameaçasse a noite com revelações, e ela ia embora, levando os covardes na sua fuga. A essa hora, enquanto os sinos badalavam a condenação das seis, eu arrumava o atoalhado surrado e colocava teu prato na mesa bem servida por meu amor impuro, mas verdadeiro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-4206702792571798362?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/4206702792571798362/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=4206702792571798362&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/4206702792571798362'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/4206702792571798362'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2010/05/amor-impuro.html' title='Amor Impuro'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-8706043713246465341</id><published>2010-04-18T20:06:00.003-03:00</published><updated>2010-08-30T09:20:51.212-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>O Menino que Conheceu o Céu</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;“Pai, como faço pra chegar no céu?”, perguntava. “Você não vai querer ir pra lá agora, meu filho”, brincava o pai. Cansado de lógica em vez de respostas de um mundo possível, Miro dependurava as pernas na janela, como num balanço, e deixava o vento empurrá-lo. Certa noite, na hora de dormir, ficou de pé no batente e brincou de abraçar as brisas que dançavam e nisso deu um falso passo. A queda foi brusca, mas qual não foi sua surpresa ao ver que logo parou — muito acima do chão! Aí sentiu-se subir, montado num vento maroto, em direção às nuvens. Percebeu que estava indo para o céu. “Como vou saber quando chegar lá?”, pensou alto. “Quando sentir um cheiro doce. São suspiros de &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;nuvens!”, falou meio sem pensar uma gaivota que observava curiosa aquele estranho pássaro de penugem morena, cabelos enrolados e nariz redondinho. “São sempre três camadas de nuvens: as açucaradas vêm embaixo, são suspiros; depois, as felpudas, com que fazem edredons; lá em cima, os algodões molhados, que espremem chuva”, comentou a gaivota displicentemente. Realmente, foi fácil. E passou rápido! Quando olhou para baixo, as primeiras nuvens já boiavam no mar azul, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;marshmellows&lt;/span&gt; numa sopa de anil, espelhando o céu vaidoso. Cansado de andar, o Sol pulava pra trás das montanhas; e o Horizonte, despedindo-se do amigo de brincadeiras luminosas, chorava (como toda tardinha) um rio que descia pela face da terra, na expectativa de dias melhores no verão. O último raio deu adeus, apagando a luz e fechando a porta celeste. Só aí Miro viu que as estrelas já forravam de sonhos a cama da noite que chegava. Estava intrigado por uma estrela cadente quando ouviu &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;uma voz fanhosa: “Se a noite dorme sem sua coberta de nuvens, uma estrela cai na cama de cada menininho e ele sonha que é astronauta e jogador de futebol num campinho da Lua”, explicou uma velha e sábia cegonha. “Antes que você pergunte, eu não entrego bebezinhos”, disse. “Eu sei que não!”, indignou-se Miro. “Não sou criança! Sei muito bem que os bebês nascem de uma sementinha!”. A cegonha apenas sorriu, dizendo: “Não acha que já passeou muito?”. Puxando Miro pelo braço, levou-o até umas cúmulos-nimbos que choramingavam chuvosas pelos cantos do céu: “Deite aí e cuidado pra não molhar a &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;cama!”. Como todo menino, Miro resistiu por cerca de dois minutos e depois adormeceu &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;profundamente. A cegonha pediu então a uns morcegos-taxistas (que têm ótimo senso de &lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_8YiNtmcIMJo/S8uTTyYJvWI/AAAAAAAAALQ/77y6c5G6D08/s1600/menino_no_ceu2.jpg"&gt;&lt;img style="float: right; margin: 0pt 0pt 10px 10px; cursor: pointer; width: 165px; height: 200px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_8YiNtmcIMJo/S8uTTyYJvWI/AAAAAAAAALQ/77y6c5G6D08/s200/menino_no_ceu2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5461620941266730338" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;direção) que rebocassem a nuvem-cama de volta até sua janela, e ele sonhando luzinhas pelo&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;caminho. Pela manhã, Miro acordou lembrando a noite estrelada que passou: “Como seria bom ter ido ao céu!”. Mas sua mãe, ocupada na eterna tarefa maternal de fazer as coisas que não terminam, entrou no quarto com uma vassoura, varrendo e reclamando alto: “Menino, se você espalhar algodão pelo quarto de novo, apanha, ouviu!?”. Miro apenas &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;sorriu.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-8706043713246465341?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/8706043713246465341/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=8706043713246465341&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/8706043713246465341'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/8706043713246465341'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2010/04/o-menino-que-conheceu-o-ceu.html' title='O Menino que Conheceu o Céu'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_8YiNtmcIMJo/S8uTTyYJvWI/AAAAAAAAALQ/77y6c5G6D08/s72-c/menino_no_ceu2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-8341811579971256880</id><published>2010-04-08T10:51:00.001-03:00</published><updated>2010-04-08T10:53:30.466-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Reflexões'/><title type='text'>Da Morte</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;A morte é um tópico sinistro e impopular, e talvez por isso mesmo algumas pessoas venham a dizer que ela me cai bem enquanto tema. Embora esteja presente desde o início da vida neste planeta, a morte é considerada como algo mórbido, não natural e, por incrível que pareça, até inesperado. Pode ser mais um daqueles casos de coisas que são temidas porque não são entendidas. Bom, obviamente não sou eu quem vai esclarecê-la, até porque ela em si não contém mistérios: eles querem saber o que vem depois. Ocorre que o ser humano é notoriamente relutante em conceber sua finitude concreta e ambicioso nas suas pretensões abstratas. Mesmo aos mais entusiastas da vida, eu diria que a morte, para usar uma expressão tomada de empréstimo, é um grande momento, faz parte de cada vida. Parece um paradoxo, mas não é. Não se pode negar que o fenômeno da morte só é equiparado em magnitude e essência pelo nascimento. Sem a morte como fim, a própria filosofia do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;carpe diem&lt;/span&gt; não faria sentido. Se a vida não tivesse fim, a forma como vivemos não teria a menor importância. A morte é o motor para que façamos as coisas no tempo que não temos, e não no tempo apropriado. Por causa dela é que vivemos enquanto, em vez de quando. Na filosofia de vida moderna, no entanto, é como se a morte não tivesse lugar na vida — embora o tenha de fato e de direito, pois toda história de vida inclui uma história de morte: trágica, reconfortante, inexplicável, melancólica, dolorosa, pacífica ou violenta. Tudo isso, sim. Mas… inesperada?  Como se falar da morte como algo inesperado em se tratando de um ser vivo? Somente estando sob a áurea de uma filosofia que ignora a morte na maior parte do tempo. Fechamos nossos olhos para a quantidade de seres que morrem para que possamos viver — não somente animais, mas microorganismos, plantas e pessoas. Pessoas que morrem lentamente numa mina de carvão, num escritório ou numa cozinha. Todos morremos lentamente no trabalho, na criação dos filhos, no esforço da convivência, no que, curiosamente, chamamos de viver. É apenas uma forma de ver as coisas, mas é essa visão que se tem olhando a vida de trás para frente. Por que olhar assim? Desse ponto de vista, coisas que pareciam importantes não fazem sentido, e outras ganham significação muito maior. Por outro lado, talvez ignorar a morte seja justamente o que possibilita a “vida produtiva” como é entendida hoje. Vale refletir. Enfim, compactuando das dicotomias e oposições tão caras à compreensão humana do mundo, façamos jus: é pela morte que definimos a vida, e vice-versa. Se não soubéssemos o que é morrer, talvez jamais soubéssemos o que é viver.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-8341811579971256880?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/8341811579971256880/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=8341811579971256880&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/8341811579971256880'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/8341811579971256880'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2010/04/da-morte.html' title='Da Morte'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-2236388537732647616</id><published>2010-03-23T23:19:00.002-03:00</published><updated>2010-04-08T10:50:53.476-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Pequenos Deuses</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Uma mãe olha profundamente. Na outra ponta desse olhar, uma criança descansa plácida, como sempre fazia após um dia inteiro de cansativas travessias entre mundos imaginários. A mão da mulher repousa sobre o peito da menininha, eletrificando a ligação mística e ancestral dos animais com seus filhotes. Fecha os olhos e sente o cheiro de lírio do ambiente potencializado pelo lítio que corre nos seus humores. Os cabelinhos viçosos resfolegam energia, saúde e felicidade. A mãe tenta entender como aquele pequeno ser, com todos os seus desmandos e malcriações, faz com que sua vida faça sentido. Que mistério carregam as crianças em sua disposição infinita para a vida? Essa vida que se esfumaça ao passar dos anos, no processo de cauterização do corpo. A velhice, não há dúvida, é o processo de imortalização do humano: a solidificação de suas articulações, ressecamento dos músculos… é transformação do homem em estátua. Depois, essa rocha se desagrega em pedaços cada vez menores até que ele viva para sempre no nível atômico — o pó. Mas a menininha era o oposto disso, suas mãos mínimas tinham o poder de criar castelos enormes de areia ou destruir civilizações inteiras de formigas. Gatos e cachorros estão sempre aturdidos diante da intrepidez infantil, sem reação, tentando compreender a coragem de agarrá-los como a pelúcias inofensivas. Suas pernas são tornados em miniatura na devastação das plantações de margaridas. A criança é mesmo um pequeno deus das coisas da terra. Essa divindade telúrica se despedaça, porém, diante da água: o elemento vital desbarata seus poderes, manipulando-a qual peão inerte nos dedos ágeis das ondas, nos braços fortes das correntezas. Para esses pequenos deuses, a água é a morte. Enquanto pensava nisso, a mãe sente um suave toque no ombro. Era hora de ir. Sem derramar uma lágrima, num ressequido protesto contra os mares do mundo, ela se debruça sobre aquele pequeno corpo para dar-lhe seu derradeiro e mais tenro beijo de boa-noite.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-2236388537732647616?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/2236388537732647616/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=2236388537732647616&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/2236388537732647616'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/2236388537732647616'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2010/03/pequenos-deuses.html' title='Pequenos Deuses'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-9211286656513658594</id><published>2010-03-02T12:50:00.004-03:00</published><updated>2010-04-08T10:50:35.466-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Traduções'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poemas'/><title type='text'>Um aviador irlandês antevê sua morte</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;William Butler Yeats (1865-1939) [Tradução: Heber Costa]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Sei que encontrarei meu destino&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Por entre nuvens, em lugar incerto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Aqueles que defendo, não estimo;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Aqueles que combato, não detesto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Minha pátria é Kiltartan Cross*,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Seu pobre, meu compatriota; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Desfecho algum lhe será atroz&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Ou trará felicidade digna de nota.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Nem dever nem lei me fizeram combater&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Nem políticos, nem multidão clamorosa,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Foi apenas um solitário impulso de prazer&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Que me levou às nuvens em polvorosa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Tenho em mente tudo isto ponderado:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O tempo porvir é fôlego desperdiçado à sorte,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;E desperdício também o tempo passado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Então, no equilíbrio desta vida, esta morte.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-family:trebuchet ms;" &gt;An Irish airman foresees his death&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;I know that I shall meet my fate   &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Somewhere among the clouds above;   &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Those that I fight I do not hate   &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Those that I guard I do not love;   &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;My country is Kiltartan Cross,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;My countrymen Kiltartan’s poor,   &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;No likely end could bring them loss   &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Or leave them happier than before.   &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Nor law, nor duty bade me fight,   &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Nor public man, nor cheering crowds,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A lonely impulse of delight   &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Drove to this tumult in the clouds;   &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;I balanced all, brought all to mind,   &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;The years to come seemed waste of breath,   &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A waste of breath the years behind&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;In balance with this life, this death.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;* Local histórico em Kiltartan (Cenél Áeda na hEchtge, em gaélico), oeste da Irlanda, onde viveu Yeats, que tomou parte no resgate da cultura celta.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-9211286656513658594?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/9211286656513658594/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=9211286656513658594&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/9211286656513658594'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/9211286656513658594'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2010/03/um-aviador-irlandes-anteve-sua-morte.html' title='Um aviador irlandês antevê sua morte'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-5402293469152006210</id><published>2010-02-10T16:28:00.001-03:00</published><updated>2010-04-08T10:50:53.477-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>O Dia das Trevas</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_8YiNtmcIMJo/S3MMaXMb15I/AAAAAAAAAK0/pMnyc4wcYmQ/s1600-h/rasta-eerie-black-kid.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 141px; height: 200px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_8YiNtmcIMJo/S3MMaXMb15I/AAAAAAAAAK0/pMnyc4wcYmQ/s200/rasta-eerie-black-kid.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5436702822208624530" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Lembro que vivíamos numa casa velha e, embora fosse o mundo para mim, era reconhecidamente humilde e pequena até para os padrões já baixos do bairro pobre em que morávamos. Alheio a tudo, eu não via que minha mãe, com a garganta presa pelo nó do silêncio, sofria um sentimento mudo de solidão. Seu sorriso era raro e só se abria quando raios do sol entravam em prisma pela janela e caíam coloridos sobre mim, contrastando com a pele negra, que reluzia seu brilho fascinante e esquecido. Enternecida pela sua solitária condição não apenas de mãe, mas de mulher, ela me abraçava; eu, sem entender, apenas me sentia mais protegido. Somente outra coisa a fazia sorrir: a chegada daquele homem. Era um homem branco e alto, com cheiro forte de riqueza. Entrava em casa com estirpe de dono, passava diretamente pela sala e conduzia minha mãe para o quarto. Ignorado e ignorando, eu brincava com meus caubóis de plástico no velho oeste daquele chão poeirento e na savana do carpete sujo. Com o cair da tarde, o abandono do sol e o desinteresse das brincadeiras, pesava sobre mim um sentimento estranho, uma miséria que brotava das minhas roupas desbotadas e entrava pelos poros, virando outra miséria, mais profunda. Era como uma febre que anunciava sua chegada, uma moleza de espírito, um arrependimento de algo que não fiz. Por isso, eu temia aquele homem: era o dia em que as luzes tardavam em se acender. Toda semana, era o Dia das Trevas. Na penumbra, eu divisava vultos ameaçadores — alguns eram ratos; outros, tenho certeza, demônios. O desespero endurecia minhas pernas. Nada podia fazer. Sem ter ao que me agarrar, deixava correrem as silenciosas lágrimas do medo, salgadas de abandono. Quando já tinha passado o limite do insuportável, entre a vida e o pesadelo, as luzes se acendiam e o homem ia embora. Minha mãe vinha até mim, coberta num véu de culpa, e tentava me consolar com biscoitos amanteigados. Enquanto eu mordiscava, ela novamente dava à luz aquelas palavras bastardas: “Papai não pode ficar. Ele tem outra família, meu filho”. Palavras refletidas num espelho distorcido, mais para si própria do que para mim. Só anos depois, compreendi o que significavam quase todos aqueles vocábulos que não eram filhos da boca com o coração. Exceto aquele que sempre me foi estranho: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;papai.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="display: block; font-style: italic;" id="formatbar_Buttons"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; &lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-5402293469152006210?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/5402293469152006210/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=5402293469152006210&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/5402293469152006210'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/5402293469152006210'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2010/02/o-dia-das-trevas.html' title='O Dia das Trevas'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_8YiNtmcIMJo/S3MMaXMb15I/AAAAAAAAAK0/pMnyc4wcYmQ/s72-c/rasta-eerie-black-kid.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-2063647184462766411</id><published>2010-01-30T00:28:00.000-03:00</published><updated>2010-04-08T10:50:53.477-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Beraldo (ou Contra o Romantismo)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;font-size:100%;" &gt;Abelardo era um desses velhos que parecem com todos os velhos: lento, baixo e magro, quase franzino, isso mesmo, de pele franzindo eternamente a testa com um abuso do mundo de hoje. Reclamava das mesmas coisas, de como fazia frio num calorão, que a televisão estava sempre baixa nesse volume máximo. Enfim, era um idoso feliz e resmungão, ou seja, comum. Mas ele tinha alguma coisa de especial… mentira, não tinha nada. Era comum mesmo. Seria mais fácil contar essa história se ele fosse um ex-astronauta, lutador de boxe aposentado, mas ele não era. A vida toda foi coveiro. Não, ele não tinha histórias de fantasma pra contar. Em 45 anos de profissão, nunca ouviu um uivo estranho nem viu vulto dando volta no cemitério. Fazer o quê. Seus olhos não brilhavam de uma juventude incendiária, e seu espírito não era de criança. A saúde também não era lá essas coisas: uma tosse escapava aqui, uma dor nas costas acolá. Não namorou muito quando jovem, aliás não era muito bonito… nem feio. Com isso, nunca teve fama de garanhão quando garoto, e já havia uns bons (ou maus) quinze anos que não sabia nada de sexo. Beraldo, como o chamavam, trocando as letras, não tinha filhos. Só um gato caolho, apelidado Tirano. Beraldo, meus caros, era isso mesmo: uma coleção de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;nãos&lt;/span&gt;. Mas houve um dia, há muito tempo, ele ganhou um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;sim &lt;/span&gt;que coloriu seus &lt;span style="font-style: italic;"&gt;nãos&lt;/span&gt;. Lenira. Um amor manso, que andava de mãos dadas pelo parque e comia bolinhos de sossego assistindo TV. Para ela, Beraldo boxeou contra Ali num ringue em plena lua (e ganhou!). Divertia-a com os causos de cemitério que contava, repetidamente, nos jantares sem luz de velas, sem rosas — cozido de carne com legumes era seu favorito. Suas pequenas mentiras ingênuas que lhe pescavam sorrisos, seus braços fracos que trabalhavam forte, seus olhos silenciosos: Beraldo não era especial, mas Lenira o amou por toda a vida. E a vida, leitores, não é um mero romance.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-2063647184462766411?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/2063647184462766411/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=2063647184462766411&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/2063647184462766411'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/2063647184462766411'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2010/01/beraldo-ou-contra-o-romantismo.html' title='Beraldo (ou Contra o Romantismo)'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-1743205909722221834</id><published>2010-01-14T03:06:00.002-03:00</published><updated>2010-04-08T10:51:08.847-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Reflexões'/><title type='text'>Átomo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://i.imagehost.org/0312/why-so-alone.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 200px; height: 212px;" src="http://i.imagehost.org/0312/why-so-alone.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Às vezes, quando deito à noite, recebo uma visita furtiva. É uma solidão errante que passava na minha porta e decidiu entrar. Uma urticária que uiva muda, moendo amiúde minha vontade de ser. Em noites como esta, com pesadelos de solidão acordada, acabo sempre vomitando preto num papel — não por vaidade, mas por uma agonia de dormir. Descobrir que se está, na verdade, sozinho é como estar exilado de todos, expatriado dos seus, como morar longe de si. No diametralmente oposto ao divino, estou eu — última instância do mundo. O quarto é só a cela oca, prisão e celeiro de pensamentos que turbilham afogadiços, em ondas acéfalas de consciência. Suas águas turbas se curvam sobre mim, e as engulo num soluço seco: é a revelação última de que, para além das moléculas de pessoas, há apenas eu, átomo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-1743205909722221834?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/1743205909722221834/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=1743205909722221834&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/1743205909722221834'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/1743205909722221834'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2010/01/atomo.html' title='Átomo'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-2611323206926212075</id><published>2009-12-14T14:02:00.002-03:00</published><updated>2010-01-02T14:06:36.640-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>Retrovisor</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Nada mais curioso que o retrovisor. Parado num sinal, lanço o olhar automático que todo motorista conhece ao espelho central e sempre me aparece ali uma história, uma cena ou, pelo menos, um esquete. De dentro da nossa bolha automotiva, é o buraco da fechadura na porta do mundo. Quase sempre a cena é de algum tipo de asseio diário. A privacidade de um carro é como a intimidade de um banheiro. Sinal fechado, é hora de checar as auto-peças: olhar os pêlos do nariz, procurar aquele incômodo no dente, limpar o ouvido, antes de seguir pra vida. Mas nem só do cotidiano indiscreto vive o retrovisor. Nele estão guardadas acaloradas discussões marido-mulher, amigos semibêbados, taxistas entediados. Quando meu rádio está ligado, muitas vezes um casal de namorados, emoldurados pela voz de mogno de Elvis com cantos em bronze de Sinatra, beijam seu mais tenro e oportuno beijo. Se escuto o noticiário, o retrovisor é como uma TV estrangeira, com uma dublagem estranha das conversas do carro de trás. Melhor ainda são as crianças: sempre tramando alguma trela no banco traseiro, enfiando sua curiosidade em todas as bolsas e papéis que lhes fazem companhia. Às vezes, um cachorrinho maroto, de cara no vidro, tenta entender o show de luzes e cores das pessoas que não se importam. Estou vagando nessas divagações quando brilha o verde e meus olhos displicentes e autômatos deixam para trás a janela da vida inteira.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-2611323206926212075?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/2611323206926212075/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=2611323206926212075&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/2611323206926212075'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/2611323206926212075'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2009/12/retrovisor.html' title='Retrovisor'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-1685608063371592687</id><published>2009-12-04T23:45:00.003-03:00</published><updated>2009-12-14T14:05:31.405-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cartas'/><title type='text'>Delírios amorosos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Te vi pela primeira vez num verão vil em teus olhos primaveris. Era só uma tarde suja de um dia torto, mas tudo ficava certo nas órbitas precisas de teus olhos, circundando firmes minhas intenções. Teus cabelos ondulavam lavados por longas lágrimas antigas, longas línguas sofridas, lambuzando teus lábios de vento, corda que me enforcava a cada centímetro. Se só uma vez eu fosse maior que teus desejos, que teus olhos, fugiria às tuas inocências tristes e teus olhos pedintes. Mas não fui, nem sou. Sou apenas uma alma triste, um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;soul &lt;/span&gt;cheio de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;blues&lt;/span&gt;. Sou dependente químico de tua sinceridade inebriante — um vício que até hoje me oxigena e me assola, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;solamente &lt;/span&gt;hoje. Um beijo roubado foi crime, delito e cadeia de minhas prisões, pressões que me prenderam. E a epiderme de meus maiores medos descama, descamba louca nas águas que derramaste de meu âmago, teu amado amigo, macabro vidro que te refrata, que contém o que contam a cada nova história, a cada novo dia, a cada nova vez que te tenho nos meus quadros, pintura rústica de tempos que nunca foram.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-1685608063371592687?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/1685608063371592687/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=1685608063371592687&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/1685608063371592687'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/1685608063371592687'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2009/12/delirios-amorosos.html' title='Delírios amorosos'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-8509421479259730936</id><published>2009-11-14T00:28:00.002-03:00</published><updated>2009-12-14T14:05:37.781-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Reflexões'/><title type='text'>Sinais celestes</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;Onde estás? Onde? Dizem que está nas flores, nos homens, nos gatos... mas não te vejo. Recebi tuas ordens, um memorando, testamento antigo de herança deixada de um pecado indelével. Estou aqui, chorando, e gostaria de saber se devo parar tudo, se devo voltar do “ide e pregai”? Vejo uma razão que tudo explica, tudo vê, tudo ouve, uma ciência onisciente e um Deus imóvel, imaculado, de mãos atadas pela teoria das cordas e buracos negros. Só um pouco de tua clareza para incendiar minha escuridão, porque estou cansado e preciso ver algo. Não precisa ser um arbusto flamejante de uma fé patriarcal, preciso só de um sinal: qualquer coisa que baste a um coração despreparado. Se me fosse dada ao menos uma de tuas faces — nem precisa ser a outra —, me recobriria do teu manto de bênçãos. É triste quando a bênção maior de uma alma é pensar que na ponta de uma corda reside a porta de universo sem deuses. Mas quando será? Pode ser hoje ou no dia de talvez. Que me chames alto e digas meus pecados, que não sou digno. Talvez eu esteja querendo um casamento do céu com o inferno, da mais divina e pura paixão mundana, do mais profano sacramento com a mais santificada heresia. Não escreverei nem mais um verso até que me digas que devo seguir. Isso é só porque não te sinto mais. Estou acuado, estou sob um holofote celeste, focalizado pelas estrelas, testemunhas que me acusam e apontam cada passo mal dado. Cansei de ser semente. Deixa-me crescer planta e ver um sol de redenção, que seja amor e gentileza, chuva após a seca. Basta de exigências deste corpo que não pode mais. Se hás de ceifar-me porque fraco, que comece a colheita.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Inspirado em &lt;a style="font-style: italic;" href="http://www.youtube.com/watch?v=hy6ZNIhgAGQ"&gt;Anything&lt;/a&gt; e &lt;a style="font-style: italic;" href="http://www.youtube.com/watch?v=IIkpd_CEyak"&gt;The Lines of My Earth&lt;/a&gt;, do Sixpence None The Richer.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-8509421479259730936?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/8509421479259730936/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=8509421479259730936&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/8509421479259730936'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/8509421479259730936'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2009/11/losing-my-religion.html' title='Sinais celestes'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-8505658137716927468</id><published>2009-10-21T12:13:00.001-03:00</published><updated>2009-12-14T14:05:43.397-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>O Beijo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Sentiu uma dormência que despertou seus lábios e fechou seus olhos. Era mais do que um gesto, era uma força. Gravidade irresistível unindo bocas em redor das quais orbitavam cabeças numa coreografia que nunca fora ensaiada, mas tinha a harmonia das danças do vento com as árvores. E quando dedos escalaram até a nuca, arrepios apressados percorreram a pele indo a lugar nenhum levar uma mensagem que não fazia sentido, apenas sensação. Um suor embebido num sentimento sufocante encheu de vida as linhas da mão, e se uma vidente ousasse interromper diria que era uma névoa difusa, mas tão cheia de novidade que só podia ser o presságio passageiro de um futuro mágico. Uma tempestade elétrica se criou, eriçando cabelos e mamilos, e o relâmpago que se seguiu cristalizou na mente um instante que nunca mais se repetiria. Não tinha passado nem futuro: era uma fotografia, é sempre presente. Naquele presente que não passou, naquele exato momento, a brisa descansou de seu eterno despetalar das margaridas. O rio parou diante de um segundo estático como a pedra do silêncio, um divisor de mágoas entre duas vidas. A natureza fez uma reverência calada, um minuto de ciência. No centro daquele turbilhão de cheiros vivos e cores turvas, ele apenas era. Não sabia se era a primeira, a milésima ou a última vez. Não importava: aquele era o beijo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-8505658137716927468?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/8505658137716927468/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=8505658137716927468&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/8505658137716927468'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/8505658137716927468'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2009/10/o-beijo.html' title='O Beijo'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-8212531325914928502</id><published>2009-10-06T14:40:00.001-03:00</published><updated>2009-12-14T14:05:49.087-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Reflexões'/><title type='text'>Sobre textos alegres</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;É difícil encontrar um poeta que escreva bem versos alegres. E isto é o mais próximo que consigo de escrever um texto inspirado na alegria. Ela é um sentimento auto-suficiente, que se expressa somente através de sorrisos involuntários, brisas carinhosas e flores pacíficas. A tristeza é que exige mais, exige pensar, dizer, compreender. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Estar triste &lt;/span&gt;geralmente é sinônimo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ponderar&lt;/span&gt; — mesmo que seja sobre a mesma coisa várias e várias vezes. Se houvesse apenas alegria, talvez não existissem poemas, contos, romances. Não haveria tempo pra isso. Estar alegre exige apenas aproveitar instantes infinitos de uma inexplicável e inexprimível vontade de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ser&lt;/span&gt; sem &lt;span style="font-style: italic;"&gt;dizer&lt;/span&gt;. Imagens poéticas, por mais belas e agradáveis que sejam, estão embebidas numa melancolia profunda, encravadas na utopia de um mundo bom. É maravilhoso que esse mundo bom exista, mesmo que se apague com o ponto final de um texto.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-8212531325914928502?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/8212531325914928502/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=8212531325914928502&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/8212531325914928502'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/8212531325914928502'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2009/10/sobre-textos-alegres.html' title='Sobre textos alegres'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-4011774897534745129</id><published>2009-09-19T23:30:00.002-03:00</published><updated>2009-10-03T14:04:07.214-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>O Dia de São Valentim</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Neste leito frio e passageiro que corre inevitável para o mar onde os males se esquecem, deitei o barco de minhas esperanças e não mais o vi. Por seus olhos, discurso, espada fui mortalmente trespassada, e meu primeiro rubro amor dormiu em lençóis de realeza. Oh, minha doce, doce ingenuidade! Foste sacrifício abraaônico, carneiro imaculado que tomou lugar de um amor sem bênção. Meu príncipe de perfume gentil, hoje me sopra somente um desprezo inodoro. Prometeu-me a primeira flor da primavera, prazeres sem palavras; mas nos campos encontrei só pétalas apáticas de um amor que mal-me-quer. Oh, amor infeliz, cuja semente pousou em terra estéril somente para ser sufocado pela loucura daninha. Ele se foi, se foi e não mais voltou. Só me resta segui-lo pela estrada cristalina que começa no poente e finda no mar sem fim. E as ervas e flores malditas serão a coroa bastarda do meu reino de um só dia — pois deitei-me e fui para sempre rainha no dia de São Valentim.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-4011774897534745129?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/4011774897534745129/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=4011774897534745129&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/4011774897534745129'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/4011774897534745129'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2009/09/o-dia-de-sao-valentim.html' title='O Dia de São Valentim'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-1113443760523380441</id><published>2009-09-14T23:20:00.001-03:00</published><updated>2009-09-14T23:22:16.437-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Reflexões'/><title type='text'>A Não-Perspectiva</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"  &gt;Se os limites do corpo humano fossem fronteiras que tolhem também a alma, não desejaríamos mais do que querem os cães e os coelhos. O espírito humano é feito de matéria etérea inquebrável, forjado na chama da vontade e resfriado no poço da razão. Do fundo de sua pequenez, o homem dobra a natureza contra ela mesma: no calor, usa a água; no frio, usa o fogo. Embora tenha arroubos de grandiosidade e demonstre sua força, na maior parte do tempo a Terra se curva aos desejos do mamífero sem pêlos. Não importa quão miserável a situação, o humano subsistirá como puder. Mas qual a fraqueza desse ser tão poderoso? A resposta é uma tautologia: a fraqueza do homem é o homem. Não é o homem contra o homem, e sim o homem contra si mesmo. O &lt;span style="font-style: italic;"&gt;homo sapiens sapiens &lt;/span&gt;só sobrevive enquanto enxerga um futuro — capacidade que foi concedida a ele apenas. Isso é o que explica o fato de que homens e mulheres torturados, famintos, derrotados possam nascer vivos num novo dia. Do mesmo modo, por antítese, explica porque pessoas saudáveis, ricas, vencedoras acabam desistindo da vida e tomando a amarga pílula que sai do cano de uma arma. Ante a perspectiva de um não-futuro, valores e princípios acabam jogados ao vento, amores são desfeitos, riquezas são desperdiçadas, vidas tomam rumos inesperados. Enfim, não importa quão fundo seja o poço: o veneno do homem não é a desgraça, é a não-perspectiva.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-1113443760523380441?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/1113443760523380441/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=1113443760523380441&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/1113443760523380441'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/1113443760523380441'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2009/09/nao-perspectiva.html' title='A Não-Perspectiva'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-4164082298565443937</id><published>2009-08-28T12:25:00.001-03:00</published><updated>2010-10-28T22:35:06.618-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Traduções'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poemas'/><title type='text'>Aquele que Dorme no Vale</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms; font-weight: bold;"&gt;Arthur Rimbaud (tradução livre de Heber Costa)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;É num estreito verdejante em que canta um rio,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Decorado com arbustos em farrapos prateados; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Que, sobre montes altivos, brilha o sol alfario:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Um pequeno vale onde caem raios espumados.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Um jovem soldado, de boca aberta, sem chapéu,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;E a nuca apoiada em frescas azaléias azuladas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Dorme, deitado na relva, sob o manto do céu,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Plácido, num leito verde com gotas iluminadas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Com os pés nos lírios-espada, dorme, brando.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Sorrindo como uma criança doente delirando.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;“Natureza, aquece-o, pois frio tem feito.”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Suas narinas estão indiferentes a qualquer perfume;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Ele dorme ao sol, tranqüilo, qual espada sem gume,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;E com dois buracos vermelhos no peito.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Original:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms; font-weight: bold;"&gt;Le Dormeur du Val&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;C’est un trou de verdure où chante une rivière,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Accrochant follement aux herbes des haillons&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;D’argent ; où le soleil, de la montagne fière,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Luit : c'est un petit val qui mousse de rayons.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Un soldat jeune, bouche ouverte, tête nue,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Et la nuque baignant dans le frais cresson bleu,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Dort ; il est étendu dans l'herbe, sous la nue,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Pâle dans son lit vert où la lumière pleut.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Les pieds dans les glaïeuls, il dort. Souriant comme&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Sourirait un enfant malade, il fait un somme :&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Nature, berce-le chaudement : il a froid.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Les parfums ne font pas frissonner sa narine ;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Il dort dans le soleil, la main sur sa poitrine,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Tranquille. Il a deux trous rouges au côté droit.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:130%;" &gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Em homenagem ao Dia do Soldado, 25 de agosto.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-4164082298565443937?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/4164082298565443937/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=4164082298565443937&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/4164082298565443937'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/4164082298565443937'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2009/08/aquele-que-dorme-no-vale_28.html' title='Aquele que Dorme no Vale'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-193426500326561</id><published>2009-08-20T20:53:00.000-03:00</published><updated>2009-08-28T11:12:36.035-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Terra Arrasada</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;3 da manhã. O relógio era só o marca-passo da minha insônia, e eu enfartava a cada tique. Queria que ela voltasse. Há um ano estava longe — e se afastava cada vez mais. A distância que nos separava era ligada apenas por uma ponte de olhares cruzados na mesa do jantar, balançando insegura sobre um abismo de silêncio. A saudade de quando &lt;span style="font-style: italic;"&gt;eu e ela&lt;/span&gt; éramos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;nós&lt;/span&gt; pesava sob meu travesseiro como uma arma carregada de uma esperança de chumbo. Restava dar um tiro no escuro. Mas eu apenas olhava fixamente o teto, projetando cenas em preto-e-branco do filme cego da felicidade, memórias que se esqueciam de mim a cada dia, indo embora sem se despedir. Era assim que passava o trem das noites em direção ao túnel que não tinha fim — muito menos luz. Isso não podia continuar. Olhei. Uma indiferença bela e imóvel dormia ao meu lado. Num último impulso, minha mão minha fez uma jornada para o velho oeste de nossa cama, passou pela fronteira e tocou algo frio. “Que foi?”. “Nada”, eu disse. De costas, seu corpo era alheio, estranho, uma lápide sem palavras que marcava nossa vala comum. Enterrado até o pescoço, olhei conformado a esperança ir embora pela porta que o amor deixara aberta. Na janela, o sol nascia pela última vez sobre essa terra arrasada pela praga do tempo. Restou só um deserto — e dois estrangeiros numa terra de ninguém.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-193426500326561?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/193426500326561/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=193426500326561&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/193426500326561'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/193426500326561'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2009/08/terra-arrasada.html' title='Terra Arrasada'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-6923083710452594856</id><published>2009-08-05T21:42:00.003-03:00</published><updated>2009-08-06T01:13:46.337-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cartas'/><title type='text'>Desamor</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://thearchitrouve.com/blog/blog/imagery/ChiRep/LukaszukChiRep15.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 187px; height: 224px;" src="http://thearchitrouve.com/blog/blog/imagery/ChiRep/LukaszukChiRep15.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Do alto da tua torre de cal e giz, um sólido apartamento de três quartos, observo os carros quilômetros abaixo: glóbulos brancos e cinzas que pulsam no corpo da cidade morta. Aqui o conto-de-fadas desencantou. Meu pesadelo… caindo, caindo, da tua janela, e tu não jogas tuas tranças nem me acordas com teu beijo. Um vento frio me leva para o inferno lambendo lascivamente meus cabelos e regelando meu hálito, antes cálido de teu sopro. Foi tu quem me empurraste, eu sei. Liberto das tuas masmorras, eu morro. Súbito, sou só eu e um nada que nunca termina de cair sobre mim. Vejo teus braços estendidos, cristalizados numa pose que pode ser um querer alcançar e um querer largar. Ambígua, como tu fostes todavida. Essa fotografia de tua alma não tem aura, nem brilho estranho. Apenas um negrume preto-e-branco que sai dos meus olhos desiludidos. Enquanto caio, observo os que voam, sustentados em asas invisíveis, plumadas de sonhos macios. Lanço-lhes uma maldição, desgraçados. Se ao menos eu parasse de cair, se uma corda me laçasse — nem que pelo pescoço —, eu deixaria de sentir. Mas nada muda, teu sapato nunca foi de cristal. Era apenas um vidro sujo que embaçou meus medos e embalou minhas paixões mais insensatas, como sempre serão as paixões. Enfim, tua voz me chama e me diz: “Melhor você ir embora agora”. Portas descem e elevadores se abrem lentamente. Antes a morte súdita, súdita da minha vontade. Mas não. É só isso. Nada de drama. As luzes não se apagam, e a cortina não desce. Sou só eu, nu, num palco frio, humilhado, exposto à pena e ao desprezo do meu único público: teu desamor.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-6923083710452594856?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/6923083710452594856/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=6923083710452594856&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/6923083710452594856'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/6923083710452594856'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2009/08/desamor.html' title='Desamor'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-5523856483648248072</id><published>2009-07-24T10:53:00.003-03:00</published><updated>2009-08-06T01:13:31.731-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Reflexões'/><title type='text'>Os que vão e os que ficam</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A amizade é uma coisa realmente estranha: a paixão pode destruí-la, as provações a tornam maior, a distância absolutamente não lhe faz diferença. Se fosse reduzi-la a uma definição, eu diria que é a capacidade de não mais sentir desconforto ao lado de alguém. Toda relação humana começa com o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;desconforto&lt;/span&gt; — esse é o nome daquela música estranha que nos obriga a seguir certos passos enquanto dançamos, mascarados, no baile das convenções sociais. Tem sido assim desde que as mesuras das cortes monárquicas foram abolidas: dançamos instintivamente agora. O desconforto nos obriga a falar, dizer nada só para dizer alguma coisa. Cantamos em tom mais alto que o nosso, num falsete caprichado. Quando a amizade chega, tiramos as máscaras, relaxamos o corpo, deixamos cair o falsete para recuperar nossa voz. Se fosse falar dos três aspectos acima, eu diria que a paixão é sua inimiga — não passa de idéias cristalizadas, servas da vontade, disfarçadas sob o manto de princípios e valores. A paixão religiosa, política, esportiva ou amorosa… Essas podem fazer tombar uma amizade. Já as provações, estas são suas aliadas. Nem vou me demorar nisso, pois é um lugar-comum dizer que as dificuldades dão à amizade uma solidez maior. A distância, por fim, pouco lhe importa. Não faz diferença se São Paulo, Manaus ou Ipswich. Nada vai mudar o conforto que uma amizade traz. O conforto é um silêncio que se aconchegou bem e agora dorme despreocupado. Mas é um silêncio conhecido, familiar, filho da confiança com o tempo. Essa é a dádiva da amizade: neste mundo de palavras, os amigos são as únicas pessoas com quem podemos estar verdadeiramente em silêncio.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-5523856483648248072?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/5523856483648248072/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=5523856483648248072&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/5523856483648248072'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/5523856483648248072'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2009/07/os-que-vao-e-os-que-ficam.html' title='Os que vão e os que ficam'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-4529578879152688766</id><published>2009-07-12T21:32:00.004-03:00</published><updated>2009-07-14T19:12:46.797-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cartas'/><title type='text'>Palavras, Palavras</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Palavras, palavras… Elas imploram aos pés de meus ouvidos, tentando desesperadamente não cair no fundo do esquecimento que se precipitou dos teus equívocos. Elas não têm para onde ir: ficam rondando minha desvontade, querendo derrubar-lhe o prefixo. Quando menina, já dei tanto ouvidos àquelas mesmas palavras açucaradas que terminavam sempre com o amargo de um beijo de despedida. Pior despedida é mesmo aquela que nunca foi anunciada. É o beijo rotineiro que se distraiu, leviano, e sem saber que era o último, não olhou para trás. No dia seguinte, a boca estará seca, ardendo com a tristeza salgada que saltou aos olhos durante a noite. São essas mesmas palavras que se tornam sal ao cair nos ouvidos, as que foram prostituídas por interesse... isso mesmo, palavras-mentiras. Lavradas em tiras, finos cortes no coração. E essas rosas mentirosas, emoldurando as  palavras &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;desgastadas &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;que me dizem &lt;span style="font-style: italic;"&gt;bela&lt;/span&gt;, pode dá-las a outra, alguma que ache gosto no mel viscoso que une cada uma dessas letras desgostadas. Palavras frágeis e fáceis como uma brisa, esvoaçantes. Sei que virão pousar nos meus ouvidos, sibilando sílabas surdas e soprando sonoras, mas nunca mais deitarão no meu peito. São palavras soltas que tu semeias ao vento, mas não colherás nada do meu coração de ventania.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Inspirado em &lt;a style="font-style: italic; font-weight: bold;" href="http://www.youtube.com/watch?v=xdRElky_9-I"&gt;Paroles, Paroles&lt;/a&gt;, de Dalida &amp;amp; Alain Delon.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-4529578879152688766?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/4529578879152688766/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=4529578879152688766&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/4529578879152688766'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/4529578879152688766'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2009/07/palavras-palavras.html' title='Palavras, Palavras'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-4245815807703164272</id><published>2009-07-01T21:22:00.001-03:00</published><updated>2009-07-01T21:29:33.148-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>A Culpa</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Durante os dias, perambulava abatido, com a batina lhe pesando negra sobre os pensamentos. Embora ela não contasse mais de treze primaveras nas contas do rosário, queria conhecê-la numa noite infinita, sem céu nem inferno. O ministério sucumbia cada vez mais aos mistérios que o atormentavam. Ela tinha um rubor perverso nos lábios, mesmo entoando canções sacras. Sem conseguir olhar diretamente as janelas de sua alma simples instaladas no seu rosto, adivinhava suas formas sob o vestido, seios firmes e quadril sinuoso. Por mais de uma vez, teve oportunidade de lhe propor sua vergonha, mas a culpa puxava as rédeas de seu colarinho branco, sem mácula visível, e sufocava palavras proibidas: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;bunda&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;peito&lt;/span&gt;,&lt;span style="font-style: italic;"&gt; sexo&lt;/span&gt;. Precisava absolver-se, achar um dono para sua culpa. Livrar-se dessa santidade leprosa que o deixava intocável. Ela era a dona do seu pecado, a própria culpa. Sim, sim. Sua indiferença coberta de pudor era apenas o disfarce de uma Vênus febril, ele tinha certeza agora. Seus olhares despropositados, sua roupa discreta e folgada, seu jeito comportado... sim, era tudo uma provocação. Não era culpa dele. Convenceu-se. Na quinta, após o discipulado, do alto de sua autoridade chamou-a para exortá-la. Era sua obrigação divina. Cobrindo-a de maldições infernais, desabotoou-a de sua religião e despiu-se de sua reverência. Toda punição era pouco, mas ele haveria de ser brando em nome da misericórdia. Sem entender, ela angustiava-se ante o paradoxo de sentir nojo de seguir a orientação “divina”, a obra que lhe renderia sua própria salvação. Ao fim, sua alma confusa não se sentia redimida. O medo de um inferno era grande, mas a verdade lhe gritou tão desesperada para que abrisse seus olhos, que ela sentiu algo errado e tentou fugir. Com o dobro de sua força e um terço nas mãos, ele a agarrou. O terço estrangulava aquela trombeta que ia anunciar sua condenação. Era a extrema unção de seu pecado. Restava achar uma pá e enterrar não a sua culpa, mas a dela.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-4245815807703164272?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/4245815807703164272/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=4245815807703164272&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/4245815807703164272'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/4245815807703164272'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2009/07/culpa.html' title='A Culpa'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-1631672892651103790</id><published>2009-06-22T12:26:00.002-03:00</published><updated>2009-07-10T19:25:01.832-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>O Estranho</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Depois de tantos anos, achei que já sabia. Num mundo que fazia sentido, as previsões do tempo estavam sempre certas. Achei que podia ler a mímica das nuvens, a língua de sinais de um céu que não tinha mistérios. Não via que a sombra estava sobre mim, e eu sonhambulando. Talvez eu tenha visto, mas pensei que havia amor suficiente em mim para conversar com sua mudez. Metida num silêncio escuro, você mente: “vamos superar isso”. Então, provei seus amigos, seus gostos, suas músicas, mas — por excesso de peso ou desprezo — não caíam bem: sufocavam meu pescoço ou apertavam meus braços, justas demais. Mesmo acertando em todos os presentes de aniversário, nunca soube o que você queria. Achei mesmo que podia prever a chuva nos seus olhos nublados. Quando o tempo esfriou e você não voltou pra casa, coloquei as gotas de nossa tempestade num copo vazio. Agora eu via que não era transparente, mas era com certeza insípida. Quando eu vou aprender a distinguir as nuvens dos sinais de fumaça? Enquanto tentava entender, me tornei um estrangeiro num mundo do qual nunca fiz parte — a não ser em todas as vezes que interpretei, com maestria, o papel do estranho que estava sempre ao seu lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Inspirado na letra da música &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=rRQmsnMPuYM"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Strange&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, de Tori Amos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-1631672892651103790?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/1631672892651103790/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=1631672892651103790&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/1631672892651103790'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/1631672892651103790'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2009/06/o-estranho.html' title='O Estranho'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-2432385141111119541</id><published>2009-06-14T10:20:00.002-03:00</published><updated>2009-07-01T21:24:32.364-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>Um Amor de Usar</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;Finalmente, nossos corações destroçados fazem troça do mundo no balanço briseiro de uma nuvem que, presa por dois ganchos às paredes, nos acolhe. Dormimos, e nosso sono é um filme mudo, cuja trilha sonora é somente o som estático da chuva em redor. Quando despertos, todos os matizes da vida resumem-se aos riscos irregularmente simétricos das íris rebrilhando no encontro de nossos olhos, sobreviventes de todas as inundações de lágrimas de uma luta inteira. Não é mais certo nem mais errado. Somos apenas nós despidos dos pesados casacos políticos e capuzes religiosos que usamos para enfrentar um inverno diário de atritos sociais. É o fim do amor emoldurado, ostentado na sala, que ninguém pode pegar, do amor morto tristão-isoldino. É um amor de levar pra casa — amor de usar. É a malha metálica que metemos por cima nossos medos. Um respeito que dispensa pronome de tratamento. Alegria que não precisa de carnaval. Cumplicidade sem crime. Um amor de usar contra as intempéries do tempo que castiga com esquecimento torrencial. Há quem é solitário pra depois dizer que chegou ao fim sozinho. Há quem se cobre com um amor e não precisa ir a lugar nenhum.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-2432385141111119541?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/2432385141111119541/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=2432385141111119541&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/2432385141111119541'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/2432385141111119541'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2009/06/um-amor-de-usar.html' title='Um Amor de Usar'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-570985245766951925</id><published>2009-06-03T12:10:00.000-03:00</published><updated>2009-07-01T21:23:56.942-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>A Rotina e Anitora</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;font-size:100%;" &gt;Esposa, filhos, gato e jornal. Tinha tudo que poderia desejar. Não era um conceito abstrato estampado com a tinta preto-hipocrisia em camisetas brancas, mas a paz verdadeira. Beth recortava revistas de moda. O gato ronronava no sofá. As crianças encenavam histórias com caixas de sapato e pedacinhos imaginação. Visto da janela de casa, os dias nublados não passavam de nuvens branquinhas brincando pelo céu ao alcance dos braços luminosos do sol. Enfim, o mundo era somente um detalhe que tentava invadir pela fresta que se abria quando ligava a televisão. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;font-size:100%;" &gt;Mas um dia, num relance desinteressado, olhou panoramicamente a sala. O que viu criou um ponto negro na sua alma: Beth recortava revistas de moda. O gato ronronava no sofá. As crianças encenavam histórias… Começou a criar um rancor das crianças repetindo as mesmas histórias, de Beth recortando mil revistas iguais, do gato que dormia no mesmo canto todos os dias nas mesmas horas. O mundo começou a penetrar pelo ponto negro e enraizar-se num ódio. Olhava outras mulheres, chutava o gato, deixava as crianças de lado. O rancor da rotina reverteu-se numa raiva que rosnava contra todos. Mas os dias se sucediam implacavelmente: Beth rasgava revistas de moda. O gato escondia-se embaixo do sofá. As crianças encenavam histórias sobre brigas de casal. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;font-size:100%;" &gt;Apareceu então Anitora, uma mulher que não se repetia: nunca ia ao mesmo lugar, não usava duas vezes a mesma roupa, nunca acordava na mesma hora. Ela era o inverso de seu mundo. Quanto mais andava com Anitora, mas odiava o que tinha. Odiou tudo silenciosamente até que não havia mais nada para odiar. Beth recortava anúncios de imóveis. O gato andava perdido pelos telhados. As crianças encenavam caminhões carregando sofás.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;font-size:100%;" &gt;Com Anitora, a vida era fascinante, nova. Trouxe-a para si. Acontece que Anitora nunca sentia o mesmo interesse, não dormia duas vezes na mesma cama, não amava duas vezes a mesma pessoa. Ela era só um dia. Com o tempo, Anitora era um fantasma que o assombrava com desprezo e ausência, enquanto ele, sentado, olhava um vazio que recortava revistas de moda, um vazio que ronronava no sofá e um vazio que encenava histórias com sua imaginação.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-570985245766951925?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/570985245766951925/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=570985245766951925&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/570985245766951925'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/570985245766951925'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2009/06/rotina-e-anitora.html' title='A Rotina e Anitora'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-6378997680904235971</id><published>2009-05-24T18:55:00.006-03:00</published><updated>2009-07-01T21:24:23.142-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><title type='text'>Por um Dia</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.yaledailynews.com/img/2007/02/23/45dea4d85d1b1_seagull1ONLINE.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 228px; height: 322px;" src="http://www.yaledailynews.com/img/2007/02/23/45dea4d85d1b1_seagull1ONLINE.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Dedicado aos que já passaram um dia incapazes de sair da cama&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"  &gt;Enquanto sinto no ouvido o uivo do vento envergando um violino grave, levanto os olhos e penso ver uma lápide. Na verdade, estou deitado na cama há uma infinidade de horas. Nessas horas, fecho os olhos e sinto minhas pupilas se abrindo num país de trevas pacíficas, livres do diariamente. Não ouso dizer que a vida é ruim. Às vezes, ruim é ser todo dia. É um estado de semi-morbidez. Sinto a angústia, minha melhor amiga (já que inseparável&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"  &gt;), retumbando descompassada no meu peito — o único sinal de que há um coração enraizado neste corpo de terra estéril. Distraído, não percebo fugirem as lágrimas que aprisiono num poço que desce pela minha garganta. Isso basta para que os lençóis lagrimados se transformem um pântano movediço de uma tristeza imbatível, um inimigo cuja maior força é minha fraqueza. Depois de muito lutar, me permito afagar as mágoas nesse sagrado silêncio que me segrega do mundo. Pelo menos, por um dia&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"  &gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"  &gt;Escrito ao som de &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=PtIfKgooCbc"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;I Got to Sleep&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, de Sia.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-6378997680904235971?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/6378997680904235971/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=6378997680904235971&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/6378997680904235971'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/6378997680904235971'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2009/05/por-um-dia.html' title='Por um Dia'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-791599329401615847</id><published>2009-05-15T08:49:00.000-03:00</published><updated>2009-07-01T21:23:47.849-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Botânica da Civilização</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;Ouvi falar de um homem em quem descobriram uma árvore brotando no pulmão. Lembrei da história de Francisco. Era-lhe um mundo estranho esse da cidade. Um estranho que entranhava nele um desgosto diário. Para Francisco, o asfalto era sempre mais árido que a caatinga. E era uma aridez diferente: tinha uma fertilidade para plantas de silêncio. Todo dia brotava um ramo de uma planta sem nome que por dentro o sufocava, secando suas palavras. Em trinta anos, os ramos cresceram demais. Tentou adubar seus verbos fazendo cursos de alfabetização, pra ver que fruto davam. Mas sua fala mirrou. Deixou morrerem de sede as interjeições de seus protestos lacônicos. Francisco, então, deu um passo seguro no caminho de volta à sua terra. Lá, sim, é um lugar onde quase sempre falar pouco é significar muito. A cidade, não. Nela, todos falam demais e ninguém se entende. Ela se engasga com seus excessos: enxurradas de palavras, de gestos, de cores, de luzes vomitando aborrecimento para todos os lados. Foi por essas e outras que Francisco pegou a estrada muda que levava à miséria de campos onde só há dois lugares-cor: o céu azul-eterno e o chão vermelho-sacrifício. Já estava cansado daquelas camas moles que enfraquecem o caráter do sujeito e daqueles confortos que — por motivo estranho aos que sofreram dissabores na vida — deixam as pessoas mais ambiciosas de si mesmas. De tudo entendem e nada lhes assombra. Isso não pode ser certo. Um homem tem que estrangular suas palavras ante a violência daquilo que não entende. Pensava essas palavras quando avistou sua casa antiga, onde agora morava apenas o silêncio. As paredes carcomidas pendiam para o cajueiro. Francisco desdobrou a rede, pendurou num galho e deitou-se, sentindo nos pulmões pontadas dos galhos daquela planta estranha que agora tinha nome: saudade. E todo mundo sabe que saudade é feito menino: quando você leva pra casa, ela deixa de aperrear.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-791599329401615847?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/791599329401615847/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=791599329401615847&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/791599329401615847'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/791599329401615847'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2009/05/botanica-da-civilizacao.html' title='Botânica da Civilização'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-1710444762366636517</id><published>2009-05-07T21:32:00.002-03:00</published><updated>2009-05-15T00:43:45.902-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Apenas uma Vez</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Se fossem só olhares críticos, estaria bom. Se fosse só a placidez torturante e silenciosa dos jantares esfomeados pelo trabalho e o desinteresse pela meia-idade já meio velha de meu corpo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se fosse apenas uma noite adúltera a cada três dias... Se fosse. Se fossem apenas xingamentos esporádicos contra minha família, apenas repúdios sinceros contra meus carinhos, apenas uma estupidez embebida de whisky, apenas um bafo sujo de deboche... Se fossem só maus tratos aos meus filhos, flertes com vizinhas vadias. Se fosse só uma lágrima por dia, só um tapa no rosto por semana. Se fossem só covardias de uma alma torpe, picardias de um corpo infame, vilanias de uma mente vã. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah... fossem só insultos à minha pessoa triste... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se fosse apenas uma vez, talvez seu nome fosse apenas uma página de cartório de uma memória esquecida. Talvez sua carne não chorasse agora, aos borbotões, a toda a maldade rubra que coloria seu peito de uma valentia falsa. Talvez esta faca não tivesse vasculhado fundo suas entranhas buscando a coragem inexistente de um homem perverso. Talvez.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-1710444762366636517?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/1710444762366636517/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=1710444762366636517&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/1710444762366636517'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/1710444762366636517'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2009/05/apenas-uma-vez.html' title='Apenas uma Vez'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-4063809980039894969</id><published>2009-04-08T20:56:00.002-03:00</published><updated>2009-05-15T00:43:37.626-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poemas'/><title type='text'>Um Trago de Solidão</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Do trago travoso que trazes &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Debaixo d’adega de tua axila,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Só te resta a embriagada tristeza&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;E míseras gotas da tua agonia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A Indiferença é quem te ouve&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Com uma atenciosa distância.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O Abandono é quem te abriga&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Sob o teto da Desesperança.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Da desgraça eterna que te cerca&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Ao menos uma não te imputarão:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Quase nunca te verás sozinha&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Na companhia terna da Solidão.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-4063809980039894969?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/4063809980039894969/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=4063809980039894969&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/4063809980039894969'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/4063809980039894969'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2009/04/do.html' title='Um Trago de Solidão'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-3949882009801645029</id><published>2009-03-31T20:09:00.001-03:00</published><updated>2010-10-28T22:37:29.695-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Traduções'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poemas'/><title type='text'>Quando Ouvi o Douto Astrônomo</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold; font-family: trebuchet ms;"&gt;Quando Ouvi o Douto Astrônomo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;(Tradução de &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: trebuchet ms;"&gt;When I Heard the Learn'd Astronomer&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;, de Walt Whitman)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;A Esman Dias&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Quando ouvi o douto astrônomo;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Quando dependuraram-se números e evidências em colunas ante mim;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Quando mostrou-me gráficos e diagramas, para somar, dividir e mensurar;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Quando eu, sentado, ouvi o astrônomo,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;na sala donde palestrava sob os louvores;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Quão rápido, inescrutável, fiquei cansado e enfermo;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Até que ascendesse e declinasse, vaguei solitário&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;no místico sereno ar noturno&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;e, de tempos em tempos, olhava as estrelas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;no mais perfeito silêncio.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-family: trebuchet ms;"&gt;When I heard the Learn’d Astronomer&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;[Walt Whitman (1819–1892), do livro &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: trebuchet ms;"&gt;Leaves of Grass&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;When I heard the learn’d astronomer;    &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;When the proofs, the figures, were ranged in columns before me;    &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;When I was shown the charts and the diagrams, to add, divide, and measure them;    &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;When I, sitting, heard the astronomer, where he lectured with much&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;applause in the lecture-room,    &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;How soon, unaccountable, I became tired and sick;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Till rising and gliding out, I wander’d off by myself,    &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;In the mystical moist night-air, and from time to time,    &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Look’d up in perfect silence at the stars.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-3949882009801645029?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/3949882009801645029/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=3949882009801645029&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/3949882009801645029'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/3949882009801645029'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2009/03/quando-ouvi-o-douto-astronomo.html' title='Quando Ouvi o Douto Astrônomo'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-2912842776877043980</id><published>2009-03-20T19:27:00.002-03:00</published><updated>2009-03-22T09:59:58.255-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Reflexões'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>Esperando um Satélite</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Olhando para o céu, entendo porque os antigos relutaram tanto em abolir a idéia de que as estrelas giravam em torno da Terra numa esfera fixa de cristal. O céu, não por acaso chamado de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;firmamento&lt;/span&gt;, é aonde eu vou quando estou sem chão. Numa escala humana, ali tudo é certo, tudo está como sempre foi. Os antigos sabiam disso. Para eles, aquilo tinha um nome: certeza. A bolha que impede que o vazio do universo entre em nós. Deitado, deixo-me recobrir por esse manto de certezas e previsibilidade. E espero. Hoje, espero um satélite. Quando a relatividade de tudo que vivemos me bagunça, eu volto para o que é certo. O que sinto quando espero um satélite é um misto de esperança, ansiedade e, por fim, completude. Eu sei. Eu sei que, às 18:45, o Lacrosse4 (uma luzinha tímida) irá emergir no horizonte de minha incerteza, descrever uma trajetória inalterável na abóbada e gradualmente iluminar minhas dúvidas. Quando ele finalmente se apagar, terá levado consigo uma desesperança febril que me acomete nos fins de tarde. Afinal, o que é a esperança senão a certeza de que, a despeito de tudo, uma luz irá surgir no horizonte?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-2912842776877043980?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/2912842776877043980/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=2912842776877043980&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/2912842776877043980'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/2912842776877043980'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2009/03/esperando-um-satelite.html' title='Esperando um Satélite'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-7478066700339055179</id><published>2009-02-17T22:08:00.006-03:00</published><updated>2009-03-26T16:23:09.409-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Chapeuzinho Noir</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_8YiNtmcIMJo/SZth0Dz3RII/AAAAAAAAAGw/TfCgtBSNIkg/s1600-h/Little-Red-Riding-Hood-in-Autumn-wi.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 166px; height: 200px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_8YiNtmcIMJo/SZth0Dz3RII/AAAAAAAAAGw/TfCgtBSNIkg/s200/Little-Red-Riding-Hood-in-Autumn-wi.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5303940533162820738" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Eram quase dez da noite quando puxei mais uma vez o capuz de meu sobretudo vermelho-vinho&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;e cruzei a&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; rua, abrindo um espaço na cortina de chuva fechada. Eu sabia que tinha de chegar à casa da Vovó logo, e havia algo de estranho &lt;/span&gt;&lt;i style="font-family: trebuchet ms;"&gt;no ar&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;. Havia vários dias um caçador tinha desaparecido, e meus instintos diziam que eu estava no caminho certo. Dentro da cestinha, eu levava uma rodela grossa de queijo &lt;/span&gt;&lt;i style="font-family: trebuchet ms;"&gt;roquefort&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; e uma pequena garrafa de &lt;/span&gt;&lt;i style="font-family: trebuchet ms;"&gt;whisky&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; para a velha. Na cintura, a minha pistola .45 ardia com a frieza cortante de uma vingança. Atravessei a Rua Madison gatunamente e subi pela Avenida Irwin até a casa da Vovó em Chinatown. Um mendigo mastigando memórias amargas marchava mambembe e arfava uma fumaça charutesca, escurecendo ainda mais o nevoeiro que descera sorrateiro e súbito. O lodo fazia o muro rebrilhar quando cheguei ao quarto-e-sala na Rua Hawkings. Tudo estava um escuro da cor do silêncio. Com voz carinhosa, gritei para dentro: “Vovó!”. “Trouxe uma garrafa de Jack Daniels”, disse em seguida para animá-la, na esperança de que seu vício a acordasse. “Entre”, vozeou roucamente de seu sofá. Ao fundo, eu podia ouvir que a TV exibia mais um episódio de &lt;/span&gt;&lt;i style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Dallas&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;. As imagens intermitentes do aparelho jogavam luzes estroboscópicas sobre seu pijama velho, tornando os poucos movimento&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;s de sua figura corpulenta ainda mais grotescos. Cheguei mais perto e senti um cheiro pútrido vindo de sua d&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;ireção. “Venha cá, minha filha, estava com saudade.” Algo definitivamente estava errado: sempre soube que a velha não era nenhum ursinho carinhoso. Puxei a roda de queijo da cesta e cheguei mais perto, dizendo: “Vovó, veja só este mofo, cheire aqui…”. Ela abaixou &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;um pouco o lençol e retesou os músculos decrépitos. A desgraçada ia dar o bote. BLAM! Ela rolou para um lado, sem vida, enquanto eu deixava cair o &lt;/span&gt;&lt;i style="font-family: trebuchet ms;"&gt;roquefort&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; revelando por trás dele uma pistola fumegante. Com o estrondo da queda, a porta do closet se abriu revelando dois corpos: o caçador desaparecido e um lobo grande cheirando a carniça. Era o fim de mais uma &lt;/span&gt;&lt;i style="font-family: trebuchet ms;"&gt;serial killer&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;. A velha era tinhosa, mas não era novidade para mim. “Só mais uma noite em Chinatown”, pensei. Tentei em vão acender meu último cigarro molhado, ouvindo as sirenes que se aproximavam gritando autoridade. Meu trabalho havia terminado… por hoje. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-7478066700339055179?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/7478066700339055179/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=7478066700339055179&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/7478066700339055179'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/7478066700339055179'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2009/02/chapeuzinho-noir.html' title='Chapeuzinho Noir'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_8YiNtmcIMJo/SZth0Dz3RII/AAAAAAAAAGw/TfCgtBSNIkg/s72-c/Little-Red-Riding-Hood-in-Autumn-wi.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-7578673238516794201</id><published>2009-02-04T22:34:00.002-03:00</published><updated>2009-03-22T09:58:21.825-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Aritmética do Desapego</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;“Esses silêncios brutos”, ela dizia, “não agüento mais”. “Quantas vezes meu amor vai tentar beber desses olhos vazios e dessa boca seca antes que desista de deitar no travesseiro solitário que faz companhia ao teu corpo de mármore? Anos… desde que minha juventude abandonou minha beleza para minguar exposta ao medo da solidão. Ainda hoje tu olhas meu corpo com a ternura dos indiferentes.” Eu agitava um cigarro, tentando não começar de soprar de novo aquelas pequenas palavras que sempre davam início ao vendaval. “Diga.” Enquanto fingia pensar formas de dizer uma não-resposta convincente, olhando seu rosto constatei seu cansaço. A infelicidade fatiga. As rugas que jogavam para baixo os cantos de seus lábios eram o resultado incontornável da soma de todas as horas de decepção com os anos de conformismo. Essa é a equação da infelicidade. “Não há nada como o desapego”, soltei absorto. O desapego é a antimatéria da esperança. O que destrói uma vida não é a falta de amor, mas o tempo que se passa acreditando na possibilidade de ele brotar por persistência. A brasa chegava ao fim do cigarro, era hora de ir. Nossas discussões sempre duravam o tempo de um cigarro exposto a uma janela aberta. Dei uma tragada final e deixei cair as últimas cinzas da nossa história. “Já vou.” As cinzas voavam descontroladas, marcando nos lençóis os pontos negros do mapa incompreensível de um casamento naufragado. Quando lhe virei as costas, seus olhos guardavam o abismo das coisas que deram errado e não têm mais volta. Na rua, os gatos viviam, indiferentes, a vida que prosseguia debaixo de um céu de lágrimas.  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-7578673238516794201?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/7578673238516794201/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=7578673238516794201&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/7578673238516794201'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/7578673238516794201'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2009/02/aritmetica-do-desapego.html' title='Aritmética do Desapego'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-7882180803832426648</id><published>2008-12-25T17:26:00.003-03:00</published><updated>2009-03-22T09:58:05.223-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>Natal do Urbanismo Bucólico</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/9b/THIEL_619.jpg/543px-THIEL_619.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 189px; height: 207px;" src="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/9b/THIEL_619.jpg/543px-THIEL_619.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:trackmoves/&gt;   &lt;w:trackformatting/&gt;   &lt;w:donotshowrevisions/&gt;   &lt;w:donotprintrevisions/&gt;   &lt;w:donotshowmarkup/&gt;   &lt;w:donotshowcomments/&gt;   &lt;w:donotshowinsertionsanddeletions/&gt;   &lt;w:donotshowpropertychanges/&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:donotpromoteqf/&gt;   &lt;w:lidthemeother&gt;PT-BR&lt;/w:LidThemeOther&gt;   &lt;w:lidthemeasian&gt;X-NONE&lt;/w:LidThemeAsian&gt; 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Veja-se, por exemplo, um urbano como eu caindo destoante numa paisagem bucólica. Primeiro, há uma familiar sensação de estranheza. É a mesma que sentimos com conhecidos que nos encontram nos bares e sentam à nossa mesa para uma conversa sem sentido nem razão de eternos minutos. Assim, fiquei recluso algumas horas, lendo, com pensamentos democráticos sobre inúmeras atividades pelas quais poderia optar no mundo tecnológico do DVD e do computador. Antes que percebesse, porém, meu autogoverno sofreu um golpe de estado de um sono tirânico trazido por uma brisa que insistia em invadir as janelas. Acordei-me atordoado com a penumbra do fim de tarde (madrugada?) e decidi enfrentar aquele hostil ambiente natural. “Estive aqui há muito tempo.” Dei uns passados incertos arrodeando da casa tentando acompanhar o arredio pôr-do-sol que já fugia. Galinhas incautas se alimentavam vorazmente na incessante corrida para ver quem chega primeiro à panela. Percebendo a minha inadequação, proativas formigas me enxotaram a ferroadas bruscas nos pés como quem extirpa uma nota dissonante de uma sinfonia. Corri para a varanda e me sentei com um livro — objeto cuja importância as muriçocas parecem desconhecer completamente, já que não tinham interesse em abandonar sequer um saboroso poro da minha pele nem para perscrutar o que diziam as primeiras linhas. Vencido, enclausurei-me novamente. À noite, dei nova chance ao mundo exterior. Sorrisos e palavras leves, embora carregados de sotaques, flutuavam pelo alpendre às vezes atingindo em cheio meu ouvido vago. Eram conversas agradáveis sobre bois e plantas e terras e vaquejadas em relação às quais eu fingia um conhecimento empírico laçando um ou outro termo-chave que galopava pela mesa (por duas ou mais vezes, não sem algum constrangimento, vi escaparem da minha boca um “paluza” seguido de perto por um “alazão”). Consegui simular um interesse sincero em músicas de “Vito &amp;amp; Léo” que me são totalmente desconhecidas e até fiz comentários efusivos sobre sua desenvoltura ao violão e sobre como eles eram menos sertanejos que os tradicionais. Sei que isso tudo é reprovável, mas o que mais pode fazer um sujeito mediocremente urbano se não um complexo jogo para se encaixar na vida simples do campo? Pois é. Na vida, há que se fingir, mas sem perder a postura jamais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Se você também não sabe o que é “paluza”, clique &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Appaloosa"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-7882180803832426648?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/7882180803832426648/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=7882180803832426648&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/7882180803832426648'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/7882180803832426648'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2008/12/natal-do-urbanismo-buclico.html' title='Natal do Urbanismo Bucólico'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-371912718064231270</id><published>2008-12-10T21:22:00.002-03:00</published><updated>2009-03-22T09:57:54.559-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cartas'/><title type='text'>À Solidão de Minha Amada</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Quão difícil é estar sozinho neste mundo. Quão sépias as alegrias que brotam à procura de outras alegrias à sua volta sem um sorriso que as espelhe nem lábio mais trêmulo de cumplicidade. Quão triste é as lágrimas caírem sem que ninguém beije seu salgado beijo de tristeza, molhando ainda mais seu sagrado medo de caírem. E quão triste é ter de conter as lágrimas por falta de um tácito olhar confidente dizendo, por mímicas e cílios, que está ali para todo sempre. Meu amor, quão triste são os presentes que não têm dono, os gatos que miam sem casa, as folhas que caem ainda verdes e jamais tornarão às suas origens. Assim são os solitários, os errantes, os que escolhem para si próprios os acordes de uma vida cantada em vez da coreografia fixa de uma vida mal vivida. Ah, meu amor, mas se nestas palavras, nesses gatos, presentes, folhas e lágrimas reconheceste algum pedaço idêntico a ti, engana-te: jamais estivestes sozinha, apenas estivemos separados pelo relógio atrasado das horas mais propícias.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-371912718064231270?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/371912718064231270/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=371912718064231270&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/371912718064231270'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/371912718064231270'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2008/12/solido-de-minha-amada.html' title='À Solidão de Minha Amada'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-6619984694601627917</id><published>2008-09-29T01:38:00.003-03:00</published><updated>2009-05-15T00:41:59.971-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>O Conto-de-fadas que Queria Ser Romance</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Era uma vez, num reino muito, muito longe, a muitas e muitas palavras de distância, um conto-de-fadas bem pequenino que queria ser romance. Mas não um desses romances que não param em pé na estante. Queria ser um Romance! O pobrezinho não era muito bem pontuado — era até meio feio —, mas vivia suspirando e sonhando, com suas frases curtas sustentadas por suspensórios, em crescer e ficar grande e coeso para contar, não de crianças que se perdiam na floresta, mas de dragões e cavaleiros. “Um dia”, pensava ele com seus travessões, “vou ter mais de trezentas páginas”. Como é do costume dos infantes, de paciência não tinha nem uma vírgula. Decidiu, então, que ia crescer mais rápido. Assim, enquanto as cantigas-de-amigo brincavam de roda, passou dias e dias tomando as providências: tomou muita sopa de letrinhas, brincou de nome-lugar-objeto até enjoar, devorou todos os brotos de fábulas que encontrou pelo caminho — tudo isso para ganhar mais palavras e se tornar um grande e novelesco romance. Mas a Natureza é sábia no seu tempo, e o continho-de-fadas empanturrou-se demais e ficou tonto, meio confuso, e acabou perdendo a coerência. Resultado: na pressa, engoliu tantas palavras aleatórias e formou tantas frases sem sentido que, em vez de romance, terminou obeso e disforme como tese-de-doutorado, coitado!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Moral: &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Devagar se chega a romance&lt;/span&gt;.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-6619984694601627917?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/6619984694601627917/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=6619984694601627917&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/6619984694601627917'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/6619984694601627917'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2008/09/histria-do-conto-de-fadas-que-queria.html' title='O Conto-de-fadas que Queria Ser Romance'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-659119002997050387</id><published>2008-09-22T22:59:00.007-03:00</published><updated>2008-12-10T21:41:48.340-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Reflexões'/><title type='text'>A Guerra Nossa de Cada Dia</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_8YiNtmcIMJo/SNhPbcm2PnI/AAAAAAAAAE0/C0XC4QTOKDY/s1600-h/dvd_background.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 182px; height: 275px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_8YiNtmcIMJo/SNhPbcm2PnI/AAAAAAAAAE0/C0XC4QTOKDY/s200/dvd_background.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5249032698654506610" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;!--[if gte mso 9]--&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;xml&gt;  &lt;span style=";font-family:trebuchet ms;" &gt;Hoje, vou escrever sem versos nem estrofes porque estou triste e abatido demais. Vou quebrar meu voto de só escrever algo que tenha algum valor para os outros também. Vou macular este espaço. Aqueles que buscam alguma literatura nestas palavras torpes e prosaicas hão de me perdoar. Pra fazer literatura, tem que se falsear um pouco o sentimento... ser &lt;span style="font-style: italic;"&gt;fingidor&lt;/span&gt;, como já disseram. Hoje, não agüento fingir. Não agüento mais fugir. Sei que vão debochar de mim porque estou usando uma metáfora de guerra, mas não consigo ver descrição melhor. Deus, até onde vale a pena se esforçar para ser uma boa pessoa? Não sei. O pior, no entanto, é o inferno de não ter opção. Para que não tem talento para a patifaria, não existe a possibilidade de cair na maldade. Simplesmente não existe. Dá-se um jeito, contorna-se o problema, recua-se ante o inimigo. Ser maligno: jamais. Os que nem tentam é que estão certos, pois ser maligno é uma arte. Não é para qualquer idiota. Tentar ser mau sem talento é cair em desgraça. Esses que vocês vêem presos aí na TV são os que não levam jeito ou são burros demais até para serem maus. Os maus mesmo vencem todos os dias, malditos. Dia a dia, acordamo-nos, levantamo-nos e vamos à luta somente para sermos abatidos e cairmos e levantarmos de novo para — quem sabe? — comemorar uma ou duas vitórias a cada 365 dias. Felizes daqueles que acreditam na vitória final, pois, de perder tantas batalhas, fico desconfiado se realmente chegarei ao fim da guerra para descansar à sombra da vitória. O mais difícil é isto: você tem que vencer a guerra, mas não vale matar o inimigo. O que resta? Perdão e paz unilaterais... só você cede. Estou cansado desse perdão e dessa paz humilhante que destroem meu espírito. Mas existe cessar-fogo unilateral? Existe, meus caros. Chama-se &lt;span style="font-style: italic;"&gt;rendição&lt;/span&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/xml&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;xml&gt;&lt;/xml&gt;&lt;/div&gt;&lt;xml&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/xml&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-659119002997050387?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/659119002997050387/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=659119002997050387&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/659119002997050387'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/659119002997050387'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2008/09/guerra-nossa-de-cada-dia.html' title='A Guerra Nossa de Cada Dia'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_8YiNtmcIMJo/SNhPbcm2PnI/AAAAAAAAAE0/C0XC4QTOKDY/s72-c/dvd_background.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-768289890029959702</id><published>2008-09-07T19:09:00.002-03:00</published><updated>2008-09-07T21:04:16.116-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Reflexões'/><title type='text'>Realismo Humano</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Às vezes, sinto uma ternura tão grande pelo ser humano que meu peito estremece. Mesmo feio, despido de sua dignidade, ainda inspira uma força tão grande ou uma fraqueza tão profunda que olhar nos seus olhos é como mergulhar pelas janelas adentro na alma de um deus. Em outros momentos, no todo-dia, sinto um desprezo pela sua pequenez megalomaníaca, agindo-se como estrela de seu único céu. Sem dúvida, a maior conquista do homem é conseguir variar entre a extrema mesquinhez e a mais insuspeita nobreza. O que me incomoda, por outro lado, é que não me permitam ter essa opinião dúbia como a própria natureza humana. É estranho como a idéia de amadurecimento esteja associada a um enrijecimento das opiniões, uma cristalização das idéias que tenciona exilar a tensão da dúvida nos tempos de uma adolescência titubeante. A humanidade tem essa mania estranha de ir na contramão das coisas. Afinal, com as frutas, o amadurecimento é diferente: primeiro, enquanto estão crescendo, elas são duras e intragáveis; depois, tornam-se macias e palatáveis. Nos adultos, ser flexível é sinal de falta de firmeza de caráter e, por conseguinte, das decisões. É mesmo muito contraditório: embora seja inegavelmente instável, o ser humano sempre se espelha na certeza das verdades únicas. Curiosamente, não são poucos os que se apregoam “realistas”. Mas o que é ser realista senão afirmar que se acredita que tudo é conforme sua própria realidade individual? Que, verdadeiramente, sabe o homem de outras realidades senão aquilo supõe, induz ou deduz? Diante disso, a recorrente frase “Eu sei”, oferecida como consolo aos que sofrem, resulta nada mais do que um conjunto vazio — uma farsa bem-intencionada que acaba sendo descoberta em flagrante na resposta do olhar de outrem que pergunta: “O que você sabe?”. Sei que nada sei. Isso, sim, eu sei.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Escrito ao som de&lt;span style="font-style: italic;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;a style="font-style: italic;" href="http://br.youtube.com/watch?v=av3iJh5wwfM"&gt;Je Pense à Toi&lt;/a&gt;, de Amadou &amp;amp; Mariam.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-768289890029959702?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/768289890029959702/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=768289890029959702&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/768289890029959702'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/768289890029959702'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2008/09/realismo-humano.html' title='Realismo Humano'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-143308408017280233</id><published>2008-08-29T22:59:00.005-03:00</published><updated>2009-03-22T09:59:32.405-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Olinda à Noite e a Traição do Mar com Celestina</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Dizem que Olinda à noite é a amante despida dos acasos do Mar. No inverno, na menopausa da folia carnavalesca, ela se entrega ao dono das ondas suadas e mornas de trabalharem o calor do dia. O Mar, de maré manhosa, ora agride, ora acaricia o perfil de sua nudez: pedras acintosas na praia desnuda. Mais tarde, depois que Olinda se desmancha pelos seus ardis, o Mar se esgueira e vai embora pra se juntar com Celestina Cintilante, a dona do céu. É que nestes tempos friorentos, os dois se aninham na safadeza: ela joga por cima seu lençol de estrelas cintilosas; ele, seu cobertor de barquinhos feitiçados em luzes pela anuviação. A essa altura, o Horizonte, que já tem o trabalho de separá-los durante o dia, dorme fatigado. Assim, enganam o eterno empecilho de seus amores e ficam ali, debaixo do grande pano furado de luzinhas. Distante, Olinda acorda sozinha e fica só olhando pela janela do céu. Desolada, ela espera de novo a Manhã, que sempre traz de volta o amante infiel. O Mar, com suas carinhondas, todo dia consegue o implausível: que Olinda perdoe a traição e o receba novamente na cama de suas areias ariscas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-143308408017280233?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/143308408017280233/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=143308408017280233&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/143308408017280233'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/143308408017280233'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2008/08/olinda-noite-e-traio-do-mar-com-o-cu.html' title='Olinda à Noite e a Traição do Mar com Celestina'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-1295460834185595732</id><published>2008-08-25T00:17:00.003-03:00</published><updated>2010-10-28T22:38:09.462-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Traduções'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poemas'/><title type='text'>Os Homens Vazios, de T. S. Eliot</title><content type='html'>Uma homenagem ao Dia do Soldado (25 de agosto).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Os Homens Vazios&lt;br /&gt;T. S. Eliot (Tradução: Heber Costa)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; I&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somos os homens vazios.&lt;br /&gt;Somos os homens empalhados.&lt;br /&gt;Tombando juntos&lt;br /&gt;com capacetes cheios de palha.&lt;br /&gt;Que desgraça!&lt;br /&gt;Nossas vozes ressecadas, &lt;br /&gt;quando sussurram juntas,&lt;br /&gt;são mansas e incompreensíveis&lt;br /&gt;como o vento na grama seca&lt;br /&gt;ou ratos por sobre os cacos&lt;br /&gt;de nossa adega consumida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Forma sem formato, &lt;br /&gt;sombra sem cor,&lt;br /&gt;Força paralisada &lt;br /&gt;num gesto sem movimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqueles que viram com os próprios olhos &lt;br /&gt;o Reino da Morte. &lt;br /&gt;Lembrem-se de nós &lt;br /&gt;— se é que lembrarão — &lt;br /&gt;não como almas perdidas e violentas,&lt;br /&gt;mas como os homens vazios.&lt;br /&gt;Os homens empalhados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[...]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; III&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta é a terra dos mortos.&lt;br /&gt;Esta é a terra dos cactos.&lt;br /&gt;Aqui os ídolos de pedra são erigidos, &lt;br /&gt;aqui recebem súplicas &lt;br /&gt;da mão de um homem morto&lt;br /&gt;sob os últimos cintilos&lt;br /&gt;de uma estrela que se apaga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é assim que é&lt;br /&gt;no Reino da Morte?&lt;br /&gt;Caminhando na solidão&lt;br /&gt;até a hora em que &lt;br /&gt;trememos de ternura&lt;br /&gt;e os lábios que outrora beijavam&lt;br /&gt;fazem preces às pedras fendidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; IV&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os olhos não estão aqui.&lt;br /&gt;Não há olhos aqui,&lt;br /&gt;neste vale de estrelas decadentes,&lt;br /&gt;neste vale vazio.&lt;br /&gt;Esta mandíbula fraturada de nossos reinos perdidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, neste último lugar de encontro,&lt;br /&gt;tateamos para junto dos outros&lt;br /&gt;fugindo à fala.&lt;br /&gt;Reunidos às margens de um rio profundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem a visão, a menos que &lt;br /&gt;os olhos reapareçam&lt;br /&gt;como estrela perene,&lt;br /&gt;rosa multifoliada&lt;br /&gt;do Crepúsculo, o reino da Morte:&lt;br /&gt;a esperança que resta&lt;br /&gt;aos homens vazios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; V&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[...]&lt;br /&gt;Entre a idéia&lt;br /&gt;e a realidade,&lt;br /&gt;entre o movimento&lt;br /&gt;e a ação,&lt;br /&gt;recai a Sombra.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;br /&gt;Porque Teu é o Reino&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre a concepção&lt;br /&gt;e a criação,&lt;br /&gt;entre a emoção&lt;br /&gt;e a reação,&lt;br /&gt;recai a Sombra&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;E a vida é longa demais&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre o desejo&lt;br /&gt;e o espasmo,&lt;br /&gt;entre a latência&lt;br /&gt;e a existência,&lt;br /&gt;entre a essência&lt;br /&gt;e a descendência,&lt;br /&gt;recai a sombra.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;br /&gt;Porque Teu é o Reino&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[...]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Porque é assim que o mundo termina&lt;br /&gt;Porque é assim que o mundo termina&lt;br /&gt;Porque é assim que o mundo termina&lt;br /&gt;Não com um estampido,&lt;br /&gt;mas com um lamento.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leia o &lt;a href="http://www.americanpoems.com/poets/tseliot/1076"&gt;poema original&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;Ouça o &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=7KvkJdcmqek"&gt;poema original&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-1295460834185595732?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/1295460834185595732/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=1295460834185595732&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/1295460834185595732'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/1295460834185595732'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2008/08/os-homens-vazios-de-t-s-eliot-hollow.html' title='Os Homens Vazios, de T. S. Eliot'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-2691356419602447991</id><published>2008-08-07T23:44:00.007-03:00</published><updated>2009-03-22T09:59:32.405-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Reflexões'/><title type='text'>Suspiros e outros mistérios que a gente respira</title><content type='html'>&lt;div  style="text-align: justify;font-family:trebuchet ms;" align="justify"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-family:trebuchet ms;" &gt;Os ditados são, em geral, uma maneira particularmente repetitiva de explicitar o que o óbvio e o bom senso já dizem com a eloqüência de um tapa na cara. Mas, como de tudo se aproveita e estamos em tempos de reciclagem, é possível achar uma coisa ou outra na “sabedoria popular” que cabe nos ouvidos e com a justeza de uma nova idéia. Tomemos um dito como, por exemplo, “A quem ama o feio, bonito lhe parece” (há versões diferentes, mas a idéia é basicamente essa). É algo de uma verdade cruel. E pior: a recíproca também é verdadeira. Quando se deixa de gostar de alguém, o rosto é o primeiro a sofrer uma mutação concreta. O nariz arrebitado, em vez de elegante, acaba metido e mal-desenhado. A boca carnuda são só lábios grosseiros. Os cabelos desenvoltos são um ninho de cobras acordando com fome. A pele envelhece, surgem marcas e cicatrizes intrusas, que nunca tinham estado lá. O fervor da paixão fenece no tom opaco e inexpressivo dos olhos. Os movimentos coreografados do corpo tornam-se o desinteressante balé da rotina. A beleza afinal, se põe por detrás dos montes do marasmo, levando consigo os últimos raios de uma perfeição exagerada. Até a mais bela das criaturas agoniza em descaso e se esvai na viscosidade do cotidiano. É isto: quando se deixa de gostar, a boniteza empresta a casa à feiúra. Pois é. Ao que parece, quanto mais verdadeiro o amor menos transforma. A pessoa amada de nada disso precisa: ainda que permaneça a mesma, é bela além de suas feições; é solidamente construída de sensações, gestos e palavras. Tudo isso, quando aquecido na memória, torna-se num vapor etéreo que a gente respira fundo a cada instante. É disso, minha gente, que são feitos os suspiros de amor.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-2691356419602447991?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/2691356419602447991/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=2691356419602447991&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/2691356419602447991'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/2691356419602447991'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2008/08/suspiros-e-outros-mistrios-que-gente.html' title='Suspiros e outros mistérios que a gente respira'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-2120134345744983797</id><published>2008-07-16T19:23:00.007-03:00</published><updated>2009-03-22T09:59:32.405-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Depoimento de um Palhaço</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_8YiNtmcIMJo/SH-c3vpHALI/AAAAAAAAAEs/smqLswgXHJg/s1600-h/43457802_CreteHania45.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5224066574268694706" style="margin: 0px 0px 10px 10px; float: right; width: 123px; height: 180px;" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_8YiNtmcIMJo/SH-c3vpHALI/AAAAAAAAAEs/smqLswgXHJg/s200/43457802_CreteHania45.jpg" border="0" height="238" width="174" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-family:trebuchet ms;" &gt;Rostos, caras e faces... dali do picadeiro, essas palavras não encontravam forma em nada: a platéia era um ninho de bocas escancaradas, esperando migalhas da pantomima que eu iria fazer. Fazia quinze anos que eu alimentava aquelas bocas com alegria e me mantinha faminto, esquelético de qualquer forma de afeto. Quase sempre, ficava do lado de fora da grande lona, olhando o céu e procurando piadas entre as estrelas. Por algum motivo, nunca me fizeram rir. Acho que é porque o céu é como um espelho: você acha que ele está lindo, mas é você quem está feliz. Já maquiado, enquanto fumava um cigarro sentado no baú do mágico, eu esperava todos os dias por um milagre ou uma magia que fosse. Ironia das ironias, o circo é o lugar onde a mágica só acontece para quem está do outro lado. Não me levem a mal, eu amo o que faço. Mas, do lado de cá, a arte de subviver de circo já parecia milagrosa demais pra esperar qualquer coisa além disso. Às vezes, pensava se um dia o trapezista ia cometer um deslize e cair em cima de mim, um palhaço espalhafatoso e desengraçado. Isso, sim, ia ser um &lt;i&gt;grand finale&lt;/i&gt; de verdade. Um dia, quando entrei no picadeiro, senti que alguma coisa havia mudado. Os holofotes não apontavam para mim, mas para a moça na terceira fila. Os limites de seu corpo eram a fronteira entre a luz que emanava dela, iluminando meu rosto, e a escuridão esfomeada do todo-dia estampada em cada face da arquibancada. Uma esperança raquítica, mas decidida, acendeu-se por dentro da minha fantasia. A boca dela não se escancarava, pedindo; apenas sorria, oferecendo. Soltei uma piada triste, e ela me respondeu com um riso sincero que se perdeu no meio das gargalhadas em redor. Foi assim que as estrelas me ensinaram a sorrir do peito para os lábios. Foi assim que comecei a me fazer rir. Agora jogo malabares somente com as meninas-de-seus-olhos, conto anedotas só para seus ouvidos, equilibro-me apenas em seu corpo. Foi assim que ela se tornou minha única platéia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"  &gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"  &gt;Imagem: &lt;a href="http://www.pbase.com/antonis_sarantos/image/43457802"&gt;Antonis Sarantos&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-2120134345744983797?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/2120134345744983797/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=2120134345744983797&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/2120134345744983797'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/2120134345744983797'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2008/07/depoimento-de-um-palhao.html' title='Depoimento de um Palhaço'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_8YiNtmcIMJo/SH-c3vpHALI/AAAAAAAAAEs/smqLswgXHJg/s72-c/43457802_CreteHania45.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-7533664730994713628</id><published>2008-07-05T04:49:00.000-03:00</published><updated>2008-07-17T00:44:39.942-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Reflexões'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><title type='text'>En Passant</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Alguém já disse que o bom e o ruim da vida é que tudo passa. Poderia ser o subterfúgio perfeito para preencher o cotidiano de um &lt;i style=""&gt;carpe diem&lt;/i&gt; cheio hedonismo e consumo desenfreado. Para aqueles que têm um vazio infinito entre as costelas, porém, o dia &lt;i style=""&gt;en passant &lt;/i&gt;é só uma sensação angustiante de que está deixando de fazer algo que a vontade imprecisa define como &lt;i style=""&gt;qualquer coisa&lt;/i&gt;. A ironia é que, quando livres das obrigações, fazer nada parece sempre a opção que restou e é servida junto com pensamentos do que falta fazer. É questão de debulhar logo as horas pra chegar no próximo compromisso e depois dizer que está muito ocupado catando-as pelo chão. Pra quê, afinal?&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-7533664730994713628?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/7533664730994713628/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=7533664730994713628&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/7533664730994713628'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/7533664730994713628'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2008/07/en-passant.html' title='En Passant'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-4983397852812948034</id><published>2008-06-19T22:02:00.016-03:00</published><updated>2008-09-11T15:43:43.651-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poemas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><title type='text'>Vida de um Funcionário da Ferrovia Alto Alegre–Conjunto Esperança</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp0.blogger.com/_8YiNtmcIMJo/SFsG87r0ppI/AAAAAAAAAEk/24EXVynTJlo/s1600-h/George_Pratt_Bowler.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 196px; height: 261px;" src="http://bp0.blogger.com/_8YiNtmcIMJo/SFsG87r0ppI/AAAAAAAAAEk/24EXVynTJlo/s320/George_Pratt_Bowler.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5213768637494896274" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 130%;"&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;Minha vida &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;não tem ritmo de soneto &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;nem sabor de caramelo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;Não é uma volúpia insensata &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;por momentos de alegria&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;nem uma busca desesperada &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;por turbulências pacíficas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;Não tem aventuras adrenalínicas&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;nem acontecimentos cardiopáticos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;Minha vida &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;é um homem cercado &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;por um mar de cotidiano &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;por todos os lados &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;... e muita redundância.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Imagem: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Bowler&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;, de &lt;a href="http://www.georgepratt.com/"&gt;George Pratt.&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-4983397852812948034?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/4983397852812948034/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=4983397852812948034&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/4983397852812948034'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/4983397852812948034'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2008/06/vida-de-um-funcionrio-da-ferrovia-alto.html' title='Vida de um Funcionário da Ferrovia Alto Alegre–Conjunto Esperança'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_8YiNtmcIMJo/SFsG87r0ppI/AAAAAAAAAEk/24EXVynTJlo/s72-c/George_Pratt_Bowler.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-1897575823925032465</id><published>2008-05-30T19:46:00.003-03:00</published><updated>2008-06-01T12:18:21.736-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Reflexões'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>Mosaico</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style=""&gt;Pensando com passos divagares, caminho pelas ruas de uma Casa Amarela luxuriante. De tipos em tipos, afigura-se um mosaico primitivo das gentes. Nas descalçadas pedregosas, recostados às muradas, mendigos bem-humorados dedicam-se à tarefa interminável de separar o imprestável do que não serve para nada, dançando involuntariamente ao som da cúmbia que pigmenta os ares do início da noite. Mulheres rechonchudas resfolegam um cheiro gordo de pastel cumprimentando o céu com seus sorrisos de oito escalas, em acordes sonolentos de volúpia. As ancas disformes forçam espaço por entre roupas minúsculas buscando um toque da mão faceira do acaso. Taxistas parados, inseparáveis de seus veículos, nos quais por vezes encaixam-se, qual peça-motor, com gestos robóticos, observam mecanicamente os transeuntes e — por ironia — o trânsito. No inferninho, começa discretamente a entrada no caminho libertino das maravilhas da escravidão aos prazeres exuberantes e tristonhos. Carregadores de compras, olhansiosos, miram a porta dos &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;sebosos &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;mercadinhos, tocaiando felinamente consumidores pacatos e bovinos. A recém-noturna alegria casamarelense choraminga alto, esticando com avidez os braços para quem quer que passe. Frutas infelizes jazem mortificadas nos carrinhos-de-mão, conhecendo seu destino de não terminar o dia, pois as frutas e as feiras, como as flores presenteadas, são entidades diurnas, que se apodrecem com o pôr-do-sol. As flores, aliás, resistindo ao solo infértil da grosseria que grassa nas ruas do bairro, comparecem à sua venda todos os dias, esperando transformarem-se em gentileza para cumprirem sua razão de ser. Vendedores de sapato vestidos de um rigor engravatado aglomeram-se nas portas de suas lojas aguardando diariamente, mais do que clientes, a vertigem de um daqueles dias lucrativos sem muito significado real: um dia de namorados, de mãe, de pai e, sobretudo, um Natal após o outro. Dezenas de cachorrinhos idênticos — de pelagem parda, focinho escuro e olhos amigos — mendigam à toa com os maltrapilhos mandingueiros, implorando silenciosamente migalhas de afeto e gestos que saciem sua fome. No canto inferior direito, eu, com um constrangido Guimarães Rosa, ando fantasmagórico e lentamente sorrio para dentro pensando o quanto gosto e detesto esse mosaico infame, mas, decididamente, alegre.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-1897575823925032465?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/1897575823925032465/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=1897575823925032465&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/1897575823925032465'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/1897575823925032465'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2008/05/mosaico.html' title='Mosaico'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-3175810081765209901</id><published>2008-05-24T22:32:00.004-03:00</published><updated>2009-05-20T20:21:52.928-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>Nota Policial</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Regina Maria da Silva, dona de casa, 36, saiu de casa às sete, oprimida, cheia de nós e amarras nos cabelos e na alma desalinhados, a caminho da residência da mãe. Um elemento que atende pela alcunha de Gilson, 41, amancebado com a vítima desde 1998, evadiu-se às mesmas sete horas de um bar nas vizinhanças, trope-tropeçando em suas próprias pernas, penas e pesares. Regina Maria chorava a definitiva gota d’água daquela relação seca pela rua deserta em direção ao ponto de ônibus. Gilson sorvia a definitiva gota d’aguardente daquele copo que era prisma e metáfora da ótica deturpada com que via a vida. Ela tinha nas mãos os dois reais e quinze centavos insuficientes para volta e subiu no ônibus assim mesmo, como adivinhando que era uma passagem só de ida desta vida. Gilson pegou a bicicleta Caloi, barra circular, aro 26, e seguiu dando voltas pela rua intentando, a cada círculo incompleto, a direção da casa da sogra. Regina Maria desceu às sete e trinta e três em frente à Padaria Pão de Mel, na esquina da Rua Porto Alegre com a Av. Fernando Feliz, amargurada pelo amor azedo e espinhoso que nela não morria e insistia em circular pelas veias espetando o coração a cada volta completa. Gilson desceu pela Av. Fernando Feliz às sete e trinta e quatro carregando — segundo testemunhas não-oculares — um pacote suspeito cheio pensamentos tortuosos. Após esperar na calçada um hesitante minuto de sessenta e dois segundos, Regina Maria deixou cair um pedaço de memória que a fazia esquecer de Gilson e dirigiu-se à esquina. Nesse exato instante, Gilson chegava ao cruzamento com a Rua Porto Alegre. Ao ver Regina Maria, o indivíduo largou a ébria bicicleta na calçada e dirigiu-se abruptamente na direção da vítima. Sacou o pacote dos quartos, desembrulhou-o e disparou: “Perdoa, meu amor”, segurando uma cocada sofrida na mão. Gilson ajoelhou-se mais uma vez como fizera no dia em que nunca se casaram. O pedido atingiu Regina Maria entre os pulmões, causando-lhe uma súbita falta de ar e um grito mudo na boca do estômago. Vitimada por uma onda de amor fulminante, ela caiu em seus braços arrependidos. O caso flagrante foi registrado na 16ª DP, e os acusados de “formação de casal feliz” foram liberados para responder em liberdade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-3175810081765209901?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/3175810081765209901/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=3175810081765209901&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/3175810081765209901'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/3175810081765209901'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2008/05/nota-policial.html' title='Nota Policial'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-4479933830958624875</id><published>2008-05-11T00:30:00.003-03:00</published><updated>2008-05-12T23:03:16.434-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Reflexões'/><title type='text'>A Chegada</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style=""&gt;Anos depois, angustiava o som inconfundível do destravar da porta. Inconfundível porque humanos, ao contrário dos gatos, não distinguem bem sons com o ouvido: ouvem todos iguais, mas sentem diferentes. Pois era justo aquele estalo que despertava da sonambulância enferma pelo mundo. Um mundo inteiro girava oposto àquela maçaneta da casa onde tudo fazia sentido. Partira sem olhar sua mãe no rosto, com desprezo e um pouco de irritação. Não entendia como alguém que passou tanto tempo viva poderia ser tão ingênua, carinhosa e tão alheia ao mundo. Valente, em vez da mãe, abraçou o mundo. Sua valentia, com o tempo, vestiu-se de vergonha. Imaginava sua mãe velha agora. Uma avó velha, varrendo, varrendo poeiras inexistentes, farelos de memórias vagas, na verdade. Partira sem dar esperança nem abraço. Ela aceitaria agora aquele abraço tão velhinho? Não dar um abraço devido é um tipo de apropriação indébita: quando ele vem para nós, já não é nosso, é para ser dado. Pensando nisso, entrou sorrateiro como uma surpresa. Sentiu uma neblina translúcida e estática suspensa no ar. Eram memórias que ainda não tinham se esfarelado e volitavam vivas pela sala, formando uma nuvem densa, mas transparente, que os parcos raios de sol da tardinha nublada e chorosa umedeciam com um brilho frio. Aspirando fundo essas lembranças, procurou esperançoso pela casa. Mesa arrumada para dois. Esperava-o? Na cozinha, finalmente distinguiu um vulto curvado, voltado ao trabalho vão da vida. Sentiu ímpeto de chamar por ela. Sua mãe, mamãe. Quantas vontades de voltar não engoliu a goles de orgulho para não ver a sentença de perdão perpétuo no rosto dela? Aproximou-se e tocou seu ombro, já antecipando um sorriso incontido no rosto. A velha largou as vagens e virou-se. Tia. Tia? Não, não, letras erradas. Mãe, não. Tia Júlia. Morta. Estava morta. Morrera lentamente, num caso único de compaixão da Morte, que — em troca de sofrimento — deu-lhe mais anos de esperança pelo retorno dele. Nunca lhe ocorreu, nunca. Tinha uma crença sólida e infundada de que o mundo fazia sentido. Não faz. Vagando para a saída, sentia ânsias de vomitar o vazio de revirava em suas vísceras. Procurava uma explicação, mas só achou um vácuo que sussurrou: depois que se parte, a chegada em casa não é mais volta.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Baseado no conto &lt;a href="http://www.releituras.com/osmanlins_menu.asp"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;A Partida&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, de Osman Lins.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Escrito ao som de &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=Jdri8NliEGk&amp;amp;feature=related"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;In Every Dream Home a Heartache&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, de Jane Birkin e Brian Ferry.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-4479933830958624875?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/4479933830958624875/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=4479933830958624875&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/4479933830958624875'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/4479933830958624875'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2008/05/chegada.html' title='A Chegada'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-8591023772250927641</id><published>2008-04-23T23:22:00.002-03:00</published><updated>2008-04-23T23:30:32.056-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><title type='text'>Na Casa do Sol</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style=""&gt;Quando era pequeno, fiz uma viagem pra casa do Sol. Pra mim, era uma estrada de sonhos flutuando em dentes-de-leão que se desprendiam de suas hastes banguelas, felinos, soprando suavemente pelo mundo. Estrada longa, longa, longa demais, que até perguntação de menino cansa. Viagem de girassóis e gerânios(!) e gerúndios de um sol se pondo num prá-sempre laranja. Estrada de flores de mandacaru indo ao largo do desconhecido, moldurando uma imaginação criança que cheirava o vidro do carro achando bom aquela flor-branca-sem-nome. Era cidade e asfalto e cidade e asfalto. Tantos sãos e santos haviam no nome daquelas vilas com carteirinha de cidade. Cumprimentei todos eles com meninice de calças curtas (querendo só parar para um picolé, na verdade). Quando cheguei, conheci a casa do Sol: era Piauí, era Maranhão. Nem precisava de água pra ser bonita. &lt;i style=""&gt;Seca&lt;/i&gt;, &lt;i style=""&gt;bela&lt;/i&gt;... é só questão de molhar as consoantes. É uma terra que vive de só de sol, sozinha. Era casa de meus tios, todos meu pai. Meu pai que ficou na roça, meu pai que criava bois. Homens lavrados pela vida. Tinha jumento, que ia e vinha carregado de arroz, daqueles que conversam com o vaqueiro por &lt;i style=""&gt;ia!&lt;/i&gt; e &lt;i style=""&gt;eia!&lt;/i&gt;, arfando com as narinas crescidas feito os tremas sua eloqüência eqüina. Mas tristonhos. Burrinho desinteressado de vida, sem orelha &lt;st1:personname productid="em pé. A" st="on"&gt;em pé. A&lt;/st1:personname&gt; gente ia lá dentro do mato pegar saca de arroz com o bichinho conformista, arrazoado. Com medo de cumadre-frozinha e saci, mas com cipó em riste, se fazendo Dom Quixote mesmo montado em burrico de Sancho. Vem, menino, tem aventura para o almoço! Depois, feijão com nata e arroz branco de sobremesa. Jantar era diferente: feijão com nata e arroz branco requentado em noitinha morna. Aí o Sol cansado ia dormir. E a gente menino soliloquiava com as estrelas (que, como todo mundo sabe, são apenas sóis-crianças), perguntando como tava lá em casa, se o gatos tavam bem. Um dia, quando o dono da casa começava seu trabalho solar, fomos embora. E ele ficou pra trás. Somente. Soprando por cima do ombro uns convites luzidios de voltar que eu guardei no fundo da gaveta, sem saber que se apagavam quando a gente fica adulto e vê estrada feito estrada mesmo. E vê flor só feito flor mesmo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-8591023772250927641?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/8591023772250927641/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=8591023772250927641&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/8591023772250927641'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/8591023772250927641'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2008/04/na-casa-do-sol.html' title='Na Casa do Sol'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-7254519052660147362</id><published>2008-04-12T19:58:00.008-03:00</published><updated>2009-03-22T09:59:32.405-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Dor-de-cotovelo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp2.blogger.com/_8YiNtmcIMJo/SAFDXj85JtI/AAAAAAAAAD8/RUFOqiUYXMQ/s1600-h/6b.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://bp2.blogger.com/_8YiNtmcIMJo/SAFDXj85JtI/AAAAAAAAAD8/RUFOqiUYXMQ/s200/6b.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5188502317774218962" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Ela estava linda. Olhei-a pela última vez, fingindo certo desprendimento, e me subiu pela garganta, com uma certeza absoluta, um “a gente se vê” pouquíssimo convincente. Quando engoli seco, desceu foi um vazio com gosto de água barrenta. Deu um abraço e, como de costume, foi-se e não virou as costas. Quando a gente se despede e não vira as costas, só pode significar duas coisas: ou se tem uma certeza implícita de que se verá a pessoa amanhã (a despeito das estatísticas da violência) ou isso simplesmente não faz diferença. E, como se sabe, quando a gente ama, esperar até o dia seguinte é muito tempo. Um aperto acerta o peito à medida que o olho perde de vista aquele “tu” dos poemas de amor que nunca escreveremos — ou que, escritos, serão só palavras que nunca virarão amor materializado, pois papel não agüenta amor de verdade: o poema é o amor maquiado e posto na vitrine. Agora, porém, tudo o que eu sentia era uma melancolia suave e irritante, incapaz até de me impulsionar a uma noite de bebedeira regada a lágrimas de fim de noite. Enquanto a observava descer a rua, pensava como é ingrato já ser passado. Seus olhos já não me viam: estavam brilhantemente vidrados no futuro, à frente. É uma sensação de ter ficado, de ter passado, de parado. Mas, convenhamos, conformismo é preciso. Então, vamos aos &lt;i style=""&gt;clichés&lt;/i&gt;: o amor é assim mesmo. Quando passa, é vazio, tristonho e elegante como um solo de trompete num &lt;span style="font-style: italic;"&gt;jazz&lt;/span&gt; de Madeleine Peyroux. Quando está, é cheio, esfuziante e despojado como a sanfona de Dominguinhos. Secretamente, desejei-lhe o melhor e, mesmo sem vontade, fiquei com o pior para mim. Esse meu amor, no entanto, já não dói: alugou um quartinho no meu Bairro dos Amores e estará lá, quieto, para sempre. Só então senti uma dorzinha chata entre o pulso e o ombro. Era a tendinite.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span&gt;Imagem: &lt;a href="http://www.zhongbiaoart.com/"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Zhong Biao&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-7254519052660147362?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/7254519052660147362/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=7254519052660147362&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/7254519052660147362'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/7254519052660147362'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2008/04/dor-de-cotovelo.html' title='Dor-de-cotovelo'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_8YiNtmcIMJo/SAFDXj85JtI/AAAAAAAAAD8/RUFOqiUYXMQ/s72-c/6b.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-8532823236543691819</id><published>2008-03-29T18:27:00.003-03:00</published><updated>2008-04-17T18:59:21.125-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><title type='text'>Crônica de uma Quinta-feira em Casa Amarela</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Era Casa Amarela à noite, nas redondezas de uma quinta-feira. Estávamos, o Mago e eu, sedentos e cansados atrás de um refrigério para o corpo. Encontramos abrigo nas barbas do Morro da Conceição, num ambiente &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;estritamente &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;familiar. Pedimos uma impensada cerveja como autômatos e começamos a discutir com a seriedade e a dedicação costumeiras os rumos profissionais e pessoais da vida alheia. A noite já ia perdendo o ritmo e se espreguiçando rumo a uma sexta-feira de batente. Escutávamos num protesto silencioso uma desafinada que havia dado um golpe de estado no cara do banquinho-e-violão — aproveitando-se da intimidade unilateral forçada que surge da relação entre os bêbados assíduos e os garçons e cantores de bar — quando uma cena me chamou a atenção. Um sujeito, sacrilegamente, esvaziava os últimos cinco dedos de uma garrafa de Johnny Walker Black Label diretamente no chão do bar com uma atitude serena como a dos que fazem justiça e dormem bem à noite. O garçom noviço, em pé junto à mesa, olhava perplexo ora para o homem, ora para o chão, ora para todos nós (os sete gatos-pingados presentes) — que, obviamente, olhávamos para o &lt;i style=""&gt;whisky&lt;/i&gt;. Enquanto o leitoso Johnny chorava, derramado, percebi que a garrafa levava uma etiqueta daquelas com o nome de um dono bem-sucedido. Nos primeiros segundos, pensei que o coroa dedicava respeitosamente um gole “para o santo” e que santo de rico passa bem demais. Trinta segundos depois, comecei a desconfiar que não havia santo assim, tão cachaceiro, e passei a amaldiçoar a pachorra dos ricos em esbanjar sua abastança acendendo cigarros com dólares e lavando chão de bares de &lt;i style=""&gt;Yellow House&lt;/i&gt; com &lt;i style=""&gt;Black Label&lt;/i&gt; (que, agora, no piso, era só &lt;i style=""&gt;uísque&lt;/i&gt;). Nesse ínterim, o indivíduo — faltando um dedo para terminar a garrafa — parou de derramar o precioso malte e tranquilamente recolocou o vasilhame numa prateleira acima, encabeçada pelos dizeres &lt;i style=""&gt;Reservado para os Fundadores&lt;/i&gt;. Tive um ímpeto de gritar: “Ficou um restinho!”, pois detesto serviço malfeito, mas me contive. O derramante virou-se então para o empalidecido garçom (que estava ainda &lt;i style=""&gt;on the rocks&lt;/i&gt;) e, semi-levantado e dedando o ar com o dedo-dosador da mão direita, disparou: “E se ele vier dizer qualquer coisa, diga àquele filho-da-puta que foi João do Barro quem derramou o uísque dele”. Em seguida, prosseguiu, matemático: “E que, se estiver achando ruim, ele venha aqui, que eu dou seis... não, não... dou doze tiros nele aqui dentro... não, aqui dentro, não. Ali na calçada, eu dou doze tiros nele!”. Refleti que o homem devia ser comerciante, desses que gostam dos números redondinhos e contam tudo de meia dúzia em meia dúzia. Ainda sim, admirei sua consideração para com aquele distinto bar de tijolo aparente, num bem localizado subúrbio &lt;i style=""&gt;pied-de-morro&lt;/i&gt; do Recife. O garçonzinho, embriagado de perplexidade, deu meia volta e sumiu. O velho sentou-se, esvaziado. A música tornou a fluir, timidamente. O Mago e eu entreolhamos, levantamos nossos copos cheios e bebemos... saudando tacitamente mais uma noite &lt;st1:personname productid="em Casa Amarela." st="on"&gt;em Casa  Amarela.&lt;/st1:personname&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-8532823236543691819?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/8532823236543691819/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=8532823236543691819&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/8532823236543691819'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/8532823236543691819'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2008/03/crnica-de-uma-quinta-feira-em-casa.html' title='Crônica de uma Quinta-feira em Casa Amarela'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-6077683437148340008</id><published>2008-03-21T02:40:00.002-03:00</published><updated>2009-03-22T09:59:32.406-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Reflexões'/><title type='text'>Desarmado (ou Bobagens de Quando a Gente Gosta)</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;A construção de um adulto é uma mutilação. Ganha-se muitas obrigações, perde-se vários direitos. Perde-se o direito de ter dúvidas, de ser bobo, de falar sacanagem, de ficar bêbado, de pegar um ônibus desconhecido, de estar nu em casa, de andar sem destino, de estar desarmado. Mas quando se gosta de alguém, recupera-se o direito (e permissão) de novamente não ser crescido. Por isso, estar apaixonado é algo infantil (no melhor sentido). Anda-se a esmo por causa de qualquer jasmim mais cheiroso. Qualquer riso amarelo é de uma ternura radiante. Fica-se completamente desnudo de certezas (ou vestido nalguns trapos de seriedade mal tecida) e completamente bobo quando de um olhar encontrado com a pessoa gostada. A bobagem vira tratado filosófico; a sacanagem, singeleza. Conversa-se água, chovendo palavras no molhado, mas de boca seca de tanto estar de coração na boca. Na verdade, palavras secas de si, só para manter o fluxo do único fluido agora indispensável: mais um pouquinho do outro. Nada como a espera desesperada de cada palavrinha vazia de razão e cheia de doçura. Quando a gente gosta, fica desalmado. Isso mesmo: sem alma. Só uma carne-viva esperando um movimento elétrico do outro, que machuca e extasia num só tempo. Quando a gente gosta, fica descarado. Faz uma cara fechada de tempo nublado que um sorriso abre sem chave nem chuva. Quando a gente gosta, fica desarmado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;... bom demais gostar, ruim é ficar desamado.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-6077683437148340008?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/6077683437148340008/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=6077683437148340008&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/6077683437148340008'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/6077683437148340008'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2008/03/desarmado-ou-bobagens-de-quando-gente.html' title='Desarmado (ou Bobagens de Quando a Gente Gosta)'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-1766729940839711417</id><published>2008-03-09T23:17:00.000-03:00</published><updated>2008-04-17T18:58:51.107-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Reflexões'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><title type='text'>Domingo (Parte II)</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Domingo é um dia sem poesia. Passa-se o domingo a toque de controle remoto. Esse dia de descanso é o mais cansativo. Cansado, sozinho. O olhar encurralado nos cantos da sala procurando displicentemente uma saída. Mas, do domingo, não há saída. A única porta que existe se abre de meia-noite, mas ela dá direto na segunda-feira. Coloco um CD e ouço os rangidos do chão de taco enquanto ele toca e eu rodo pela sala. Jantar (sorvete) sozinho. TV. TV. TV. Não tem poesia. Uma pia de cozinha no domingo à noite definitivamente não é poesia. É raro um dia autenticamente feliz. Um domingo, então, nem se fala. Um dia feliz é como um poema no meio de uma página de jornal. Bastavam dois versos de Pessoa entre a (milésima) notinha sobre a violência no Recife e a resenha de Ypiranga um, Sport, zero. É bom assim: uma felicidade numa forma que a gente nunca espera. Não sei o que fazer da vida. Pai acha uma coisa; e mamãe — que Deus a tenha — achava nada. E ela estava certa: no fim das contas, é melhor não fazer nada até a hora chegar. É como conversar, como dançar. Um instante que é simplesmente melhor que o outro, e ninguém se sabe por quê. O problema é que a espera é cansativa demais. Essa vida é de espera. Essa vida com programas de índios xingu e calouros-mirins. Essa vida de domingo, de dormindo. Domingo é assim: no fim do dia, tudo que resta é uma sensação de que ele se foi levando alguma coisa muito preciosa e deixando um vazio que ocupa, na exata medida, o peito. Tô pensando demais. Melhor mudar pro Faustão.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-1766729940839711417?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/1766729940839711417/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=1766729940839711417&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/1766729940839711417'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/1766729940839711417'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2008/03/domingo-parte-ii.html' title='Domingo (Parte II)'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-1466062575369242266</id><published>2008-03-02T23:18:00.004-03:00</published><updated>2008-04-17T18:58:51.108-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Reflexões'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><title type='text'>Domingo (Parte I)</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Já se disse que a gente morre um pouquinho a cada minuto. Pois bem, podem contabilizar que no domingo se morre dois pouquinhos (seja lá quanto isso for) a cada minuto. É triste. “A vida é assim. Mas há que se trabalhar pra viver.” Na verdade, não existe muita opção na vida. Aliás, só há uma: viver. A diferença é quanto tempo se demora pra descobrir isso e “escolher” essa “opção”. Há que se viver. Tem de se viver. Afinal, quanta desgraça é necessária pra que alguém consiga permissão pra ficar triste num canto por um tempinho sem ter que ir lavar os pratos? Pra que deixem descansar da vida por segundos (vale lembrar que dias são apenas uma multidão de segundos...). É uma inundação de tanta coisa da vida. Por isso, existem(?) os suicidas. Suicida é uma pessoa que morreu asfixiada de tanta vida. Não conseguiu tomar um fôlego. A vida, como as outras substâncias aquosas e mutáveis, afoga as pessoas quando engolfa. É quase uma morte acidental.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-1466062575369242266?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/1466062575369242266/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=1466062575369242266&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/1466062575369242266'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/1466062575369242266'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2008/03/domingo.html' title='Domingo (Parte I)'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-5267302073111627984</id><published>2008-02-24T23:17:00.009-03:00</published><updated>2008-04-17T18:55:33.198-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Reflexões'/><title type='text'>Gentes Brutas (ou A Propósito do Charme)</title><content type='html'>O bicho-gente parece ter sido feito pra ser algum tipo de estranho de cristal, cujas moléculas deveriam ser perfeitamente organizadas, mas a convalescença da vida, com suas tantas variantes, sempre deixa alguma coisa fora do lugar. Assim, nesse puxa-daqui-puxa-de-lá, ficamos eternamente desfocados. Sob a luz, revelam-se gentes brutas, não lapidadas, de um brilho difuso e duvidoso, tentando se estruturar e transparecer toda a perfeição inexistente. Falando nisso, vale dizer uma ou duas coisas sobre o charme. Esse fator muitas vezes substimado é algo que se revela bem mais complexo, como quase tudo que é mais sentido do que visto. Charme (do latim, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;carmen&lt;/span&gt;, "feitiço, fórmula de encantamento") é uma questão de confiança, muito mais do que de beleza. A &lt;span style="font-style: italic;"&gt;segurança&lt;/span&gt; (na acepção de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;confiança&lt;/span&gt;) — na minha opinião, um dos vértices do nosso ser poliedral — é uma das coisas mais atraentes que existem. Não devo retornar às geladeiras (vide &lt;span style="font-style: italic;"&gt;post&lt;/span&gt; mais abaixo), mas pode-se comentar &lt;span style="font-style: italic;"&gt;en passant&lt;/span&gt; que a questão recai novamente sobre garantias. Por que a independência, a segurança e a confiança (elementos-chave do charme) são tão cativantes? Queremos outros independentes, que não se ancorem em nós? Queremos nos ancorar nesses outros? Mais do que perguntas, são fatos. Sinto falta disso. Há dias em que refrato difusamente a luz que chega a mim; sem a transparência da segurança, como se conspurcasse a luz ao tocá-la, sem charme algum. A magnitude do charme está na sua perenidade; ou seja, ao contrário da beleza, que é efêmera e limitada, o charme ultrapassa as barreiras de idade, simetria e sexo. No fim da vida, mesmo os idosos mais belos carregam apenas uma caricatura da beleza que existia antes, uma arquelogia dela, que na verdade, fica no fundo dos olhos, e não mais espalhada pelo corpo. O charme é belo em essência porque está relacionado a — com o perdão do inevitável &lt;span style="font-style: italic;"&gt;cliché &lt;/span&gt;— amar vida (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;lato sensu&lt;/span&gt;, e não apenas a própria vida), com tudo que ela tem, lembrando Vinicius de Moraes, de choro, beleza, violência, alegria, traição e... amor. O charme tem cheiro, cor, carga elétrica e é percebido simultaneamente por todos os nossos sentidos. É a refração perfeita da luz, é um paradoxo refração–reflexo. É aparência da estruturação perfeita de um ser.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-5267302073111627984?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/5267302073111627984/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=5267302073111627984&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/5267302073111627984'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/5267302073111627984'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2008/02/gentes-brutas-ou-propsito-do-charme.html' title='Gentes Brutas (ou A Propósito do Charme)'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-50755961940556197</id><published>2008-02-10T12:07:00.000-03:00</published><updated>2009-03-22T09:59:32.406-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poemas'/><title type='text'>Balada de Um Amor Desconhecido</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Desde que te desconheci,&lt;br /&gt;Vasculho as palavras por teu nome&lt;br /&gt;Ou um adjetivo que te descreva&lt;br /&gt;Nos meus versos e vícios vazios&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde que te desconheci,&lt;br /&gt;Tenho andado feliz e cantante&lt;br /&gt;Nas canções que teu corpo etéreo&lt;br /&gt;Cantarola sutilmente para mim&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp2.blogger.com/_8YiNtmcIMJo/R68WfLq1HeI/AAAAAAAAADM/9WSwwFAj714/s1600-h/thahy_coracao.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://bp2.blogger.com/_8YiNtmcIMJo/R68WfLq1HeI/AAAAAAAAADM/9WSwwFAj714/s200/thahy_coracao.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5165372022581435874" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Desde que te desconheci,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Espelho tua face em cada rosto&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;E te reconheço, desconhecida,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Nas ondas de olhos marejados&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;Desde que te desconheci,&lt;br /&gt;tenho muita pena dos solitários,&lt;br /&gt;Que invejam minha solidão perfeita:&lt;br /&gt;A ternura de teu amor desconhecido&lt;/span&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[Ilustração: Thahy - http://thahy.stripgenerator.com/]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-50755961940556197?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/50755961940556197/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=50755961940556197&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/50755961940556197'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/50755961940556197'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2008/02/balada-de-um-amor-desconhecido.html' title='Balada de Um Amor Desconhecido'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_8YiNtmcIMJo/R68WfLq1HeI/AAAAAAAAADM/9WSwwFAj714/s72-c/thahy_coracao.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-5797945389689462136</id><published>2008-01-31T21:21:00.000-03:00</published><updated>2008-04-17T18:47:23.602-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Fogo</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;Depois de estar vivo por quase dois dias, abandonou-se a uma liberdade precária: comia o que lhe dessem e andava por caminho que se lhe oferecesse, como se caminho fosse coisa que se cria em vez de existir antes. Não importava muito. Nada importava nada, quanto mais muito. Tinha fome de um sorriso amigo, mas só encontrava a miséria nos rostos alheios (talvez mais famintos que ele próprio). Foi quando decidiu beber. O ardor quente e seco do gim lhe inundava o espírito, por segundos, de paixão e de um sabor ligeiramente azedo — que era o mais próximo do que ele conhecia por &lt;i style=""&gt;felicidade&lt;/i&gt;. Mas era só um triste engano. Era a negra boca da solidão que o carcomia, consumindo lentamente sua forma e força. Seu corpo queimava por dentro nas faíscas oriundas do atrito entre suas últimas esperanças e a aspereza do que via &lt;st1:personname productid="em derredor. Daí" st="on"&gt;em derredor. Daí&lt;/st1:PersonName&gt; confundir a angústia de combustão lenta que sentia com a secura fervilhante do álcool e a acidez de sua gastrite. Ainda assim, era esse o combustível que o movia. Apenas &lt;i style=""&gt;ia&lt;/i&gt;, desafiando a transitividade do próprio verbo. Ia. Sentia que se parasse, seria tolhido por uma força muito maior que ele, vinda de si próprio e dirigida contra ele mesmo: implodindo. Não era um vazio que sentia. Era vácuo. Algo que ameaçava (na sua força gravitacional de grandeza astronômica) encerrá-lo dentro de si próprio e comprimi-lo a um espaço menor do que um coração. Fosse o que fosse, sabia que era o fim. Consumiu-se no último cigarro enquanto a calçada estreita dançava à sua frente ao ritmo das treze doses de gim e tônica que tomara. Subitamente, a calçada escureceu e alargou. Pode ver uma luz doce e convidativa que se aproximava, enchendo seu peito de alívio. Não importava o que era (como disse, nada importava). Importava apenas o que debelasse aquele fogo-fátuo de ansiedade e memória em sua alma. Sentiu a brasa da bituca queimar seu lábio. Deixou. Esperou. Enchendo-se pela última vez de luz, mantendo os olhos abertos até o fim.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;Ninguém entendeu o que fazia aquele sujeito no meio da rua quando foi atingido, mas quem assistiu à cena garantiu ao menos uma coisa: ele sorria como se nunca tivesse sorrido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-5797945389689462136?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/5797945389689462136/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=5797945389689462136&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/5797945389689462136'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/5797945389689462136'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2008/01/fogo.html' title='Fogo'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-2869226520066840392</id><published>2008-01-27T11:29:00.000-03:00</published><updated>2008-04-17T18:55:33.199-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Reflexões'/><title type='text'>Shadowboxing</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style=""&gt;No boxe, um dos primeiros treinos é o &lt;i style=""&gt;shadowboxing&lt;/i&gt;, ou simplesmente &lt;i style=""&gt;sombra&lt;/i&gt;, que é basicamente lutar com a sua própria sombra. Acho pretensão e até desrespeito filosofar do boxe uma metáfora da vida, mas esse é (física e metaforicamente) um grande teste: enfrentar um adversário tão (pouco) ágil e tão (pouco) astuto quanto você. Acima de tudo — vez que o boxe consiste em enganar o adversário, isto é, fazê-lo pensar errado e atingi-lo com um golpe imprevisível para ele —, enfrentar a sombra é algo infinito, pois é um rival ciente de todos os seus pensamentos, a quem, portanto,&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp1.blogger.com/_8YiNtmcIMJo/R5y2SeduWJI/AAAAAAAAACs/86KtbTW8XDg/s1600-h/shadowboxing2a.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://bp1.blogger.com/_8YiNtmcIMJo/R5y2SeduWJI/AAAAAAAAACs/86KtbTW8XDg/s320/shadowboxing2a.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5160199701591382162" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style=""&gt; você jamais poderá enganar. Às vezes, fico com a sensação de que estou fazendo isso o tempo todo: reagindo a cada pensamento e sentimento meu, numa sincronicidade eterna e vazia de propósito. No fundo, talvez o objetivo seja estar preparado enfrentar os outros (o que é ridículo por si só). Isso me faz pensar que a única forma de atingir minha sombra é acreditar de forma tão convincente em alguma coisa que eu mesmo não saberia dizer se é verdade ou não depois de dois ou três copos de vinho — que é um lugar fronteiriço entre os reinos de Tenho Certeza e Já Não Posso Julgar; um lugar quando a verdade começa a se diluir em relatividade, deixando um gosto esquisito na boca.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style=""&gt;No entanto, a despeito de qualquer treino, no &lt;i&gt;shadowboxing&lt;/i&gt;&lt;span style=""&gt; não há como sair ileso: a única forma de acertar um golpe é expondo uma fraqueza.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[Foto: http://www.pbase.com/arn/snickers]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=""&gt;You made me a shadowboxer, baby&lt;br /&gt;I want to be ready for what you do&lt;br /&gt;I've been swinging around me&lt;br /&gt;'Cause I don't know when you're gonna make your move&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[&lt;i style=""&gt;Shadowboxer&lt;/i&gt;, do disco Tidal (1996), de Fiona Apple]&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-2869226520066840392?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/2869226520066840392/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=2869226520066840392&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/2869226520066840392'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/2869226520066840392'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2008/01/shadowboxing.html' title='&lt;i&gt;Shadowboxing&lt;/i&gt;'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_8YiNtmcIMJo/R5y2SeduWJI/AAAAAAAAACs/86KtbTW8XDg/s72-c/shadowboxing2a.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-4553932927733583159</id><published>2008-01-16T12:09:00.001-03:00</published><updated>2009-05-20T20:07:04.624-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Reflexões'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><title type='text'>Geladeiras...</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;Semana passada, ouvi uma frase e viajei nela: o mal maior do ser humano é o desamparo. Faz sentido. Não há garantias. Às vezes, no desespero de garantir, entram coisas na pessoa e ocupam lugares que só ela deveria ocupar. Carreira, conhecimento, carro. É um jogo estranho de se esvaziar e se encher em que os círculos encaixam nos triângulos (como naqueles joguinhos de bebê). Quando vazio, a gente quer preencher com o que estiver à mão. Vai ver que é por isso que a gente abre a geladeira dez vezes e não pega nada, como se estivesse procurando um pedaço que está faltando (a geladeira deve ter algum poder místico de atração para quem não sabe para onde ir). Não sei. Mas os melhores dias realmente são aqueles em que você não tem nem chão e isso absolutamente não incomoda: anda por cima de uma música que só está na sua cabeça, e o mundo ao redor, mesmo assim, dança.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-4553932927733583159?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/4553932927733583159/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=4553932927733583159&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/4553932927733583159'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/4553932927733583159'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2008/01/geladeiras.html' title='Geladeiras...'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-6464858564904106970</id><published>2008-01-12T19:03:00.000-03:00</published><updated>2008-04-17T18:47:31.614-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Rotina</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;e ia dormir. Logo começava o mesmo dia novamente. As mesmas roupas, vazias de Estevão, entravam nos mesmos sapatos velhos. Sua camiseta branca suja e esgarçada nem na palavra lembrava as alvas garças do porto onde carregava, todos os dias, seu quinhão da vida. Pegava o ônibus cheio e segurava firme na barra de ferro e agüentava os sacolejos até a última parada da rua dezessete de novembro e suportava os olhares e descia sem tomar um gole de fôlego. Uma vez no porto, desligava. Arrastava-se no curto espaço de &lt;st1:metricconverter productid="15 metros" st="on"&gt;15 metros&lt;/st1:metricconverter&gt; entre o monte de sacos e o mesmo caminhão vermelho (eram todos iguais) centenas de vezes durante o dia naquele indo-voltando automático. Eram mesmos metros que, irônica e diariamente, viravam quilômetros. Curvado, saca nos ombros, olhos no chão, conhecia cada palmo daquele caminhozinho de terra infinito. Às vezes, olhava de lado, invejando aquele mar hostil e a imunda beira do cais e sentia uma tristeza. Era a vida que passava por ele, faceira e debochada, no rosto dos namorados do cais e dos velhos que entupiam os pombos com as sobras dos sacos de cereais. À tardinha, com o pôr-do-sol sobre as costas, voltava. Se ainda houvesse alguém a lhe esperar, um beijo para molhar seu cansaço, carregaria alqueires de sonhos e sacas de lembranças, todos os dias, com um sorriso descabido dentro do peito. Mas não havia. À noite, então, um cigarro de palha pensativo, um gole de cachaça sem vida e ia dormir.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-6464858564904106970?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/6464858564904106970/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=6464858564904106970&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/6464858564904106970'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/6464858564904106970'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2008/01/rotina.html' title='Rotina'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-1399132822240192938</id><published>2008-01-04T21:43:00.001-03:00</published><updated>2009-05-20T20:08:59.035-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>O Espelho</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp2.blogger.com/_8YiNtmcIMJo/R37TGs0kYmI/AAAAAAAAAAo/qhqOgLbiA7s/s1600-h/amnorth.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://bp2.blogger.com/_8YiNtmcIMJo/R37TGs0kYmI/AAAAAAAAAAo/qhqOgLbiA7s/s320/amnorth.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5151787135822750306" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Olhava-se pela terceira vez no espelho, espantada. Sua pele parecia opaca, e os poros abertos. Cansava-se daquela verdade cruel do espelho. Todo sorriso era um arco de cera que só esticava uma tristeza fina de canto a canto da boca. O resto do corpo, não tinha coragem de olhar. Já sabia que veria aquelas escamas flácidas. Não era de admirar: estava no auge dos seus 22 anos. Já era uma anciã da adolescência, prestes a falecer para a idade adulta. Não sabia quando nem como nem onde envelhecera tanto. Sabia. Foi &lt;st1:personname productid="em Ricardo. Foi" st="on"&gt;em Ricardo. Foi&lt;/st1:personname&gt; sem Ricardo. Ali, sim, estava viva, jovem. Sem as mãos dele, seus seios pareciam murchos, pequenos. Sua cintura, reta. Nenhuma curva se apresentava ao seu próprio toque, e o espelho — absolutamente simétrico, não há dúvida — não desenhava sequer uma vírgula que pontuasse aqueles quadris desinteressantes. Sem aquele amor, era um ser disforme; como se o amor não estivesse por dentro, mas envolvendo-a, modelando-a. Em algum momento, não sabe como — talvez enquanto rodopiava e rodopiava despreocupadamente naquelas mãos que lhe davam forma —, o oleiro desviou os olhos de si, descuidando dela por um ou outro motivo insípido, fazendo-a perder o ritmo e se perder, deformada e encolhida, numa bolota de abandono. O que não daria para fechar os olhos, esquecer sua imagem na sinceridade nua do espelho, sentir aqueles braços em seu redor, por trás, pelos lados de sua cintura, dando-lhe corpo. Mas, agora, tudo que tinha diante de si era ela mesma e, claramente, não se bastava. Buscando na sua figura qualquer semelhança de como era enquanto amor. Não encontrava... Mas... e se o espelho, na sua perfeita mentira, a enganara? Esperança. E se dançasse novamente? Talvez, num súbito &lt;i style=""&gt;demi-detourné&lt;/i&gt;, tomasse forma novamente o seu balé, e seu corpo se firmasse, sem que força alguma lhe fosse modelo, senão seu próprio rodopio. Não precisava de espelho algum para lhe dizer que forma tinha. Não tinha forma alguma... e não precisava ter. Tinha a sempre mutável forma da beleza. Mudava sua forma a cada instante com as curvas que fazia com seus braços enquanto, de olhos fechados, se esticava apenas com a ponta dos pés no chão do banheiro. E nada — nenhuma mão, nenhum braço — limitava a leveza de sua figura.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Imagem: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;North Star&lt;/span&gt; (1902), de Alphonse Mucha (1860–1939).&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-1399132822240192938?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/1399132822240192938/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=1399132822240192938&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/1399132822240192938'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/1399132822240192938'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2008/01/o-espelho.html' title='O Espelho'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_8YiNtmcIMJo/R37TGs0kYmI/AAAAAAAAAAo/qhqOgLbiA7s/s72-c/amnorth.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-2050718496821463243</id><published>2007-12-30T12:17:00.001-03:00</published><updated>2008-04-17T18:58:16.079-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Reflexões'/><title type='text'>Solidão</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp1.blogger.com/_8YiNtmcIMJo/R3e2xM0kYiI/AAAAAAAAAAM/WjMzIqSLA4I/s1600-h/Heber-Prisioner2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp1.blogger.com/_8YiNtmcIMJo/R3e2xM0kYiI/AAAAAAAAAAM/WjMzIqSLA4I/s320/Heber-Prisioner2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5149785655293010466" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;p&gt;Queria escrever um texto bonito aqui hoje. Mas a solidão estrangula minhas mais sinceras tentivas de sorriso e sabota meus melhores pensamentos. Queria escrever um texto interessante. Mas tudo que vem à tona é um desinteresse por tudo. A solidão é tão autêntica e tão esmerada no seu trabalho que, quando ela está, nenhum outro sentimento se aproxima. Por isso, não estou triste. É você só dentro de você mesmo. É uma impressionante sensação de estar cheio quando tudo que você sente é um vazio. É uma busca interior por respostas em que não se encontra nada, nem as perguntas. Há um tempo, descobri, através das fontes mais confiáveis (muitas músicas e poemas), que o oposto do amor não é o ódio. É a solidão. Qualquer solitário sabe que a solidão vive exclusivamente dentro dele e independe de número ou da proximidade das pessoas que o rodeiam. Solidão não tem remédio. O máximo que se pode fazer é tomar paliativos. Por isso, se não tiver um amor, tenha sempre um gato à mão. O gato, aliás, é o único bicho capaz de identificar a solidão (note como ele vem para junto de você só nessas ocasiões... e quando está com fome, claro). Apesar da desgraça, a solidão tem, pelo menos, uma vantagem: por si só se basta. E, às vezes, é realmente sua única companhia. Como disse um certo gajo, "A inteira, negra e fria solidão / Está comigo". &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-2050718496821463243?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/2050718496821463243/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=2050718496821463243&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/2050718496821463243'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/2050718496821463243'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2007/12/queria-escrever-um-texto-bonito-aqui.html' title='Solidão'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_8YiNtmcIMJo/R3e2xM0kYiI/AAAAAAAAAAM/WjMzIqSLA4I/s72-c/Heber-Prisioner2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-2493150578442285567</id><published>2007-12-30T12:14:00.000-03:00</published><updated>2008-04-17T18:57:47.147-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poemas'/><title type='text'>O Corpo</title><content type='html'>De tanto ser, deixou-se o corpo a esperar&lt;br /&gt;Que o chorassem, que o pensassem...&lt;br /&gt;Não temos tempo para pensar!&lt;br /&gt;De tanto ser, acostumou-se a pertencer&lt;br /&gt;a quem o afagava, a quem o lembrava...&lt;br /&gt;Quanto nos dão para lembrar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mal-acostumado corpo, que queres tu ainda aqui?&lt;br /&gt;Que juntemos os pedaços de tuas mãos pútridas?&lt;br /&gt;Que cheiremos as alcovas de teu rosto fétido?&lt;br /&gt;Que mergulhemos no raso de teus olhos pálidos?&lt;br /&gt;Foste reles momento em vida, não és tempo de se relembrar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso vai-te o quanto antes, pois nada há de parar&lt;br /&gt;Como incessantemente respiraste em vida, havemos de continuar&lt;br /&gt;a fazer tudo o que não pensamos&lt;br /&gt;a pensar tudo o que não fazemos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois, o tempo em que a pupila se dilata&lt;br /&gt;é o instante que levamos para esquecer&lt;br /&gt;Que no momento que nascemos&lt;br /&gt;Começamos a morrer&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-2493150578442285567?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/2493150578442285567/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=2493150578442285567&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/2493150578442285567'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/2493150578442285567'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2007/12/o-corpo.html' title='O Corpo'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-7815310707206890650</id><published>2007-12-30T12:13:00.001-03:00</published><updated>2010-10-28T23:02:57.825-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poemas'/><title type='text'>Conforto</title><content type='html'>&lt;b&gt;&lt;/b&gt;Conforto como corre o braço pelo lado&lt;br /&gt;do corpo ao lado. macio.&lt;br /&gt;conforto como o ouvido escutando o silêncio&lt;br /&gt;do ombro que diz: "aqui"&lt;br /&gt;Sentado onde deveria estar, e nunca ter saído.&lt;br /&gt;Seu lugar de origem. seu fim.&lt;br /&gt;O laço que só um corpo no outro sabe&lt;br /&gt;sabedoria que por dentro sopra&lt;br /&gt;quente e doce. lã no pescoço, beijo no olho, supiro aliviado.&lt;br /&gt;Sol da manhã, dá manha. massagem.&lt;br /&gt;café. sorriso no olho do outro,&lt;br /&gt;do outro lado, abraço sem toque,&lt;br /&gt;silêncio confortável como uma explicação&lt;br /&gt;ausente e desnecessária.&lt;br /&gt;a imperceptível totalidade do não-falar que é só&lt;br /&gt;e só se basta, como um ouvido num ombro&lt;br /&gt;um consolo sem motivo-tristeza, um abraço.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-7815310707206890650?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/7815310707206890650/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=7815310707206890650&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/7815310707206890650'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/7815310707206890650'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2007/12/conforto.html' title='Conforto'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-3811604119999474261</id><published>2007-12-30T12:10:00.001-03:00</published><updated>2010-10-28T22:48:14.257-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Dia Cheio</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Vinha de beber. Mas era pouco. Foi só pra recordar todos aqueles momentos inesquecíveis, já que saudade não tinha nem um suspiro. Pensara em morrer certa vez. Um banheiro branco, close na gota de sangue, uma carta de três palavras. Ia pensar. Tinha que saber se morrer era somente. [[Moça!]] Tinha que passar na casa de papai. Já fui? E o negócio da máquina, já faz uma semana. Depois encontrar as meninas no bar... Ai, não tenho nenhuma roupa pra usar! O endereço... acho que era... Rua Alaíde Conejo. Vou dar isso mesmo. Ela nem apareceu no meu. [[Moça!]] Que cansaço dessa inevitabilidade de ser. Era isso: queria alforria de si. Era governante absolutista de uma autocracia totalmente democrática. Acho que mamãe é o Congresso. Ou a Câmara. [[Estamos perdendo ela!]] E Felipe? Acho que dessa vez vai. Nunca estive com pessoa assim. Nem assim com pessoa. Gostava de contar-lhe os cílios indeterminavelmente apinhados. Coisinha trabalhosa. Podia ficar horas naquela tarefinha irritante e maravilhosa. Piscou. Começar tudo de novo. [[Abra os olhos!]] Deixa ver. Tem que entrar aqui. Vi na cara dela que ela não gostou do presente. Suas relações exteriores estavam muito ruins. Quase todas fundadas em acordos unilaterais. Tinha que romper relações diplomáticas com toda a Europa Oriental, leia-se: Fatinha e a família dela. [[Olhos abertos! Ouviu!?]] Achava que amava: negócio de cantar baixinho lembrando do outro, silêncio aconchegante olhando do olho, crítica sem julgamento... Só faltava a vida. Vida que não seja mononucléica. Nada de fagocitose de desaforos. [[Pulso!]] Como vou dizer isso? O conflito por si só já é a derrota. A fervura das forças crescendo e a perspectiva do obstáculo eram-lhe suficientes para vaporizar-se de viver. [[Segurem ela! Calma!]] Preferia um bisturi, cromado. Luz branca. Já sei as palavras. "Eu não vivi." Perfeito. Mentira. [[Agüente!]] Queria que isso dissesse tudo. [[Estou aqui, moça!]] Mas é o não-dito, o mal-dito, que eu não queria dizer. Odeio dirigir à noite. Saco. Sinal fechado. [[Responda!]] "Não, moço, tenho trocado não." [[Agüente firme!]]--istola calibre .22. Enferrujada. [[Pupilas dilatadas]] Anderson falou que isso é uma "garruchinha". Ele só queria ser o--. Um som escuro, quase rígido de tão novo. Celular. 1-9-2. [[Não tem mais pulso]] Não sabia que morrer era tão só. [[Foi corajosa!]] Não. Só tinha um celular à mão. Não sabia que morrer era tão-só.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-3811604119999474261?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/3811604119999474261/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=3811604119999474261&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/3811604119999474261'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/3811604119999474261'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2007/12/dia-cheio.html' title='Dia Cheio'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-6829645418568193756</id><published>2007-12-30T12:08:00.001-03:00</published><updated>2009-03-22T09:59:32.406-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poemas'/><title type='text'>Terça</title><content type='html'>&lt;b&gt;Terça&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marte e morte era meu terço:&lt;br /&gt;Um terço vida, um terço cinza, um terço aperto&lt;br /&gt;No torso anseio noturno o dia inteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas de amar-te teci certo temor à morte&lt;br /&gt;E de escalar-te fiz calar-me nos teus olhos&lt;br /&gt;Amortecido o peito torto ao ver descanso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do escarlate deus-rubi não tenho traço&lt;br /&gt;E do verde-encanto dos teus olhos fiz tercetos:&lt;br /&gt;Um terço riso, um terço verde, um terço acerto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[Publicado no caderno &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Saber+&lt;/span&gt;, do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pernambuco&lt;/span&gt;, suplemento cultural do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Diário Oficial do Estado de Pernambuco&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;nº 27&lt;/span&gt;, abril/2008.]&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-6829645418568193756?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/6829645418568193756/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=6829645418568193756&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/6829645418568193756'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/6829645418568193756'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2007/12/fazer-poema-um-troo-muito-difcil-vc.html' title='Terça'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5198501329703153898.post-6928666577558710455</id><published>2007-12-30T12:05:00.001-03:00</published><updated>2008-04-17T18:57:47.148-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poemas'/><title type='text'>Nostalgia</title><content type='html'>&lt;img src="http://kohoutek.weblogger.com.br/img/blog001.jpg" mce_src="http://kohoutek.weblogger.com.br/img/blog001.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;"The man is only half himself, the other half is his expression".&lt;br /&gt;(O homem é só metade, a outra metade é sua expressão).&lt;br /&gt;(R.W. Emerson, In: &lt;u&gt;The Poet&lt;/u&gt;. &lt;i&gt;Self-Reliance&lt;/i&gt;. acho que é isso...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Nostalgia&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero o passado, empoeirado.&lt;br /&gt;Quero uma caixa, lisa, no fundo de uma gaveta.&lt;br /&gt;Quero cartões-postais, fotos amareladas&lt;br /&gt;antigos amores, fotos três por quatro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero que o tempo ataque o presente&lt;br /&gt;Quero recortes de jornal, souvenirs de duas décadas&lt;br /&gt;Quero boletins de escola, quero um sorriso involuntário&lt;br /&gt;Quero palavras de outros tempos - outras grafias&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria cartas superficiais, selos de 1989&lt;br /&gt;Queria fotos de mim mesmo num álbum de uma viagem qualquer&lt;br /&gt;Queria monólogos desesperados numa folha de caderno vagabundo&lt;br /&gt;Queria lembrar como era ser eu ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria esconder do presente minha simpatia pelo passado&lt;br /&gt;Meu medo do futuro - como daquele filho rebelde&lt;br /&gt;que no final se mostra um adolescente que é&lt;br /&gt;que vira presente e me faz rir quando passado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5198501329703153898-6928666577558710455?l=manualdeastronomia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/feeds/6928666577558710455/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5198501329703153898&amp;postID=6928666577558710455&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/6928666577558710455'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5198501329703153898/posts/default/6928666577558710455'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manualdeastronomia.blogspot.com/2007/12/man-is-only-half-himself-other-half-is.html' title='Nostalgia'/><author><name>Heber Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01418871903631000041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-VCs1AyFr8JQ/TmORsYE7akI/AAAAAAAAANc/3tWGfXuULlA/s220/tere%2B053.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry></feed>
